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Inteligência Emocional

Aspectos que caracterizam a inteligência emocional:
- Reconhecer as próprias emoções
- Saber controlar as suas emoções
- Saber colocar-se no lugar do outro entendendo o seu ponto de vista
- Criar relações socialmente adequadas
Capacidades, essas, que podem ser aprendidas e aperfeiçoadas através do treino, envolvendo um trabalho árduo de autoconhecimento e auto-regulação das emoções, dando especial relevo ao papel da atenção nesses processos. Desse modo é possível que qualquer pessoa possa exercitar e aperfeiçoar as suas aptidões pessoais para ter um coeficiente emocional (QE) elevado, que tornará o indivíduo mais apto à boa convivência. Os indivíduos com um QE maior, serão mais capazes de:
- Reagir com maior rapidez perante estímulos inesperados
- Tomar decisões de forma assertiva e adequada
- Estabelecer canais de comunicação verbais e não verbais eficazes
Estratégias fundamentais para treinar e aperfeiçoar a inteligência emocional:
- Superação instrumental – na lógica do reconhecimento do perigo percepcionado para posteriormente ser superado.
- Superação orientada às emoções mediante reavaliação – na atribuição de significados positivos às situações encaradas como negativas e ameaçadoras.
- Superação orientada às emoções mediante dessensibilização – na exposição sistemática e consistente do sujeito ao estímulo encarado como ameaçador, no sentido em que o sujeito dessensibilizará de forma progressiva.
O exercício deste e outros tipos de competências irá contribuir para o aperfeiçoamento da capacidade emocional, uma vez que o autoconhecimento e auto-regulação aumentam. Essas são fruto de um necessário distanciamento interno que se denomina de Meta-Mood, que é a sensibilidade do sujeito face às várias emoções, no sentido de reconhecer, sentir e relativizar as turbulências emocionais. No fundo é tornar possível, a si próprio, ver de outro ponto de vista as várias situações, como um observador neutro, objetivo, mas ativo, capaz de mobilizar as estratégias mais adequadas e eficazes, tão necessárias ao seu sucesso e bem-estar.
Escrito por Dani Guima às 16h16
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Mensagem de Dia dos Namorados

A ALMA DO OUTRO
"A alma do outro é uma floresta escura", disse o poeta Rainer Maria Rilke. A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.
Nem todos os mal-entendidos, mágoas e brigas se dão porque somos maus, mas por problemas de comunicação. Porque até a morte nos conheceremos pouco, porque não sabemos como agir. Se nem sei direito quem sou, como conhecer melhor o outro, meu pai, meu filho, minha mãe, meu amigo, companheiros – e como agir direito?
Nesses dias, tenho ousado escrever como um exercício de me adivinhar. E o meu próximo livro que contêm palavras sobre o silêncio estão em pleno processo de elaboração. Isso me faz refletir mais agudamente sobre a questão da comunicação e sua por vezes dramática dificuldade, pois nos mal-entendidos reside muito sofrimento desnecessário.
Amor e amizade transitam entre esses dois "eus" que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilhamento ou de vida em comum, vontade de fazer e ser um bem, e de obter do outro o que para a gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte. Pontes podem ser precárias, estradas têm buracos, caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo.
Pensar sobre a incomunicabilidade ou esse espaço dela em todos os relacionamentos significa pensar no silêncio: a palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar; o silêncio que não foi erguido no momento exato – e era o momento de calar.
Mas, a gente não sabia.
É a incomunicabilidade, não por maldade ou jogo de poder, mas por alienação ou simples impossibilidade. Anos depois poderá vir a cobrança: por que naquela hora você não disse isso? Ou: por que naquele momento você disse aquilo?
Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e as vezes reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.
Acredito que em qualquer tipo de relacionamento partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.
Somos todos pobres humanos, somos todos frágeis e aflitos, todos precisamos amar e ser amados, mas às vezes laços inconscientes enredam nossos passos e fecham nosso coração. A balança tem de ser acionada: prevalecem conflitos ásperos, o distanciamento, a indiferença, a hostilidade, ou a ternura e aqueles conflitos que ajudam a crescer e amar melhor, a se conhecer melhor e melhor enxergar o outro? O olhar precisa ser atento: mais coisas negativas ou mais gestos positivos? Mais alegria ou mais sofrimento? Mais esperança ou mais resignação?
Cabe a cada um de nós decidir, e isso exige auto-exame, avaliação. Posso dizer que sempre vale a pena, sobretudo vale a pena apostar quando verdadeiramente existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo um desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos, amigos ou amantes, continua a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pode – o que lhe é possível fazer.
Em certas fases, é preciso matar a cada dia um leão; em outras, estamos num oásis. Não há receitas a não ser abertura, sinceridade, humildade que não é rebaixamento. Além do amor, naturalmente, mas esse às vezes é um luxo, como a alegria, que poucos se permitem.
Seja como for, com alguma sorte e boa vontade a alma do outro pode também ser a doce fonte da vida.
(Lya Luft)
Escrito por Dani Guima às 16h51
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Feliz aniversário, filhota!

Hoje Rafaela completa 1 ano! Eu, também, como mãe, completo 1 ano! Caminhamos juntas, formando esse laço num abraço. Hoje já aceito totalmente essa função-devoção. E visto a camisa de mãe 101%. Momentos bons, momentos ruins - quaisquer deles não alteram mais o meu olhar. Sou agora mãe plena e entregue. Meu amor atua com o mesmo carinho e a mesma coragem, independente das circunstâncias. Se amor incondicional é isso, começo a sentir sua calma e quentinha presença no meu peito! Sigo confiante de que Deus, a Vida e o Universo sempre nos proverão com o melhor, em cada novo passo. Conectada com a intuição que guia meu coração materno, apontando caminhos e assoprando dicas. Graças, Papai do Céu, por esse presente, por essa confiança em nós depositada. Graças, Máximo (Kico), por me dar a oportunidade de ser mãe! Amo essa aventura-gostosura de ver Rafaela crescer. E eu, igualmente, crescer com ela.
Seguimos juntas, filha!
Vivaaaa!!!!!
Escrito por Dani Guima às 10h43
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Burrocracia = NO-parquinho

Burrocracia = NO-parquinho!
Devido às constantes perguntas dos amigos sobre o resultado daquele post anterior, chamado "Fazer Acontecer", publico, a seguir, a matemática simples que traduz tudo o que aconteceu: burrocracia = NO-parquinho!
Trocando em pormenores:
A 709 Norte tem casas super gostosas, prédios legais, vizinhos incríveis e muitos, muitos bebês!
A 709 Norte não tem parquinho. Então, os bebês não se encontram, nem as mães e pais se conhecem. Amizades não são feitas. Ouvem-se, apenas, choros distantes que denunciam o grande número de crianças que lá vivem sem qualquer opção de divertimento.
A 709 Norte, aliás, tem sim um parquinho perto das oficinas da W3, com brinquedos velhos de madeira descascando, cheios de farpas, e areia contaminada por um cão que lá foi enterrado. Ninguém vai lá. Está abandonado.
A 709 Norte tem uma mãe-velha-de-guerra-idealista-boba, que nesses vai-e-véns da vida está aprendendo, aos poucos, a sufocar seus rompantes de civismo. Mas ainda falha irremediavelmente nessa missão e, vez por outra, pendura a bebê numa mochila e sai batendo de porta em porta atrás de assinaturas para um abaixo-assinado em prol do parquinho. Afinal, ouviu do administrador de Brasília que “bastava coletar assinaturas, que a obra seria feita rapidamente”. Mais de cem assinaturas foram coletadas e protocoladas na tal repartição pública em janeiro de 2008. A previsão de entrega da obra era em abril. Estamos em junho e nada aconteceu, mesmo diante das insistentes ligações, de 15 em 15 dias, para saber a quantas anda o processo...
A 709 Norte recebeu a visita protocolar do administrador de Brasília, no início de maio, que, sem jeito, mal sabia da reivindicação. “Parquinho? Como é que está a situação?”, perguntou ele à mãe-boba. “E sou eu quem tem que responder isso”, indagou-se a mesma mãe, um pouco menos boba e já bastante impaciente, levantando-se e indo embora da reunião discretamente. Afinal, what’s the point!?
A 709 Norte, semana passada, perdeu a família da mãe-ex-idealista-boba para uma quadra do Sudoeste – essa sim, com pelo menos quatro parquinhos.
A 709 Norte, quem sabe, ganhará um parquinho quando a burrocracia se desenrolar e aproximarem-se as eleições. É que nessa época, a turma se anima, sabe?
Mesmo assim, vamos ficar felizes, afinal, os irmãos mais novos dos bebês de agora já terão chegado ou estarão a caminho. Eles, pelo menos, poderão curtir o parquinho.
Ou não?
Escrito por Dani Guima às 16h35
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Ode ao peito

Décimo mês: chegou a hora de a Rafaela parar de se alimentar do meu leite. Foi um período de enorme aprendizado para mim. A intensidade dos primeiros momentos, o estabelecer de um vínculo forte, que recebe essa mãozinha-na-roda da mãe-Natureza... ao sentir o leite saindo de você, alimentando seu bebê, só mesmo Freud para explicar todo o pano-de-fundo metafórico que envolve esse ato. É profundo, é amor, é entrega. É alimento, é carinho, é nutrição emocional. É vínculo que se forma por meio da doação.
No começo, sentia-me esvair no ato. Isso, por um tempo, desestabilizou muitas partes de mim. Conseguiria me dar para a Rafaela sem me desconstruir, sem me despedaçar, sem me anular? A visão ideal que eu tinha de ser uma mãe perfeita – a mãe que na minha fantasia nunca falta, nunca falha – criava uma pressão por metro cúbico de mim que cortava meu ar. Respirava ofegante e tinha medo de não dar conta. O vínculo que se estabelecia ali, com tanta intensidade, tirava o meu chão e provocava todos os meus bichos-medos de estabelecer relações próximas. Que dirá, uma ligação tão definitiva! Afinal, não existe ex-filha, certo?
E daí, o milagre aconteceu. A vida, nesse momento, se revelou em mim como grande professora, dizendo que as lições precisam ser apreendidas com calma, leveza e vivendo um dia de cada vez. Fui me cuidando, me tratando, relaxando, aprendendo a delegar. Fui despedaçando as ilusões e tecendo uma colcha de amor, com retalhos de cada novo dia vivenciado com a Rafaela. A amamentação foi ficando cada vez mais leve, tranqüila e, por que não, prazerosa! Sim, era o nosso momento, olho no olho, entrega pura.
Foi aí que a Rafaela deu-me a oportunidade de perceber que, doando, eu não me esvaziava. Ao contrário, preenchia meu corpo e minha alma com ainda mais amor e força. Eu compreendi que tenho muito a dar, e que isso só me faz bem e me mantém em contato com a força da vida que alimenta a todos nós – quando dou, eu recebo. E me tornei um pouquinho mais inteira, e mais mulher. Porque não há nada tão feminino quanto o poder da reprodução, o gerar uma vida e, de quebra, ter a alegria de alimentá-la. Foi realmente uma oportunidade-presente para mim!
Às mães que não puderam/quiseram/tiveram a chance de amamentar, faço a ressalva-liberação de que não há regras! Mulheres que não amamentam podem e estabelecem os mesmos vínculos de outras maneiras. Mulheres que não têm filhos também formam sua identidade e força feminina com outras soluções. Apenas rendo minhas homenagens à mãe-Natureza, que nos dá essa forcinha boa na hora de estabelecer vínculos com nossos filhos. Imagino que essa mesma força dá às mães que têm parto normal a possibilidade de viver no corpo a transição de mulher-filha para mulher-mãe. Eu que não tive um parto natural consegui passar por essa transição muitos dias depois do nascimento, de outra forma. A vida, ainda bem, sempre encontra o seu caminho...
O desmame também tem ensinado novas lições. Não há perda, e sim reconstrução. A Rafaela, suavemente, foi mandando todos os recados possíveis de que era chegada a hora. Brincava no peito, mamava pouco, largava por qualquer coisa. Não pedia mais, esquecia. Era a hora dela. Mas seria a minha? Levei um pouco de susto, que veio com um misto de alívio também. Porque o desmame não deixa de ser uma pequena independência. Mas... ai... aquele contato tão íntimo, tão intenso, tão próximo. Deixar essa proximidade toda de lado traria um certo... vazio? Não, claro que não. Não me colei a essa sensação. Era apenas mais uma travessia-passagem da vida provando que tudo passa. Novos vínculos, sim! Novos contatos, novas palavras, abraços e gargalhadas. Dançamos juntas, começamos a conversar as primeiras sílabas, linguagens diferentes – mas tão ternas e intensas quanto uma boa mamada!
Um brinde a nós, Rafaela! Valeu cada gole, filha!
Muitas graças pela oportunidade!
Escrito por Dani Guima às 17h44
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Abaixo a ditadura da mulher-maravilha!!

Sou a Miss Imperfeita
Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo:
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas,namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem.. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela...
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C... Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.
Escrito por Dani Guima às 17h03
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O texto que eu gostaria de ter escrito...
Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas:
- 'Seu marido a faz feliz? Ele a faz feliz de verdade?'
Neste momento, o marido levantou seu pescoço,demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro 'NÃO', daqueles bem redondos! - 'Não, o meu marido não me faz feliz'! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima). - 'Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz'. E continuou:
'O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável. Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de 'experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza.
Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.
Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde que nos casamos. Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos'.
Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade. SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém o tenha machucado, magoado, mesmo que alguém não o ame ou não lhe dê o devido valor.
(autoria desconhecida)
Escrito por Dani Guima às 16h08
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Once

Cinco coisas a dizer:
1- Esse filme entrou para o meu Top Five;
2- As músicas entraram para o meu Top Five;
3- Filme lindo, circuito independente, não sei se vai chegar ao Brasil (sim, admito: baixei pela Internet e tem legendas em português disponíveis tb);
4- Menos importante, mas surpreendeu: ganhou o Oscar ontem de "Melhor Canção Original";
5- Assistam: vocês vão me agradecer!
PS: Nasser, valeu pela sugestão!!!
Escrito por Dani Guima às 17h14
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Fazer acontecer

Entre as mudanças que ocorreram na minha vida com a chegada da Rafaela, uma delas é surpreendente: tornei-me absolutamente fissurada por parquinhos infantis. Na quadra em que moro, ainda não tem um.
Nos últimos meses, sempre que passeava por lugares que têm um parquinho infantil com crianças brincando e pulando na areia, soltava suspiros e sonhava em mudar de endereço – para qualquer lugar que tivesse por perto um playground bacana.
Eu olhava para o gramadão lindo em frente do meu prédio e pensava: que baita desperdício! Em função dessa falta de opção de lazer, mal vejo as crianças da vizinhança. Mas sei que existem, pelos choros que dá para ouvir hora lá, hora cá, ao longo do dia.
Isso precisava mudar.
Num rompante de ânimo, saí pesquisando e descobri que é incumbência da Administração de Brasília a instalação de parques e brinquedos infantis nas quadras. Descobri o nome do político que administra esse órgão e, para minha surpresa, já havia trabalhado comigo numa ocasião, anos antes. Consegui seu telefone celular e, sem vergonha na cara, liguei expondo minha reivindicação: um parquinho novo bem em frente de casa.
Prestativo, o administrador avisou-me que faria o estudo da nossa solicitação com prazer, desde que eu conseguisse assinaturas dos moradores da quadra. “É que o abaixo-assinado sensibiliza as autoridades a atenderem o pedido mais rápido”, justificou. Agradeci. Desliguei o telefone. Murchei. Ah... que preguiça de sair por aí pedindo assinatura de todo mundo! Ah... nem...
No dia seguinte, saindo de casa vi o rostinho da filhota, toda pilhada para brincar... fiquei com aquela imagem na cabeça e peguei o fiozinho de ânimo que restava para pesquisar na Internet um modelo de abaixo-assinado. Encontrei fácil. Empolguei e escrevi o nosso. Puxa, ficou bacana!! Agora só falta pegar dezenas de assinaturas... Preguiça de novo...
Mas fui...
Batendo de porta em porta. Parando os moradores na rua. Abordando-os embaixo do bloco. Alguns até corriam pensando que era assalto. Hahahah! Para diminuir a resistência, levei a Rafaela comigo, pendurada na mochila-canguru, anunciando-a como líder do MSP (Movimento dos Sem Parquinho). A cada casa que eu batia, descobri que boa parte delas tinham crianças – ou filhos, ou netos, ou sobrinhos. Isso me motivou, fortaleceu o meu propósito: quero arrumar um canto maneiro pra essa criançada tomar Sol, rolar na areia, e fazer novos amigos.
Mas, mais que isso: vi o brilho no olhar das pessoas, que sentiram vontade de fazer algo, de participar, de fazer acontecer. Ao invés de ficar sentada reclamando de político corrupto, a turma toda participou e assinou o tal documento.
Sinto uma energia diferente em mim, provavelmente vinda desse senso de comunidade que despertou forte nesses últimos dias.
Não sei se o pleito vai dar certo. Tenho fé que sim.
Amanhã entrego os documentos na tal Administração.
Torçam pelo parquinho! Em breve, posto mais notícias!!!
Beijos e beijos, Dani.
Escrito por Dani Guima às 18h16
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Resolução de Ano Novo

Ferris Bueller é o cara.
O bon-vivant do filme Curtindo a Vida Adoidado sabia das coisas: a vida é muito curta para sermos tristes, preocupados, culpados e/ou deprimidos.
É isso aí! Eis meu protesto: cansei de ser triste!
Tá fora de moda, é chato e irritante!
Quero fincar minhas unhas nos momentos bons. Degustá-los lentamente. Sorver cada gotinha de alegria. Remoer várias vezes, e mais uma vez, os sorrisos da pequena Rafaela. Curtir cada segundo dos carinhos do maridão. Admirar os gestos gentis dos meus familiares e amigos. Agradecer a cada dia que renasce nas manhãs.
Quero, também, fingir quando eu estiver triste. Fingir até para mim mesma. Fingir tanto, até que eu me convença de que estou feliz e satisfeita com a minha vida.
E de tanto ser feliz, quero esquecer de como é ser triste.
E, assim, começar tudo outra vez. Um novo jeito de ser, um novo jeito de viver.
Que a DPP vá para a PQP! - Eis a minha resolução de Ano Novo.
Escrito por Dani Guima às 17h12
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Um dia de cada vez

Em diferentes reflexões que fiz ao longo da minha vida, quase sempre chegava à conclusão que precisava aprender a viver o presente. Há anos medito sobre esse tema e, com o coração sincero, me empenho em colocar essa percepção em prática, cada vez um pouquinho mais. Ao longo do tempo, tive alguns bons avanços e conquistas – mas confesso: eles foram nada se comparados ao que está ocorrendo nessa exata fase da minha vida.
Quando olho para trás, percebo que cada pequeno avanço que conseguia dar nessa direção ocorria lentamente, no meu tempo e numa zona de conforto que eu cuidadosamente havia construído. Com a chegada da Rafaela, a busca de viver o agora tornou-se uma urgência diária, constante e providencial.
Quem tem um bebê em casa percebe rapidamente que planejar é um verbo que sai do seu vocabulário. Eu que sempre fui fã de fazer planos, passei a conviver com um simpático serzinho que se encarrega de me desconsertar a cada tentativa de planejar o passo seguinte. Quando começo a me acostumar com uma rotina, um jeito de ser, com horários e “hábitos” da minha pequena, tudo muda! Ela começa a querer fazer as coisas de forma diferente, em horários diferentes, por motivos diferentes.
E lá vou eu! Sou novamente retirada de uma breve zona de conforto, e arremessada com o peito aberto no terreno do novo e do imprevisível. Junto com esse terreno, chega o aprendizado de saber apreciar o transitório, a impermanência e a evolução dos fatos. Com um neném, só dá para viver um dia de cada vez. Nenhuma experiência poderia ser mais eficiente para arrebentar as amarras de controle de neuróticos, obsessivos e control-freaks...
Com Rafaela aprendo a viver e a curtir o dia de hoje. Ao seu lado, começo a entender que o momento de agora não se chama “presente” por acaso...
Que venham os dias...
Mas um de cada vez!
Escrito por Dani Guima às 15h25
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A cada escolha, uma vida mais feliz
Pense bem: todos os dias temos diversos motivos para reclamar, e tantos outros motivos mais para agradecer. Partindo dessa simples premissa, surgem outras perguntas igualmente simples: como você quer passar a sua vida? Reclamando ou agradecendo?
Com exceção de situações extremas, todas as ocorrências nos permitem percebê-las com um novo olhar.
Digamos que seu computador parou de funcionar hoje. Ao invés de se perder em xingamentos, que tal colocar as coisas em perspectiva e perceber que, apenas neste ano, ele funcionou bem em outros trezentos e tantos dias e, somente agora, foi parar. Não se identifique demais com a situação e tire proveito: durante a ausência da máquina, aproveite para organizar documentos, gavetas... Pensamentos, que sejam!
Essa situação ilustra o quanto nós tomamos por garantidos os dias em que as coisas vão bem e esquecemos de agradecer. E, por outro lado, quando algo não vai de acordo com o esperado, nos colamos e nos identificamos completamente com as situações adversas.
Fez as compras de supermercado e tem que subir as escadas com inúmeras sacolas? Veja só que coisa boa... É excelente oportunidade para fazer esforço físico, suar, respirar forte e sentir o corpo cheio de vida. No lugar de maldizer esse momento, agradeça por tudo: pela saúde que tem para carregar as sacolas, pelo dinheiro que tem para fazer compras e pela linda família que tem para consumi-las.
Sei que pode soar como exagero. É mesmo proposta para nenhuma Poliana botar defeito. Mas é real e possível: a forma como vivemos depende de como escolhemos encarar as situações diversas que surgem, uma a uma. E, como qualquer outra coisa na vida, deixar de ser um reclamão exige treino e boas doses de auto-observação.
Nos últimos tempos, me comprometi comigo mesma a viver os meus dias com o coração cheio de alegria e esperança, pelo máximo de tempo que eu conseguir. Quero ter um olhar generoso para tudo que ocorre à minha volta. E sei que isso só acontece se, internamente, eu perceber o lado favorável e engrandecedor que está implícito em cada situação. Pintou um fato não muito agradável? Vou vivê-lo, senti-lo e aprender com ele. Não vou mais me prender a ele, nem entrar num processo sem fim de remoer o que passou.
Cair, aprender e levantar. E, assim, construir – momento a momento, escolha a escolha – uma vida mais feliz.
Escrito por Dani Guima às 14h43
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Indicação
Este blog foi indicado pelo meu amigo e leitor, Ivan Daniel (também recém-papai), do blog "Revelações de minh'Alma". Ele nos conferiu um selo de qualidade, prática cordial bastante difundida na blogosfera.

Pela regra devo conceder o selo a cinco blogs, que são:
http://otimizacaodaspalavras.blogspot.com/ http://luizalavenere.blog.uol.com.br http://brasiliaeuvi.zip.net http://www.navileinad.blogspot.com http://brasilia2013.blogspot.com/
Visitem e apreciem!
Escrito por Dani Guima às 10h12
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Passagens
O ritual da dor do parto tem um porquê, tem um significado forte de passagem de um estado a outro. Dizem que a vivência das dores transporta a mulher para um estado de consciência alterado, no qual se torna mais fácil viver a ruptura. Isso também serve para o homem que a assiste e acompanha todo o processo do nascimento. Guardadas as devidas proporções, é tão impactante para o pai quanto para a mãe. O puerpério que, segundo especialistas, dura cerca de um ano, é o período para consolidar essa passagem para um novo status-quo.
Para quem não viveu um parto natural e submeteu-se a uma cesárea rápida e prática, essa ruptura com o antes parece ocorrer de forma mais lenta. A falta da vivência do forte ritual de passagem do parto – com suas dores e o tempo necessário para que as contrações quebrem as amarras de controle da mãe e ela finalmente se abra em dilatação para a chegada do rebento – torna menos fácil a ruptura dos pais com o modo de existir anterior. O rito do parto parece acelerar o desapego à condição infantil de filhos, daqueles que apenas recebem e são nutridos por seus próprios pais. E, por outro lado, é experiência que fortalece e prepara os novos pais a aceitarem e abraçarem a condição de passarem a ser os doadores, os que nutrem, ensinam e cuidam.
O parto partiu, separou – o que era um, agora é dois. E um elo precisa ser criado, formado, construído. O que une mãe e filha fora da barriga é a relação que se estabelece de amor, de parceria, de cooperação, de vontade e desejo de viver junto. Para os pais, um novo molde: morrem os filhos que neles residiam, para nascerem os papéis de pai e mãe. São muitos os partos que rondam o nascimento de uma criança: deixar morrer a mulher-filha, para deixar viver a mulher-mãe; deixar morrer o homem-filho, para deixar viver o homem-pai. Outra vez, atravessamos o doloroso processo de vida-morte-vida-morte-vida...
Tenho me empenhado em aprender que existir é viver sucessivas passagens, e na dor dessas transformações, saber aproveitar a experiência para evoluir, criar competências e gozar com os prazeres que a nova condição nos traz.
Desde bem pequenos vivemos muitas dessas passagens: quando nos percebemos como indivíduos aos nove meses de idade, quando vamos para a escola pela primeira vez, quando vivemos as fortes mudanças da adolescência, quando arrumamos um emprego e passamos a pagar nossas próprias contas, quando saímos da casa dos pais, quando estabelecemos um relacionamento amoroso sério, quando moramos junto com alguém, quando casamos, quando temos filhos, etc. Todas essas passagens parecem ser repetições da maior de todas as passagens, que é o nascimento. Como alguém que vai escrevendo por cima de uma primeira palavra escrita, várias outras palavras, mas sempre com aquela base principal – a ruptura, a passagem, a transformação.
É momento de dizer adeus aos confortos da forma antiga de vida, pois o novo se apresenta e sobre nós exerce um forte chamado.
Para exemplificar, é como quando deixamos o conforto das contas pagas, roupa lavada e comida na mesa da casa de nossos pais, para viver a delícia da conquista do próprio espaço – mas que vem acompanhada de novos deveres, como lavar, cozinhar, passar, cuidar, abastecer. Em certa medida, dói sair do conforto anterior, bate um certo medo, um certo banzo, um certo abandono. Saudade dos dias em que passava comendo biscoito e assistindo sessão da tarde, despreocupadamente. Em pouco tempo, no entanto, encontramos nossa forma individual de gerenciar o novo lar. Sabemos direitinho o que comprar no supermercado, nos divertimos chamando os amigos para uma visita, amamos andar pelados pela casa, descobrimos as delícias da privacidade e da individualidade. O luto pela condição anterior cessa e dá lugar ao amadurecimento e à vivência, com naturalidade, da nova maneira de existir.
Assim é com todas as passagens. Entre todas elas, a mais intensa (talvez porque seja a do momento): aprender a ser mãe.
Ainda vivo o luto e uma relativa saudade da antiga condição de apenas “mulher-filha”, da pessoa que por anos eu fui, que estava submersa no conforto da individualidade, da liberdade e do egoísmo saudável. Mas que já andava entediada da mesmice, sem saber ao certo o que faltava, o que realmente lhe movia e motivava. Vivo o desconforto e o frigir das transformações intensas. Mas também vivo a alegria pela construção da “mulher-mãe” em mim. Vivo o regozijo dos sorrisos, dos balbucios, dos trejeitos e do novo em minha vida. Vivo mãe de Rafaela. Vivo-morro. Morro-vivo.
Ainda bem!
Escrito por Dani Guima às 09h37
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Filhos...
Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos Como sabê-lo? Se não os temos Que de consulta Quanto silêncio Como os queremos! Banho de mar Diz que é um porrete... Cônjuge voa Transpõe o espaço Engole água Fica salgada Se iodifica Depois, que boa Que morenaço Que a esposa fica! Resultado: filho E então começa A aporrinhação: Cocô está branco Cocô está preto Bebe amoníaco Comeu botão. Filhos? Filhos Melhor não tê-los Noites de insônia Cãs prematuras Prantos convulsos Meu Deus, salvai-o! Filhos são o demo Melhor não tê-los... Mas se não os temos Como sabê-los? Como saber Que macieza Nos seus cabelos Que cheiro morno Na sua carne Que gosto doce Na sua boca! Chupam gilete Bebem xampu Ateiam fogo No quarteirão Porém, que coisa Que coisa louca Que coisa linda Que os filhos são!
(Vinicius de Moraes)
Escrito por Dani Guima às 10h21
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Limpeza por meio da humildade...
O orgulho, com toda a sua carranca de empáfia e auto-suficiência, é puro disfarce para o medo que temos de contar com alguém para passar por um momento de dificuldade e, no minuto seguinte, perceber que aquela pessoa não está mais lá para nos apoiar. Esse medo de ter apoio num momento e, no seguinte, não ter mais, cria em nós uma defesa bastante óbvia: passamos a nos portar diante da vida como pessoas orgulhosas de saber que conseguimos nos virar sozinhas, que damos conta do recado e não precisamos do apoio de ninguém para passar pelas situações.
Aprender a passar pelas situações só, pode tornar-se uma defesa bastante útil, pois nos provê com ferramentas e saídas criativas, eficazes mesmo, para que seja possível superar as inconstâncias de um período adverso qualquer. A questão é quando essa defesa passa a ser uma constante no comportamento e entra no automático do nosso modus-operandis. Ao invés de escolhermos o momento apropriado para usar tal defesa, ela é que passa a nos controlar. Quando percebemos, estamos agindo de forma repetitiva, e em circunstâncias em que não há mais necessidade para tanto. Ou seja, as situações externas mudam e continuamos agindo como se não fosse seguro confiar em ninguém. Isso passa a ser empecilho para viver relações com proximidade e entrega.
Percebi como essa dinâmica atuava na minha vida há poucos anos. Toda a auto-suficiência que aprendi a ter se mostrava para o mundo, por meio de minha atitude, como orgulho e empáfia para alguns – e como eficiência e força, para outros. A forma de falar, sempre firme, como se tudo estivesse sempre sob controle, com ares de dona-da-situação trazia uma falsa imagem de segurança e, principalmente, a impressão mentirosa de que eu me bastava. Esse comportamento passou a ser tão corriqueiro, que até eu mesma passei a acreditar nesse traço da minha personalidade: formou-se a imagem-fantasia de uma mulher forte, poderosa e segura. Pura falácia...
Há tempos venho tomando consciência dessa defesa e, gradualmente, aprendendo a baixar a guarda, a relaxar, a confiar mais na vida e nas pessoas que me cercam. Nas últimas semanas, porém, um lindo bebê chegou à minha vida. Nasceu Rafaela, minha doce, querida e amada filha. E, com ela, me vi diante de uma super-acelerada nesse processo de perceber e ver o quanto me faz mal viver constantemente dentro da armadura do orguho.
Esse tem sido um momento duro, impactante, transformador, perturbador. Eu não esperava passar por isso. Justo agora? A vida é mesmo irônica... Saibam todos: durante toda a gravidez de Rafaela, eu nutria pensamentos e fantasias maravilhosas sobre ser mãe. Imaginava momentos ternos, tranquilos e recompensadores – do tipo de propagandas de fraldas infantis. Vislumbrava a mim mesma como uma mãe calma, segura, dona das situações – enfim, tirando de letra o ofício da maternidade. Em menos de uma semana do nascimento, essa ilusão caiu por terra e a realidade tem sido bastante diferente desse sonho...
A chegada de um filho corresponde à chegada de um novo e totalmente diferente estilo de vida – especialmente quando trata-se do primogênito. O cotidiano muda ra-di-cal-men-te, no sentido mais literal dessa palavra. A gente se vê diante de um ser que precisa de você 100% do tempo, e que manifesta isso por meio de choro e gritos. Essa é a única comunicação que ele sabe fazer, e não é fácil se adequar a ela. Ver seu filho chorando e não saber o que significa pode ser algo muito angustiante. Além disso, toda a sua vida profissional, social, seu tempo para relaxar, suas manhãs preguiçosas do fim de semana – tudo isso lhe é arrancado bruscamente, de uma hora para outra.
A isso soma-se o delicado processo da amamentação, que é pura doação, um ato de amor. No começo, dói, machuca, assusta. Seu corpo está totalmente diferente – no meu caso, operado numa cesárea. Você fica com os órgãos soltos na barriga, e sangra por, pelo menos, 20 dias seguidos. Dorme pouco e de forma caótica. Isola-se do mundo durante o resguardo. Não bastasse tudo isso, depois de passar pela primeira semana heroicamente, de olhos fechados para todos esses incômodos e novidades, apaixonada pela filhota e seus encantos, vem a tal queda de hormônios. Todas as químicas internas que durante a gravidez estavam nas alturas, caem subitamente dias após o parto. Comigo, foi com uma semana. E veio o blues pós-parto, para não dizer, depressão.
Toda aquela imagem orgulhosa de mãe-poder que eu nutri durante toda a gestação caiu por terra. Comecei a sentir desespero, agonia, medos intensos. Ouvir o choro da neném me causava (e, às vezes, ainda causa) frio na barriga. Nos primeiros dias dessa tristeza eu fingi que nada estava acontecendo, não conseguia admitir para mim mesma que não estava dando conta sozinha. Não queria precisar de ninguém... ficava pensando: “Como assim, como eu não vou dar conta de ser mãe e viver esse sonho que aguardei por tanto tempo?” Aí vem a culpa, a sensação de inadequação, a impressão de fracasso: “Que tipo de mãe sou eu?” Fiquei fritando minha alma com esses pensamentos e questionamentos até que desabei. É químico, físico, não dá para controlar essas sensações. Portanto, não há culpados, julgados e condenados.
No meio dessa queda, um grito de socorro: por favor, preciso de apoio urgente e agora! Marido, mãe, sogra, psicóloga, amigas... me acudam!!! Corre e toma floral. Corre e faz acupuntura. Me entreguei aos cuidados dos outros, caí, me joguei do alto da minha torre de comando, me despi de todo orgulho e fiz uma limpeza por meio da humildade. Gente, eu preciso de vocês! Eu preciso precisar de vocês! Aquela parte de mim auto-suficiente não tem mais espaço nesse momento. Eu me rendo, eu preciso, eu entendo que ninguém é uma ilha. Percebo, devagar, que posso confiar novamente, que posso precisar e que posso contar com as pessoas. Morre Mulher-Maravilha independente! Nasce Mulher-Humana inter-dependente! Aprendo, humildemente, a contar com as pessoas ao meu redor, a confiar que o Universo sempre me trará circunstâncias e provisões para todas as minhas necessidades, momento a momento, dia após dia.
Rafaela já chega em minha vida com esse ensinamento: “Mamãe, confia na vida, nas pessoas e no mundo. Se entrega e aprende, finalmente, a contar com os outros!”. Nesse exercício de humildade, apenas abaixo a cabeça e consinto. Chegou mesmo a hora de aprender a receber!
Escrito por Dani Guima às 12h10
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Os Filhos
(Do Livro "O Profeta" - de Gibran Kahlil Gibran)
Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos." E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, Porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do amanhã, Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: Pois assim como ele ama a flecha que voa, Ama também o arco que permanece estável.

Escrito por Dani Guima às 09h25
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Filha querida...
Faltam poucas semanas para você chegar a esse mundo. Nesses poucos meses que estamos convivendo já aprendi tanto com você... Aprendi muito sobre mim mesma, pois você é espelho. Projeto sobre sua presença meu amor e minhas qualidades, mas também meus medos e falhas. Nessa aventura tão recente, você já tem sido de uma maestria tão grande, que mal consigo compreender... No começo, embora eu e seu pai estivéssemos torcendo e esperando pela gravidez, vivemos um breve momento de susto. Desejávamos sua presença com todo o nosso coração, mas em nossas mentes pairavam diversas perguntas relativas a nós mesmos: “Vamos saber educá-la? Seremos bons pais? É seguro viver nesse mundo?”
Tudo isso, filha, porque gostaríamos de dar sempre o melhor para você. Em nossas fantasias mais infantis, esse planeta seria perfeito, multicolorido e cheio de coisas boas somente para te alegrar. Mas, por hora, não é assim que o mundo gira, querida menina... O anúncio da sua chegada, portanto, fez crescer e amadurecer em nós a idéia de que, mesmo diante das incertezas, cada segundo da vida é precioso. Espairecemos e tivemos a clareza de que “o melhor ideal” não existe. Porém, pode ter certeza: vamos sim, filha, te dar o melhor – porém, um “melhor real”, “o melhor que pudermos”, dentro de nossos limites e possibilidades. É isso que lhe prometemos com todo a nossa alma.
Compreendemos, eu e seu pai, que somos tão somente instrumentos do Universo para te trazer ao mundo. Não somos seus donos, você não nos pertence. Seremos, sim, seus ‘tutores’ durante os primeiros anos da sua existência-aprendizado. Vamos te acompanhar na sua aventura pelo planeta-escola – planeta esse que também é cheio de imperfeições, pequenina. Mas, tenha em mente que todas elas sempre trazem consigo a capacidade de nos ensinar grandes lições. Não tem maneira de te poupar da dor, de sofrimentos e de quedas. No entanto, temos como te ensinar a aprender nas adversidades e, nelas, se fortalecer, adquirir novos conteúdos e habilidades.
Estamos há mais tempo do que você nessa caminhada. E, por isso, é nosso dever te ensinar, te cuidar, te proteger. Mas lembre-se, filha querida: assim como você, também somos seres humanos. Também estamos na nossa existência-aprendizado. Portanto, estamos também em construção daquilo que um dia seremos. Temos certeza que, nessa empreitada, a sua presença será repleta de ensinamentos valiosos. E, por isso, desde já, lhe somos muito agradecidos. Graças, filha!
Nesse seu caminhar, esperamos te ensinar e, junto contigo, aprender e apreender muitas lições:
... que o propósito de viver nesse planeta tem muito pouco a ver com ‘estar seguro’ e ‘viver apenas coisas boas’;
... que a nossa realidade externa é reflexo do que somos por dentro. Portanto, se nós queremos um mundo cada vez melhor, vibremos então nesse sentido, e ele assim será;
... que somos Um, filha. Sei que parece esquisito, mas estamos aqui para entender que tudo que fizermos tem uma repercussão na vida de todos os demais. E vice-versa. Assim como, tudo que você um dia vier a ser, será fruto de cada experiência, de cada conversa, de cada pessoa que tiver tido a alegria de passar pelo seu caminho;
... que nessa vida você vai ter momentos bons e ruins, e que é possível tirar o melhor de tudo sempre – mesmo dos tropeços, que externamente se mostrem ruins. Afinal, filha, “it’s all about love”. Por trás de todos os aparentes erros, existe um ser que deseja, sobretudo, amar e ser amado. A força que move o Universo é o amor. Quem erra, erra tentando encontrar e sentir esse amor. Portanto, o melhor que podemos fazer é aprender a ver além das aparências grosseiras dos fatos desagradáveis, e perceber que a busca é sempre uma só: amor! Por mais que as pessoas deturpem o sentido disso, essa é a única energia que existe;
... que nós, filhinha amada, somos esse amor. Nós somos um só ser. Você vai ouvir falar de ciúmes, insegurança, medo de perda... mas vai ouvir falar também que precisamos nos liberar para entender que tais sentimentos não têm sentido algum. Afinal, como podemos ter medo de perder alguém, se nós somos um? “Somos parte de cada ser que aqui habita e, sendo assim, não necessitamos ter medo de estar separados de nada nem de ninguém, pois estamos aqui, todos juntos, somos UM!”;
... que existe algo muito maior do que nós, que é esse amor. Ele recebe muitos nomes, mas é uma coisa só. E é nele que precisamos confiar nossas vidas. Eu espero que, com sua presença, eu possa aprender a me entregar a esse poder, cada vez mais;
... espero, por fim, filha, poder te acompanhar nessa linda jornada, sempre com respeito e reverência ao seu ritmo, ao seu tempo, à sua forma de ver a vida e a todas as escolhas que vier a fazer. Rir contigo, sentir alegria com as suas conquistas, te ouvir, te abraçar nos momentos de possível imprevisão, estar contigo e ser, também, um espelho para você. Já te amo com todo o meu coração, Rafaela!
Sê bem-vinda! Amém!
Escrito por Dani Guima às 16h47
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A Dor de Crescer
Reli vários dos meus textos anteriores e vi o quanto um tema é sempre recorrente: a busca neurótica que tenho pela perfeição. Passo vários momentos, escrevo várias reflexões e palavras procurando me convencer de que viver em perfeição não é possível. Antes, pelo contrário, faço de tudo para mostrar a mim mesma que é uma ilusão, uma limitação na forma de ver a vida. Dou de cara, mais uma vez, com a pequena ditadora que reside em mim, a criança ferida, mimada e teimosa. Quanta resistência, quanta dor ela me causa!
Tenho vivido feito escrava dessas exigências infantis. Num primeiro momento, achava que o mundo deveria ser perfeito. Inclusive assumo que me formei em jornalismo, pois acreditava que, nesta profissão, poderia contribuir – nem que fosse um pouco – para esse sonho megalomaníaco se concretizar. Tentei por algum tempo e desisti. Fui aos poucos percebendo que a sociedade não se cura como um todo, mas sim de forma individual. O verdadeiro trabalho é a mudança interna, em cada um de nós. Desisti de querer fazer justiça nas denúncias e matérias que escrevia, nos lugares que ía, onde trabalhava, ou nas rodas de conversas que freqüentava. Entendi que não é assim que funciona. Foi um alívio! Cheguei a pensar que estava curada...
Mas o círculo de exigências foi se fechando, e essa demanda infantil passou a se restringir às pessoas mais próximas de mim. Ao meu marido, aos meus amigos mais próximos, à minha família. E, quanto maior a proximidade, mais essa dor voltou a doer. Dou-me conta do quanto essa criança ainda fala alto e, cada vez mais, tem necessidade de gritar. Sinto-me ridícula, reconheço a parte déspota que existe em mim.
Porém, já não quero me esconder mais desta descoberta. Se o primeiro passo para se livrar de algum aspecto-sombra é mesmo o de sair da negação, me lanço com fé nesta caminhada. Quero chegar ao fim dela de braços dados com minha humanidade. E com a humanidade dos outros também. Especialmente dos mais próximos a mim, daqueles que mais atiçam a minha criança ferida, mimada, raivosa e vingativa.
Quero ver essa menina assustada crescer e desabrochar. Florescer em flores e frutos, como uma linda árvore que lança suas raízes num terreno de compaixão, aceitação e entendimento. Imagino a criança birrenta abrindo espaço para uma moça-mulher-borboleta. No meu sonho, ela sai de cena e abre alas para um novo ser cujas expressões se revelam em confiança, segurança e firmeza. A moça-mulher-borboleta sabe que dá conta de viver na dualidade. Vê oportunidade nas adversidades da vida. Aprende com as quedas. Sacode a poeira e segue firme adiante, com a certeza de que o Universo é amigável com ela. E com a esperança de que, de fato, ela merece viver de forma plena, leve e simples.
Por agora, navego apenas no vislumbre desse lindo sonho-cenário. Mas já consigo sentir seus cheiros doces, ouvir suas gargalhadas honestas, tatear seus macios lençóis de seda. Acredito e peço a Deus que me ilumine, me dê forças e sabedoria para criar essa realidade. Partilho aqui a minha dor de ainda não ser, com a impressão de que me sinto mais leve no compartilhar. E, também, com a pretensão de ser útil aos que me lêem.
Expresso, logo vivo.
Escrito por Dani Guima às 15h45
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Oração de Confiança na Vida
Chegou a minha vez de confiar na vida e de, nela, me sentir sempre segura e confortável...
Chegou a hora de relaxar, sair do alto da torre de comando, largar as rédeas do controle e me embalar no colo confortável da fé e da esperança...
Chegou o momento de me sentir segura de viver o contato próximo e me permitir o verdadeiro prazer. O gozo de andar tranqüila, com o coração firmado na certeza de que o Universo é amigável comigo...
Chegou uma vontade forte – muito maior que o medo e o alerta. Essa vontade quer se enrolar em lençóis de seda, cor de rosa chá, com cheirinho de lavanda e vista para o mar...
Chegou aquele ponto da vida em que a gente deixa para trás as frustrações de criança e passa a dar passos firmes, mas graciosos, de adulta resoluta e confiante de que vai sempre dar conta...
Chegou a chance de perceber que, mesmo nas piores horas, elas sempre chegam junto com um grande aprendizado. E que aproveitá-las é tão somente uma questão de escolha...
Chegou o instante de entender que é preciso ter muita coragem para ser feliz e viver o prazer de estar viva a cada átimo de instante...
Chegou o tempo de aceitar a realidade de que a Luz sempre me assistiu e me assistirá em todos os momentos. Que sou filha abençoada de Deus e por Ele cuidada com todo o carinho e atenção...
Chegou o sinal derradeiro de que o inverno passou, e de que a primavera quer me presentear com brisas frescas e campos verdejantes...
Olho para o relógio e sinto que é mesmo chegada a hora... Amém!
Escrito por Dani Guima às 14h29
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A Sombra da Ajuda
O que realmente está por trás da nossa vontade de ajudar alguém? Essa é uma questão delicada. Qual tipo de ajuda é realmente válido? Quando ajudamos alguém, estamos num papel que vai muito além do personagem benemérito e generoso de uma Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. Ajudamos, também, porque queremos nos sentir bem. Desejamos ser bem vistos, ser reconhecidos como pessoas boas e, assim, obter os tão desejados amor e reconhecimento.
Num dos filmes mais surpreendentes que assisti na minha vida, justamente pela sua sutileza, o protagonista se encontrava em maus bocados e comentava a situação: “Quando você vive um verdadeiro fiasco consegue perceber o quanto as pessoas que estão ao seu lado neste momento se sentem ainda mais vivas, simplesmente por não estarem naquela mesma situação”. Nessa linha, muitas vezes ajudamos os outros por motivos estranhos... Para nos sentirmos mais vivos. Para contar com a admiração e a gratidão dos amigos. Vivemos seus problemas e ocupamo-nos de ajudá-los, pois, dessa forma, estamos distraídos das nossas próprias questões. E mais: quando ajudamos alguém vivendo os problemas dele como se fossem nossos, podemos muitas vezes estar lhe tirando a grande oportunidade de aprender na adversidade. Na tentativa frustrada de poupar alguém de um problema podemos estar, na verdade, poupando-o de um grande crescimento.
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