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    Quero ser um cobogó

    Para quem não sabe do que se trata, uma definição simples e direta de Cobogó: “Cobogó é a denominação dada a elementos vazados, normalmente feitos em cimento, que completam paredes e muros para possibilitar maior ventilação e luminosidade ao interior** de um imóvel, seja residencial, comercial ou industrial.”

    Como boa brasiliense que sou, sim, sempre fui encantada por eles... Mas, de um tempo para cá, viraram um espécie de paixão! Não consigo mais passar desapercebida por qualquer um deles, desde os mais ordinários, às novas invenções que surgem por aí. Nenhum é feio. O que me encanta tanto? Fui percebendo e sentindo aos poucos o porquê dessa percepção interna tão obstinada. 

    A ventilação, a luminosidade que atravessam suas aberturas... sim, as suas aberturas. Aí, a chave do meu amor. O significado de o cobogó estar aberto e receptivo ao calor, à sombra, ao frio, à chuva. Ao Sol, à Lua. Às intempéries, ao imprevisto, ao que vier... Sem julgar, sem se fechar. Se deixa perpassar, e continuar aberto, sempre...

    Três situações de vida, em momentos diferentes, me remeteram de forma definitiva a esta paixão:

    1) Uma vez, na aula de Kundalini Yoga, depois de longos minutos dentro de uma mesma postura, a dor começava a fazer os músculos tremerem, os braços pesarem, e minha mestra me disse: “Olha a dor, sente a dor, deixa ela te atravessar. Respira a dor, e deixa ela ir”. Entendi que a dor, quando encarada, olhada com coragem – ternura e carinho – acaba diminuindo. E viver essa experiência fisicamente, de forma tão intensa, em treinos de sadhana (exercícios diários que duram até 49 minutos, cuja resistência se amplia, em minutos, a cada dia), fazem você refletir, vivenciar no corpo e transpor essa capacidade de ampliar seus limites, também, para o campo das emoções e reações.

    2) Num momento difícil de vida, de muitas dores e rancores vindo à tona, uma amiga inesperada – mas de uma importância e grande significado para mim – me disse: “Quando vier uma emoção, pensamento, ou sentimento ruim, respira!!! Deixa essa emoção passar por você... então, deixe-a ir. Expire-a. Em seguida, agradeça por ela”. E sinta o que essa experiência deixou de riqueza para você, e siga adiante...

    3) Num trabalho espiritual bastante intenso, que me dava até um certo pânico, o mestre orientou: “A chave é respirar”. E assim foi – a cada pensamento ruim que vinha, eu respirava, sentia, expirava e agradecia. Neste trabalho, conscientemente, já me imaginava graficamente como um cobogó. Deixava o que quer que fosse – ruim ou bom – seguir seu caminho, sem qualquer apego. Puro desprendimento. Pura liberdade. Não há espaço para se grudar à dor. Para julgá-la. Para se apegar. Simplesmente, deixe-se respirar, e a luz vem.

    Assim sendo, o cobogó para mim é uma representação da neutralidade.

    Venha Sol. Venha chuva. Venha luz. Venha brisa, vento, ventania.

    Recebo, respiro, expiro e agradeço. :)

    Sinto que a propriedade da abertura, do desapego, nos lança no caminho da tão sonhada liberdade.

    A liberdade de permitir-se entrar em contato e ser tocada. E enfeitar o altar do meu coração, por todos os lados, com cobogós puros e abertos à alegria de ser e sentir!

    **: Assim, explico a hashtag excêntrica (#queroserumcobogo) da minha fotossérie (Cobogós que amo) no Instagram @danielaguima: a cada dia possibilitar maior ventilação e luminosidade ao interior do altar do meu coração.



    Escrito por Dani Guima às 00h49
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    Os bons são a maioria?

    Essa pergunta volta e meia torna a provocar intensos debates no meu coração.

    Sinto que sim, são a maioria. 

    Aí, leio as notícias, vejo a violência, os rojões, colegas de trabalho mortos, conhecidos sendo assaltados toda semana... Fraquejo e desanimo.

    Nesse vai e vém entre fé e pessimismo, dia desses, li um texto lindo que Eugênio Mussak escreveu para sua neta, Mia, que acaba de chegar ao mundo. Lindo, de chorar! Sobre essa pergunta que volta e meia me assola, o escritor afirma com toda a certeza que sim, os bons são a maioria! E pede para a neta não duvidar disso nem por um segundo, numa fala mais ou menos assim: “Os bons são a maioria, mas os que ainda-não-são bons fazem um barulho danado. Mas não dê tanta atenção a eles”...

    Isso posto, sinto que o segredo mora aí: não podemos nos deixar levar por essa algazarra alheia. Ela nunca vencerá a perenidade do silêncio. O silêncio que engole qualquer palavra em vão, com toda a calma, placidez e certeza de que sempre vencerá.

    Afinal, só existe o que é amor; e o que não é amor ainda... E eis que a Verdade se faz presente:

    Uma amiga-irmã de caminhada nesta vida, entregou-me uma frase que – puramente intensa – até o momento está sendo realizada em mim. É uma compreensão que soou como aquelas verdades que de tão intrínsecas, são orgânicas. O corpo inteiro sente e sabe que é verdade. Mais que uma citação, soa como uma certeza, uma promessa.

    Direta e reta, essa amiga disparou a seguinte afirmação: “Uma única pessoa agindo com AMOR (com Deus) é a maioria. Sim, verdadeiramente acredito/confio nisso. E em sendo assim, uma única dúzia de seres agindo na condição de co-criadoras da luz,  tem muito mais poder do que um maracanã lotado de pessoas encolhidas pelo medo.”

    Né?

    Para finalizar, essa irmã narra despretensiosamente uma linda passagem bíblica que não soube precisar qual é, mas que com palavras simples traduz, por uma parábola, a mensagem sublime desta Verdade pura:

    “Deus em um determinado momento teria decidido destruir uma cidade inteira por causa da iniquidade que ali dominava. Sabendo disso, um homem, morador da tal cidade, sobe à montanha para orar e pedir a DEUS que tenha piedade e que não destrua a cidade. Então Deus diz a ele: Sim, eu faço um trato contigo...volta na cidade e traga mil pessoas tão justas e piedosas como você. E eu te dou minha palavra que não destruo a cidade. Ao que o homem concordou... e então começa a descer a montanha em direção à cidade onde iria reunir as tais mil pessoas. E, ao descer a montanha, começa mentalmente a pensar nas tais pessoas. E, antes de chegar ao destino, se dá conta que isso é muita gente e que ele não conhece naquela cidade mil pessoas q realmente sejam piedosas, éticas, etc. Concluindo isso, resolve voltar ao encontro de Deus e então diz ao mesmo: Senhor eu pensei melhor. E acho que vai ser difícil encontrar as mil pessoas. Mas, vim aqui pra lhe perguntar: se eu conseguir reunir cem pessoas o Senhor me promete que não destrói a cidade? Deus então responde: Sim, meu filho...traga as 100 pessoas. Novamente, descendo a montanha, ele começa a pensar em quem seriam as tais 100 pessoas e, uma vez mais, chega a conclusão que não terá sucesso. O homem volta novamente para negociar a quantidade de pessoas com Deus. E assim sucede até o momento em que ele chega a três pessoas... E Deus concorda... Só que, mesmo assim, ao escrutinar sua memória sobre todas as pessoas que ele conhece, ele percebe que nem mesmo em sua família existe esse tipo de gente. Então, muito triste, ele volta ao encontro de DEUS e proclama a VERDADE. Deus, me desculpe por tentar dissuadir o Senhor de não destruir a cidade, pois tens razão. A cidade está dominada pelo mal e a única solução é, mesmo, destruí-la. Para sua surpresa... DEUS, NOSSO PAI, dia a ele: A VERDADE É QUE DECIDI QUE NÃO VOU MAIS DESTRUIR A CIDADE. PORQUE, APESAR DE TUDO, AINDA ASSIM, NESTA CIDADE EXISTE UM HOMEM COMO TU. E É JUSTAMENTE POR CAUSA DE TUAS AÇÕES QUE VOU POUPAR TODOS OS OUTROS HABITANTES DESTA CIDADE. TUA FÉ RESGATOU A TODOS OS OUTROS”.

    E minha amiga continua:

    Ou seja, uma só pessoa, agindo com Deus, foi, é e sempre será a maioria. Lembre-se sempre disso! Jamais deixe que qualquer aparência em contrário te contamine e faça com que você perca de vista a luz e o amor que te habita e te anima. Lembrando-se que estamos aqui para fazer parte da solução que se encontra dentro de nós... e não para sermos mais um que é parte do problema.

    Petra, amiga querida, a começar de você, que crê nisso com cada fibra do seu coração, agora sei que – SIM – os bons são a maioria!

    Beijos e graças sempre, por mais esta dádiva em sua companhia!

    Agora, imaginem o que esses seres do bem, conscientes de si, e dessa Maioria com Deus, podem fazer juntos? Só 10% para mudar o mundo... 

    Assistam o vídeo abaixo e sonhem. Sonhem alto! Por que não?


    PS – Marcia, grata por me cutucar nesse tema e fazer eu ter a certeza, finalmente. ☺




    Escrito por Dani Guima às 16h46
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    Abraço à Sombra

     

    Imagem retirada da Internet, com créditos referentes a Rita Loyd

    ABRAÇO À SOMBRA

    Cada um tem seu acompanhante luz

    E seu acompanhante sombra

    É si mesmo multiplicado em reflexos mil nos espelhos da vida.

    A sombra não pode ser calada, silenciada, evitada, mistificada.

    Mas, antes, precisa ser acolhida, carinhada, amada.

    Depois desse sublimar de dores, a sombra está pronta e passa a ser ensinada e transmutada

    Sempre com paciência e devoção.

    Sempre vista, olhada e aceita.

    Aceite-se como um todo.

    Já é hora de as máscaras caírem.

    O conflito vem da dor da sombra...

    Que clama por acolhimento, reconhecimento e validação.

    Não há certo ou errado.

    Há somente o que é AMOR...

    E o que não é amor AINDA...

    Aceite-se.

    Ame-se.

    Sem culpas

    Sem vergonhas

    Sem julgamentos

    E a cura virá.

     

    Música que traduz bem essa proposta:

     

     

    Contrários

    Pe. Fábio de Melo

    (Ouça a música enquanto lê a letra: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=PH2jrSbV-C4#at=97)

     

    Só quem já provou a dor

    Quem sofreu, se amargurou

    Viu a cruz e a vida em tons reais

    Quem no certo procurou

    Mas no errado se perdeu

    Precisou saber recomeçar


    Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar

    Porque encontrou na derrota algum motivo pra lutar

    E assim viu no outono a primavera

    Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer


    Que o verso tem reverso

    Que o direito tem um avesso

    Que o de graça tem seu preço

    Que a vida tem contrários

    E a saudade é um lugar

    Que só chega quem amou

    E o ódio é uma forma tão estranha de amar


    Que o perto tem distâncias

    Que esquerdo tem direito

    Que a resposta tem pergunta

    E o problema solução

    E que o amor começa aqui

    No contrário que há em mim

    E a sombra só existe quando brilha alguma luz.


    Só quem soube duvidar

    Pôde enfim acreditar

    Viu sem ver e amou sem aprisionar

    Quem no pouco se encontrou

    Aprendeu multiplicar

    Descobriu o dom de eternizar


    Só quem perdoou na vida sabe o que é amar

    Porque aprendeu que o amor só é amor

    Se já provou alguma dor

    E assim viu grandeza na miséria

    Descobriu que é no limite

    Que o amor pode nascer



    Escrito por Dani Guima às 00h52
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    Sobre Sentir e Ser


    O pensamento é meio, e não fim

    É veículo, e não estação de chegada

    Muito menos, morada segura

     

    Estar presente em cada pensamento é Ser

    Pensar bem, é ser bem

    Pensar sem amor, é ser sem amor (ainda)

    Porque o amor é inexorável

     

    Podemos sentir bem e ser amor sempre que possível

    Até Ser Amor naturalmente

    Indiferente de como o mundo se apresenta objetivamente

    O que é bom e ruim para um, pode não o ser para outro

    Depende do olhar que olha

     

    Uma doença costuma ser uma sinalização

    Uma comunicação

    Um alerta que desperta

     

    Um desafio se transforma em aprendizado

    Em movimento

    Em novos talentos

     

    Uma dor se mostra como um convite ao novo

    Um basta no que vem sendo o não-Ser 

    Para o encontro com o Ser que se almeja e se sonha

     

    Sentir bem é remédio

    Que nos transporta ao Ser

     

    Escolhemos, pensamos

    Aceitamos e sentimos bem

    Somos

    Eu Sou

     

    Transcender a mente e a razão

    Os medos e a prisão…

     

    Usar os caminhos da mente e do pensar como recursos

    E não nos prendermos a eles

     

    E tão somente sentir e Ser!



    Escrito por Dani Guima às 15h39
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    Da sutileza nas pequenas coisas

    (Por Bia Jardon)

    Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bastante emotiva. No sentido mais óbvio mesmo: é raro o dia em que não fico com os olhos cheios de água pelo menos uma meia dúzia de vezes pelos mais variados motivos. A letra de uma música em que presto atenção no carro. Um diálogo com alguém ou uma dada situação que imagino na cabeça. Uma frase que vejo escrita em algum lugar. Uma tristeza ou um desespero qualquer que me atropela de uma hora pra outra. Sim, também tenho que confessar que propagandas às vezes têm esse poder sobre mim, sem falar que último capítulo de novela é batata.

    Mas o que me arrebentou o coração mesmo outro dia foi ter percebido que, assim que entrou dezembro, minha mãe trocou o galheteiro dela. No lugar do de sempre, feito de vime, passou a estar na mesa um de madeirinha branca com uma árvore de Natal aplicada nele. Bem simplesinho, um galheteiro de Natal. Eu simplesmente não suportei a delicadeza e a esperança desse gesto – mínimo e talvez até distraído da parte de minha mãe. Segurei na hora, mas, voltando do almoço em sua casa, desabei. E me pus a pensar o que ela, minha surrada mãe e suas coisinhas, quiseram dizer, sem saber, com aquilo ali.

    Bom, o que foi dito, se é que algo foi dito, continuo sem saber, mas o que ouvi foi sobre a necessidade de o Natal se encarnar, mesmo assim numa coisa qualquer, até assim numa coisa qualquer. Não por motivos religiosos, porque estes nem todo mundo os tem. Não pelas reuniões familiares, que não deveriam precisar de data certa pra acontecer ou, pelo menos, bem que deveriam acontecer mais que uma vez ao ano.

    O Natal precisa se encarnar porque é um dos poucos momentos em que coletivamente há uma moratória geral pra se sair por aí abestadamente namorando os outros, amando mais bonito, sendo mais compreensível com tudo, perdoando mais, desejando com mais força, abraçando mais apertado, olhando ao redor com mais doçura, querendo mais da vida. Tendo mais esperança. Sendo mais delicado. Como minha mãe e seu galheteiro de Natal.

    Não dá pra deixar passar um tempo desses fingindo que não viu, fingindo que não é com a gente, desculpando-se com a descrença (como coisas do tipo a data ser só uma besta invenção consumista do capeta e ou uma distorção manipuladora da igreja católica) ou com o cansaço e pressa (é impressão minha ou as tradicionais luzinhas das varandas e fachadas diminuíram sensivelmente nos últimos anos?). É mais que perder uma oportunidade; é, meu caro, na minha pequena opinião, deixar um bocadinho de vida ir embora, coisa que, acho, ninguém está podendo se dar ao luxo nesse mundo de cão.

    Natal é o triunfo, ainda que momentâneo, de um algo muito maior que o Papai Noel (claro!) e até que Jesus Cristo (que me desculpem, de antemão, os muito religiosos, mas foi Ele mesmo que disse isso). É a vitória (aparentemente meio boba, meio como quem não quer nada, mas incisiva e muito poderosa) do amor – essa coluna vertebral do ser de todo mundo. Ficar à margem é, como não, assentir com a morte um pouquinho a cada ano ou, no mínimo, abrir mão de uma boa turbinada que se pode dar na vida, a vida significativa, trama de esperanças e delicadezas, como às que me remeteu o aparentemente insignificante galheteiro de Natal de minha mãe, essa mesma mãe que, com essas e outras, fez crescer em mim esses olhos marejados pra enxergar o mundo.

     



    Escrito por Dani Guima às 15h42
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    Por um pouco mais de histeria no mundo...



    Acabei de assistir o filme Histeria. Fitinha divertida e reveladora!

    Algumas pessoas podem assisti-la e não terem a menor ideia do porquê me tocou tão fundo. 

    Explico: nesse mundo cheio de regras para que alguém seja admirado ou aceito, uma pitada de histeria pode ser tudo que uma pessoa precisa para se reconectar com sua fonte interior e verdadeira. E esse filme, justamente, abriu meus olhos para isso.

    A sensibilidade extremada, durante anos, recebeu esse rótulo de histeria, especialmente em mulheres com desejos e vontades abafadas pelas regras da dita sociedade civilizada. Assim, pouco a pouco, tratamentos, remédios, convenções e rótulos foram minando e destituindo de poder a "mulher selvagem", ou o "homem selvagem" que existe em cada uma/um de nós. 

    Quando digo selvagem, o faço no melhor sentido de conexão plena com nosso ser, com nossas verdades, intuições e desejos mais profundos.

    A intensidade do sentir, durante os últimos tempos, tem sido sistematicamente calada em mim. Por uma necessidade, talvez, de "não perder o controle", de "me anestesiar", de ser "socialmente aceita", de me "encaixar nos padrões" e me sentir "segura". Tudo escrito "assim", entre aspas mesmo, pois não passam de ilusão...

    Essa sensibilidade que, durante anos, vem sendo amordaçada, por - de fato - ter alguns efeitos potencialmente devastadores, tem - sim - um lado-luz. E agora estou determinada a resgatá-la. A inventá-la. A criá-la, se preciso for...

    A racionalidade, tão supervalorizada nos dias atuais, vem espremendo o lugar das emoções, confinando-as em um espaço bem pequenininho, discreto e silencioso. Não pode aparecer demais, não pode incomodar demais, não pode chamar tanta atenção e, muito menos, sair do quadradinho-devidamente-prescrito-e-recomendado!

    O sentir que dói, mas que também impulsiona, cura e transforma ficou restrito a uma gaveta de remendos velhos e intraduzíveis, roubados da chance de reluzir o brilho do Sol, jogando luz em partes ainda-obscurecidas do meu ser.

    Era tudo tão intenso, que desejei, por um tempo, parar de sentir. O sentir doía por demais, era difícil de processar, de enlatar, de calar e viver de forma prática. Atuar desse jeito foi bom. Foi confortável. E, confesso, menos cansativo. Porém, paguei um preço bem caro.

    Nesse novo modo, fui parando de viver meu eu, meu desejo, meu fogo e brilho naturais. A vida ficou prática. Apagada. Fria. Inerte. Medida. Fast-food. Opaca. Rasa. Sintomática. 

    Até parei de escrever... 

    Ainda sinto medo de me conectar com toda a minha intensidade. Não sei bem o que fazer com toda ela. Por vezes, é GRANDE demais para mim. GIGANTE ao ponto de me engolir.

    Como fazê-la benéfica, leve, e livre das zonas estéreis das lamentações? Como dar sentido proveitoso e prazeroso à locomotiva das emoções? Como vivê-la a meu favor, de forma saudável e criativa? Como deixá-la me atravessar sem me destruir? Como senti-la com inteireza e gratidão?

    Perguntas sem respostas. E que, mesmo assim, não conseguem mais ficar caladas e sem voz. Perguntas que precisam de um púlpito para se lançarem no ar, se exporem e darem a cara a tapa.

    Que bom abrir as portas para mim mesma novamente, e tornar à casa. 
    Que bom estar de volta...

    Mesmo sem saber ou entender o que me espera no surpreendente jogo do sentir... quero estar em queda livre, livre de tarefas e receitas prontas.



    Escrito por Dani Guima às 12h44
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    A vida é excepcional (Texto de Camila Leão)

    Que coisa linda esse texto da minha amiga Cans. Escreveu em nome de meninos e meninas do abrigo de excepcionais abandonados... Falou lindamente em nome deles. Realmente me emocionou e tocou. Compartilho com vocês:

    Minha vida se resume a um olhar. Através dele capto e emito meus sentimentos e emoções.

    Pois minha alma está presa a um corpo que não é compreendido. Não tem formação e nem informação. Apenas expressa diferença, abandono e rejeição.

     

    Enquanto meu corpo me isola, meus olhos são janelas do meu espírito. Ao sentir sua presença, transmito que também sei amar. Bendito semblante que proclama um misterioso silêncio.

     

    Estou aqui, vivendo de forma excepcional. Por algum motivo sou assim. Talvez para sua missão de doação e gratidão. Quem sabe um convite para vivermos, literalmente, de forma diferente: viva (você) fora do comum e deixe-me viver normalmente.

     

    Para ambos, uma visão desconhecida do mundo. Mas eu não posso nem tentar. Então, tente por mim. Deseje por mim. Lute por mim.

     

    Viva sem reclamar, seja grato pela vida que tem. Mude o modo de enxergá-la. Quem sabe lhe fará bem? Seja simples e faça com amor. Seja positivo e prefira o bom humor. Não é receita, tenha fé que tudo se ajeita.

     

    Pois a vida é excepcional.

     

    By Camila Leão – obrigada por me fazer enxergar além dos meus olhos.

     

    Conheça o AEC – Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia http://abrigodeceilandia.blogspot.com/



    Escrito por Dani Guima às 17h14
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    Batizado de Noah e Theo

    Foi muito comovente o aniversário de 1 ano com batizado dos pequenos Noah e Theo.

    Pedimos a um amigo da Comunhão Espírita de Brasília que fizesse uma oração para o momento. O texto é tão lindo, que faço questão de transcrever abaixo para compartilhar com todos vocês. Quem leu foi a vovó Maria Inês Ribeiro Bastos:

    Boa tarde a todos!

    Queridos irmãos aqui presentes,

    Agradecemos sua presença neste encontro que é tanto uma festa de aniversário, mas também um momento onde solicitamos, juntos, as bênçãos de Deus para Theo e Noah.

    Para os pais e irmã, é uma data igualmente muito especial. O aniversário de seus filhos e irmãos é uma celebração para eles, pois marca a vitória de mais um ano em que todos os seus esforços se concentraram em criar, proteger e educar Noah e Theo.

    É também para os pais uma oportunidade para agradecer a Deus por ter-lhes dado duas estrelinhas que cintilavam lá no infinito, e que agora são carne de suas carnes e sangue de seus sangues.

    Receberam de Deus a maior herança. Não uma herança genética que perpetuará suas descendências e sobrenomes, mas a herança daqueles que os trarão vivos em seus corações, perpetuando suas imagens e esforços em todos os dias que habitarem a morada terrena. Eles serão suas continuidades naquilo que melhor lhes passarem porque toda semente de amor sempre frutificará.

    Como mãe, Daniela, uma noite, provavelmente em desdobramento, aceitou receber em seu útero, Theo e Noah. Desde então, realizou-se nela o maior dom da mulher: ser mãe. Como uma roseira que se impregna de botões, Daniela acolheu em seu ser duas dádivas divinas, como empréstimos de amor, alegria e esperança.

    Como pai, Máximo, também, provavelmente em desdobramento, aceitou receber sob sua guarda Noah e Theo, comprometendo-se a ampará-los, protegê-los e provê-los, na sua função precípua de pai.

    Como irmã, Rafaela, ficou feliz em poder compartilhar com eles o que já aprendeu e continuar aprendendo ainda mais com eles

    Deus teve em Máximo e Daniela dois colaboradores e em Rafaela uma ajudante. Duas obras primas da criação divina estão agora sob a guarda e cuidados de Máximo, Daniela e Rafaela.

    Porém, o mundo apresenta desafios para todos nós. Como escola redentora, a vida terrena povoa nossa existência de constantes processos que nos conduzem ao aprendizado e transformação, tendo como fim último nosso progresso e desenvolvimento plenos na capacidade de amar.

    O caminho é árduo para todos. Por isso, a união é essencial. Nem o Cristo de Deus atuou sozinho, mas cercando-se de doze exemplificou que o trabalho em conjunto é construtor da vida solidária e de obras permanentes.

    Da mesma forma, neste dia, Máximo e Daniela, na condição de pai e mãe de Noah e Theo, e Rafaela, na condição de irmã mais velha, solicitam de todos os presentes uma benção para seus filhos e irmãos hoje particularmente homenageados.

    Convido todos a estenderem suas mãos e dirigi-las para Theo e Noah e juntos, elevemos ao Deus dos universos, pai e criador de todos nós, uma prece, uma benção. Neste dia, lembremo-nos da primeira benção ensinada pelo próprio Deus a Moisés, conforme consta no livro de Números, Capítulo 6, Versículos 24 a 26. Vamos todos juntos repetir:

    “O Senhor te abençoe e te guarde;
    O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti,
     e tenha misericórdia de ti;
    O Senhor sobre ti levante o seu rosto
     e te dê a paz”.

    Noah e Theo, abençoados que são por Deus e por Nosso Senhor Jesus Cristo, que os Espíritos de Luz os acompanhem em todos os dias de suas vidas e que sejam fonte de alegria, esperança, conforto e paz para seus pais, sua família, seus amigos e sua comunidade.

    Que no estudo e no aprendizado, burilem suas almas à luz da experiência e do conhecimento daqueles que nos antecederam na marcha evolutiva.

    Que no trabalho ganhem o pão de cada dia e que no exercício de suas profissões realizem-se como profissionais e como missionários do bem.

    Que no amor, tenham lares abençoados de filhos que lhes serão abrigo e sustentação nos dias avançados da velhice.

    Que na ética, no bem, no amor, na caridade, construam seus valores e transcendendo todo e qualquer sectarismo religioso sejam, antes de tudo, homens que reflitam a alegria de Deus em ver trabalhadores fiéis seus transformando o mundo em um lar melhor.

    Que sejam igualmente a esperança dos pobres, injustiçados e desvalidos, que esperam de homens feitos à imagem e semelhança do Criador, ações voltadas à construção na terra de uma vida justa, digna e fraterna.

    Deus é deus de vivos e não de mortos. Vivos e livres somos todos porque o amor nos criou, sustenta e ampara. O mesmo amor que nos deu Jesus e seu Evangelho proclamando a glória da vida.

    Que o Deus de Amor, e seu Filho amado os abençoe mais uma vez!

    Sejam bem-vindos entre nós, Theo e Noah e contem com todos nós, com nosso apoio e solidariedade, pois, mais uma vez, nossa amizade nos une em uma forte corrente de fraternidade que a cada dia nos torna uma só família.

    Hoje à noite, quando orarmos e dissermos “Pai Nosso”. Lembremo-nos particularmente de Noah e Theo. Pois ao dizermos Pai Nosso, proclamamos que temos um pai em comum, um pai de todos nós. E esta verdade nos faz irmãos.

    Agradecemos, de coração, a presença de todos neste ato de acolhida de Theo e Noah ao nosso mundo e às nossas vidas.

    Noah, sendo batizado com os padrinhos Jens Schriver e Fernanda Carvalho

    Theo, sendo batizado com os padrinhos Fábio Teixeira e Eleonora Bastos



    Escrito por Dani Guima às 16h06
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    Obama, Osama... a consoante ainda faz tanta diferença?

    Vamos ler, vamos pensar. A morte de Osama, mandada por Obama, é uma reflexão para todos nós.

    Hoje me deparei com uma frase do Martin Luther King, que abrandou todo o meu desconforto diante do que li e ouvi sobre esse tema.

    "I mourn the loss of thousands of precious lives, but I will not rejoice in the death of one, not even an enemy. Returning hate for hate multiplies hate, adding deeper darkness to a night already devoid of stars. Darkness cannot drive out darkness: only light can do that. Hate cannot drive out hate: only love can do that" (Martin Luther King)

    Em português, é mais ou menos isso: "Eu lamento a perda de milhares de vidas preciosas, mas não vou me alegrar pela morte de alguém, nem mesmo de um inimigo. Responder ódio com ódio multiplica o ódio, adicionando ainda mais escuridão a uma noite já desprovida de estrelas. Escuridão não expulsa escuridão: só a luz pode fazê-lo. Ódio não explusa ódio: só amor pode fazer isso". (Martin Luther King)

    Lindo, né?


    A reflexão do articulista da Folha,
    Hélio Schwartsman, também vai pelo mesmo rumo. Vale ler até o fim.

    Bjs, Dani Guima.



     
    05/05/2011 - 07h00

    O fim de Bin Laden

    Quanto mais leio sobre as circunstâncias da morte de Osama bin Laden, menos gosto do conjunto. Até acredito que essa não poderia ter sido uma operação 100% de acordo com o direito internacional. Pedir licença aos paquistaneses, por exemplo, como exigem a boa educação e as leis, teria sido estúpido. É difícil acreditar que o líder terrorista tenha vivido por mais de cinco anos num espalhafatoso complexo ao lado de uma academia militar numa cidade a apenas 50 km da capital sem o beneplácito de gente importante em Islamabad.

    A invasão do espaço aéreo paquistanês desponta, porém, como o menor dos pecados da investida norte-americana. À medida que os dias passam, vão surgindo também suspeitas de que parte das informações que levaram à localização de Bin Laden foram obtidas mediante tortura e, mais importante, ninguém em Washington deu ainda uma explicação razoável para o fato de o homem ter sido morto em vez de capturado e julgado. Custa crer que os Seals, uma das unidades militares mais bem treinadas e equipadas do mundo, não tenham sido capazes de fazer prisioneiro um franzino paciente renal crônico que se encontrava desarmado no momento do ataque. Que resistência sobre-humana ele pode ter oferecido? Convidado a vestir as algemas ele disse "não"?

    Não sou dado a teorias conspiratórias. De um modo geral, sempre que ouço a palavra "complô", fico tentado a chamar um psiquiatra. Mas parece difícil aqui afastar a hipótese de que os Seals foram despachados por Barack Obama com a missão de matar Osama bin Laden. O "cui prodest" (a quem beneficia) não poderia ser mais eloquente. A aprovação ao presidente norte-americano, que tentará a reeleição no ano que vem, deu um salto de 11% percentuais, batendo em 57%, contra 46% no mês passado, de acordo com levantamento do Pew Research Center divulgado ontem. Ainda mais significativo, os analistas são mais ou menos unânimes em afirmar que o efeito na popularidade tende a ser duradouro, porque resolve um problema de imagem de Obama. Ele, a exemplo de outros mandatários do Partido Democrata, era visto como um líder pouco decidido em questões de política externa, o que poderia representar um risco para a segurança dos EUA. Ser o responsável pela morte do arquiteto do 11 de Setembro muda tudo.

    Um espírito de porco poderia argumentar que o presidente colheria mais ou menos o mesmo benefício se Bin Laden tivesse sido capturado. Na verdade, poderia até ganhar mais, se o líder terrorista fosse julgado e condenado à morte umas duas ou três semanas antes da eleição. Pode ser, mas essa é uma aposta arriscada. Julgá-lo publicamente (e não em cortes militares secretas) envolve muitas incógnitas. Os EUA teriam, por exemplo, de colocar à disposição da defesa informações que poderiam comprometer seu aparato de segurança no exterior. Um tribunal isento não aceitaria provas obtidas ilicitamente, o que inclui informações arrancadas em sessões de tortura. Ainda pior, Bin Laden teria um palco para falar dos bons e velhos tempos em que ele recebeu apoio da CIA para lutar contra os soviéticos no Afeganistão. Não é algo que afete Obama diretamente, mas não podemos esquecer que também estão em jogo aqui os interesses da comunidade de segurança norte-americana.

    Deixemos, porém, as análises políticas para os especialistas e nos concentremos nos paradoxos das sociedades ditas civilizadas. Poucas mortes foram tão celebradas quanto a de Bin Laden. No discurso em que anunciou a operação, Obama foi peremptório: "justiça foi feita". Os tabloides norte-americanos foram ainda menos circunspectos. O "Daily News", por exemplo, manchetou: "Apodreça no inferno".

    Aliados tradicionais dos EUA foram na mesma toada do presidente. Até o normalmente comedido Conselho de Segurança das Nações Unidas classificou a ação como "avanço crucial". Nem o Itamaraty, que até há pouco flertava com Ahmadinejad e outros radicais islâmicos, escapou. O chanceler Antônio Patriota considerou positiva a morte do líder terrorista.

    Exceto pelos partidários de Bin Laden, o consenso parece ser o de que ele mereceu o seu destino. Mas o que significa "merecer"?

    Para tentar responder a essa pergunta, precisamos distinguir duas concepções de Direito das quais derivam os mais diferentes "blends" filosóficos.

    A primeira e mais antiga é conhecida como lei de talião. É o famoso "olho por olho, dente por dente" do Antigo Testamento. Tecnicamente, leva o nome de justiça retributiva. Não difere muito da vingança. Aplica-se a pena porque o réu a "merece". Essa noção de merecimento, é claro, só faz sentido quando dispomos de um Deus ou alguma outra entidade metafísica que sustente uma ideia de Justiça perigosamente platônica.

    O conceito de justiça retributiva começou a ser questionado no século 18, especialmente por Cesare Beccaria (1738-1794) e Jeremy Bentham (1748-1832). A partir do século 19 foi ganhando força a noção utilitarista de que a pena tem como objetivo, não a punição pela punição, mas a manutenção da ordem pública. O criminoso deve sofrer uma sanção para não voltar a delinquir e também para desencorajar outras pessoas a imitá-lo. Daí a necessidade de julgamentos públicos e de algum modo ritualizados --o famoso "due process of law" (devido processo legal). A pena já não precisa ser tão "cruel" como a ofensa que pretende coibir. É a certeza da punição e não a dureza de castigo que serve de freio à criminalidade, apregoava Beccaria.

    Hoje é difícil sustentar, no mundo civilizado, a concepção puramente retributiva. Por razões que não cabe aqui comentar, os sistemas legais do Ocidente foram deixando de fazer referência a Deus e procuraram fundar-se como positivos. A notável exceção são os EUA, o único país industrializado que de fato aplica a pena de morte.

    Eu, como um bom liberal, fico tentado a adotar um sistema puramente utilitarista, baseado unicamente na razão. Só iriam para a cadeia pessoas que representassem uma ameaça física à sociedade. Todos os demais sofreriam punições pecuniárias ou de prestação de serviços. Até aqui, muitos juristas de carne e osso me acompanham. Mas, se vamos seguir a trilha verdadeiramente racionalista, precisamos ir além. Mesmo um ditador genocida, como Adolf Hitler ou Saddam Hussein, teriam de ser poupados da forca e até mesmo da cadeia. É que, do ponto de vista utilitário, não ganhamos nada ao executá-los ou prendê-los, visto que, uma vez depostos, não teriam mais os meios materiais para voltar a cometer os crimes de que os acusamos. Até como exemplo sua punição tende a ter alcance limitado. Nenhum candidato a déspota deixa de converter-se num tirano por temor ao castigo.

    E esse não é o único problema. Se levarmos a lógica utilitarista ao extremo, precisaremos considerar "válido" conter a ação de criminosos ameaçando seus familiares, por exemplo. Fica difícil defender essas coisas.

    Gostemos ou não, o fato é que a biologia dotou cada um de nós de um senso de justiça, que precisa ser aplacado. E esse senso jurídico comum caminha perigosamente perto da boa e velha vingança. Um direito positivo utilitarista inteiramente divorciado de nossos impulsos naturais tende a ser rejeitado pela população, como uma Justiça que não faz justiça. E isso, evidentemente, o torna inútil como sistema de prevenção de delitos.

    Por mais liberais que sejamos, precisamos fazer algumas concessões à natureza humana, que, especialmente em casos emblemáticos como o de Osama bin Laden, clama pelo "olho por olho". Cuidado, não estou aqui justificando o que parece ser a decisão de Obama de mandar matar o terrorista saudita. Fazer concessões não implica capitular. Apesar de o senso jurídico comum flertar permanentemente com a lei de talião, ele pode, dentro de certos limites, ser modificado pela cultura. Menos de 200 anos atrás, a pena cabível para um ladrão de cavalos no velho oeste americano era a forca --e ninguém discutia. Hoje, acho que nem os texanos vão tão longe. Duvido que roubar um cavalo por lá renda mais do que 30 anos.

    Brincadeiras à parte, receio que Barack Obama, que foi professor de Direito Constitucional na prestigiosa Universidade de Chicago, embora tenha dado um passo importante para a reeleição, desperdiçou uma excelente oportunidade de civilizar um pouco mais os EUA e o mundo. Acho que, no caso específico de Bin Laden, a prisão e o julgamento, apesar de todas as incertezas, representariam melhor serviço à Justiça do que a morte em circunstâncias pouco convincentes. Nunca é demais lembrar que a diferença fundamental entre o poder do Estado e o do gângster ou terrorista é que o primeiro é legitimado e limitado pela lei, enquanto o segundo se funda apenas na vontade do chefe. Ao que tudo indica, estamos diante da versão obamista do "esqueçam o que escrevi".

    Hélio Schwartsman

    Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.



    Escrito por Dani Guima às 14h04
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    A ditadura filial

     

    Quando nascem, as crianças têm seus pais como provedores de tudo – de comida, carinho, conforto, cuidados. Passam os anos, a independência chega a conta-gotas, mas de forma definitiva. Aprendem a falar, a ir ao banheiro sozinhas, a tomar banho, a ler, a se comunicar com o mundo. Chega a adolescência, a faculdade, o trabalho: viram adultos. Durante esse período, os pais fizeram tudo que podem, tanto do ponto de vista material, quanto emocional.

     

    Acostumados a isso, os filhos não compreendem que esse papel de tutores que os pais cumprem tem um começo, um meio e um fim. O título de parentesco, é claro, será referência sempre mantida com muito carinho. Porém, um ser humano que realmente deseja evoluir, se emancipar e se responsabilizar pelos próprios atos, precisa ir além e perceber que – chegadas a emancipação e a maturidade – os pais, os tutores disponíveis de toda hora, tornam-se companheiros, irmãos na jornada da vida.

     

    Ontem, ao ler uma página do livro “Nosso Lar”, encontrei frase ressonante que diz: “Na Terra, quase sempre, as mães não passam de escravas, no conceito dos filhos. Raros lhes entendem a dedicação antes de as perder”. Quando temos nossos próprios filhos, conseguimos compreender essa afirmativa numa outra dimensão. Costumamos projetar e esperar de nossos pais tanta perfeição, tanta presença, lançar sobre eles tantas expectativas que, alguém com um olhar mais atento poderia rotular esse processo facilmente de “ditadura filial”. Mas, quando enfim somos nós próprios os pais, vivenciamos o outro lado da moeda de passarmos a ser idealizados, exigidos e cobrados. Por muitos anos, essa postura se justifica dadas as necessidades da infância e da adolescência. Mas não se justifica para sempre. Não mesmo.

     

    Queremos fazer o melhor pelos nossos filhos sempre, mas nos deparamos com nossa humanidade, com o cansaço e as tantas impossibilidades de agir e sentir da forma que gostaríamos. Aí, nessas horas, redimensionamos todas as expectativas idealistas que tínhamos sobre nossos pais, os humanizamos e os percebemos como mais um de nós – simplesmente um ser que está nesse planeta tal e qual qualquer pessoa com a finalidade de experimentar, acertar, errar, cair, levantar, enfim, aprender.

     

    Alguns estudiosos dizem que levamos quatro ciclos de sete anos para rompermos, em definitivo, o cordão umbilical. A cada sete anos, uma nova emancipação e, aos 28 anos, a liberação final. A começar desse momento, estamos lado a lado de nossos pais, e não mais sob seu comando. Digo isso, claro, em circunstâncias gerais, normais, deixando de lado os casos em que inversões acontecem, ou que pais e filhos se apegam aos seus papeis e mantêm o laço por longos anos a fio.

     

    Quando conseguimos, finalmente, compreender a irmandade humana, e encaixar nossos pais nessa turma, ocorre alquimia das mais interessantes. As expectativas caem por terra e, junto com elas, todas as frustrações, os desagrados, os abandonos, os medos, as projeções infundadas. Vamos além: aceitamos as impossibilidades dos pais e suas falhas. Entendemos que fizeram o que deram conta. Enxergá-los como aprendizes nesse planeta, tais como somos, é liberação altamente capacitante, uma vez que nos coloca no nosso lugar de poder.

     

    Como diz o livro, essa compreensão é para poucos. Afinal, muitas vezes é mais fácil, mais cômodo deixar nossas vidas, responsabilidades e pesos das decisões nas mãos dos outros. Ainda mais quando temos à nossa disposição, a justificativa prá-lá-de-batida de serem poderes de propriedade dos nossos pais, aqueles que nos deram a vida e a quem devemos tanto.

     

    Devemos sim, claro: muita gratidão, respeito e reconhecimento. Nada mais! O poder de fazer nossa vida, de escrever as páginas do nosso livro deve ser só nosso a certa altura da existência. Isso só faz bem. Não é uma perda, nem de um lado nem de outro. Mas, antes, um processo de aprendizado e amadurecimento absolutamente necessário para os filhos. E um movimento de liberação e leveza para os pais. Um processo, por assim dizer, muito belo e curativo.

     

    Daniela Guima, mulher, jornalista, casada com Máximo há 10 anos, mãe de Rafaela e dos gêmeos Noah e Theo. Filha de Elce e Albano, a quem deseja liberar de suas expectativas ditatoriais mais do que nunca, procurando reconhecê-los atualmente como seus irmãos, que têm suas histórias, desafios e limitações próprias, e que não lhe devem mais nada. Sem jamais esquecer, é claro, toda a gratidão que sente por eles terem lhe dado a vida, e sido seus tutores nos primeiros anos de sua existência na Terra.



    Escrito por Dani Guima às 17h11
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    Solitude, de novo

    Nesse momento em que me sinto sem base
    Só e no papel da plena vítima
    Lambendo o chão das minhas quedas
    Cega para a luz que Eu Sou, que me rodeia
    O que me salva? O que me norteia?

    Solitude
    Somente ela me coloca no centro de novo
    É como retorno para meu lugar
    Depois de longo passeio por tudo aquilo que não sou

    Distraída por tantos estímulos externos
    Tantos chamados, tanta tensa-ocupação
    Vem solitude, me guiar pra dentro de mim

    Sem pai nem mãe
    Com medo, à deriva
    Só você, solitude, me encontra de novo

    Essa música dá voz a tudo que sinto na minha alma nesse exato momento: necessidade plena e intensa de vivenciar a solitude.

    SE EU QUISER FALAR COM DEUS
    (Gilberto Gil – 1980)

    Se eu quiser falar com Deus
    Tenho que ficar a sós
    Tenho que apagar a luz
    Tenho que calar a voz
    Tenho que encontrar a paz
    Tenho que folgar os nós
    Dos sapatos, da gravata
    Dos desejos, dos receios
    Tenho que esquecer a data
    Tenho que perder a conta
    Tenho que ter mãos vazias
    Ter a alma e o corpo nus
    Se eu quiser falar com Deus
    Tenho que aceitar a dor
    Tenho que comer o pão
    Que o diabo amassou
    Tenho que virar um cão
    Tenho que lamber o chão
    Dos palácios, dos castelos
    Suntuosos do meu sonho
    Tenho que me ver tristonho
    Tenho que me achar medonho
    E apesar de um mal tamanho
    Alegrar meu coração
    Se eu quiser falar com Deus
    Tenho que me aventurar
    Tenho que subir aos céus
    Sem cordas pra segurar
    Tenho que dizer adeus
    Dar as costas, caminhar
    Decidido, pela estrada
    Que ao findar vai dar em nada
    Nada, nada, nada, nada
    Nada, nada, nada, nada
    Nada, nada, nada, nada
    Do que eu pensava encontrar

    http://www.youtube.com/watch?v=cw2htOGZO1Q



    Escrito por Dani Guima às 16h36
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    Reflexões sobre Edward Bach e carta escrita por ele em Marlow, em 1933 (Parte 2)

    Reflexão sobre o medo da morte:

     

    “A vida na Terra é apenas uma gota de escuridão em comparação com a vida espiritual e nela a verdade raramente pode ser vista. É como um pintinho dentro do ovo que se orgulha de si mesmo, que se acha tão importante que se recusa a quebrar a casca e sair. Prefere morrer em sua escuridão. Há um medo tão grande de perder a individualidade que impede o homem de aceitar a verdade espiritual, mas, como o pintinho na casa do ovo, ele não se perderá ao caminhar para o mundo da luz.

     

    O mundo hoje está cheio de pessoas que temem quebrar a casca de auto-importância, permanecendo, assim, prisioneiros em seu pequeno mundo. O medo de perder a personalidade está por trás disso e impede o crescimento, a obtenção do verdadeiro conhecimento. (...)

     

    Exatamente como nos foram mostradas as razões da doença e ervas divinamente fornecidas para corrigir nossas falhas e curar nossos corpos, é necessário agora que aprendamos como mostrar às pessoas porque têm medo e o remédio que se encontra dentro delas mesmas capaz de sobrepujar o medo.

     

    A doença física é uma coisa material; o medo é mental. A primeira pode ser tratada por meios físicos de ordem bastante superior (como florais, por exemplo). E, da mesma forma que as ervas têm um poder exaltador sobre o corpo e a mente, a cura seguinte prepara a mente para a união espiritual e o governo consciente da vida através da Divindade interior.

     

    Essecialmente a origem da doença física está na avidez e a da doença mental está no medo. Este não é o reino da fé, da esperança e da dúvida. É o Reino da CERTEZA. Tempo e espaço não têm qualquer importância”.

     

    POR QUE ESSE TRECHO MEXEU COMIGO – Recentemente passei por uma situação extrema de risco de morte.  Não achava que tinha sido isso tudo até dois médicos diferentes terem dito que “escapei por pouco”. Isso aconteceu em fevereiro deste ano, numa gravidez tubária que me causou uma hemorragia interna intensa. Perdi um bebê e uma trompa. Estava grávida de trigêmeos, sem tratamento (sim, a gravidez de trigêmeos foi espontânea) e, agora, estou no sexto mês de gestação de gêmeos, dois meninos: o Théo e o Noah. Sem mais detalhes sobre a lama e o drama do processo todo, isso mexeu muito comigo. Mas não de um jeito tão bacana assim. A única parte boa de tudo isso, foi a sensação enorme de gratidão por ter sobrevivido, ainda mais, cheia de vida, com dois rapazinhos teimosos que insistiram em colar de novo no meu ventre.

     

    De resto, eu fiquei muito, muito tensa. Com muito, muito medo. Cheia de minhocas na cabeça. Caí mesmo, tremia quando lembrava do hospital. Questionei a minha fé – que considerava super forte – mas que, na hora do vamos ver, compareceu ‘meia-bomba-total’... Até ler esse texto acima do amigo Bach, eu não tinha conseguido entender o que estava acontecendo comigo, com minhas emoções. Agora, essa chavinha virou, sabe? A ficha caiu e encaixou fundo em mim, e o motivo de escrever esse mega-texto é para me reorganizar e dar um novo sentido a esse processo todo.

     

    Basicamente, no minuto antes de apagar da anestesia geral, olhei pro médico e pensei: “Será que esse é o último rosto que vou ver? Será que vou acordar depois?”. E confrontei o fato de que a minha fé tinha caído por terra, acho que porque nunca me convenci realmente sobre existirem outras vidas ou não. Nunca descartei a crença em reencarnações, mas nunca consegui falar delas como uma verdade final.

     

    Depois de encarar essa baixa na minha fé, me questionei: existe alguma verdade em que acredito 1000%, com todo o meu ser, naturalmente, plenamente, de forma orgânica e incontestável? Eu, que me via como um ser cheio de fé, descobri que verdadeiramente só creio em duas coisas! Isso foi, no mínimo, desconcertante!

     

    A primeira é a crença na Unidade, no EU SOU, no Somos Um. Sempre acreditei nisso, e não é da boca para fora. Vivo isso diariamente. Sei que quando faço mal a alguém, estou, na verdade, fazendo mal para mim mesma. Quando dou uma força para alguém, sei que esse ato me abraça da mesma forma. Tenho certeza plena disso, não me pergunte por que. Sempre tive um senso de justiça muito grande, desde criança, e me identificava muito com as pessoas e suas histórias, como se fossem minhas, como se fôssemos uma pessoa só. É fato que tais identificações me trouxeram muitos problemas e, ainda bem, estão melhor significadas hoje em dia. Mais tarde, essa crença evoluiu para a tese da “lei do retorno”: o que quer que eu faça, volta rápido para mim. Aos 20 anos, tatuei nas costas o Ohm, que significa Unidade, o Somos Um, no meu ombro direito (foto abaixo). Hoje, aos 32, essa sensação é clara e límpida. E tive a grata felicidade de descobrir que Bach é do meu time e concorda comigo: em todos os seus escritos, ele refere-se firmemente e repetidamente à sua crença intensa na Unidade.

     

     

    A segunda crença que tenho totalmente impregnada em mim é sobre o amor ensinado por Jesus Cristo. E olha que nem sei se Ele realmente existiu ou não. Sinto que sim, mas não fecho questão nisso. Porém, quando leio passagens sobre Ele e seus ensinamentos (seja na Bíblia ou no Livro de Urântia) sinto meu corpo todo reverberar em uníssono com todos aqueles conceitos. O amor proclamado por Ele, a sua história – seja real ou invenção – falam ao meu ser plenamente. Para mim, é inquestionável. É líquido e certo.

     

    Ao ler esse trecho acima escrito pelo Dr. Bach, descobri, que para além de diversos temores menores que cercaram o momento de medo que senti (do tipo, “como vão ficar meu marido e minha filha?”, “não vou vê-la crescer”, entre vários outros pontos angustiantes), o medo fundamental, maior de todos, é justamente o de perder a minha individualidade, minha personalidade – em última instância, o meu ego que engloba todas as coisas dessa existência: quem sou eu, o que gosto de fazer, meus relacionamentos, meus apegos. Esse medo implica em ingressar novamente na Unidade (da qual nunca saí), mas em outro formato – ironicamente, senti medo de vivenciar uma das coisas que mais amo e admiro: justamente aquele conceito em que acredito na minha pele, de forma intensa, orgânica.

     

    O pavor que permeou esse acontecimento na minha vida e que vinha se instalando no meu dia-a-dia, sorrateiramente desde então, foi trazido às claras: o medo que sinto de morrer é o medo de perder minha personalidade, meu ego e me integrar e entregar à Unidade, sem interessar o formato como isso acontece – seja em reencarnações, seja virando poerinha cósmica. O que vivemos agora é nada se comparado à realidade maior do Universo e da Unidade. A vida é aprendizado, o resto é apego, ego, ilusão. Pensar no formato como a passagem se dá me angustia muito mais. Ao invés de pensar se eu acordaria depois (embora isso seja super compreensível), quero acalentar meu coração vibrando nessa verdade de estar e continuar na Unidade, mesmo depois do corpo físico morrer. A crença na Unidade me acalenta. Pensar no formato como isso acontece, me perturba. Então, quero focar na essência dessa crença, e não nos seus desdobramentos... isso me trouxe, finalmente, paz. E uma alegria imensa de estar viva, experenciando e aprendendo nesse Planeta-Escola.

     

    Valeu, Dr. Bach! Valeu, Vida, por essa nova chance!

     

    Sobre como agir e alcançar a iluminação com naturalidade:

     

    “Empenhe-se e não perca a oportunidade de aprender que você pode ser capaz de ajudar os outros, pois, após ter se empenhado e ficado atento ao mundo, nos momentos de silêncio de dentro de si mesmo virá a resposta para o seu problema.

     

    Você só resolve suas dificuldades no mundo após estudar o que está ao seu redor e pensar calma e cuidadosamente, preparando-se para a iluminação que provém do interior. O conhecimento buscado por alguém para ajudar os outros dá em troca, por assim dizer, o direito a esse conhecimento e, enquanto estiver no mundo, você deve muito tranquilamente perseverar, buscar e empenhar-se sem descanso.

     

    O conhecimento interior lhe chegará sem esforço em momentos inesperados de paz ou repouso ou quando a mente estiver voltada para outras coisas. ‘Buscai e acharás’”.

     

    POR QUE ESSE TRECHO MEXEU COMIGO – Dentro da crença da Unidade, o serviço faz absoluto sentido. Quando faço por alguém, faço por mim, faço por nós, faço pelo Eu Sou. E isso cala fundo no meu coração.

     

    Uma bênção esse texto!

     

    Valeu de novo, Dr. Bach! :D

     



    Escrito por Dani Guima às 19h06
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    Reflexões sobre Edward Bach e carta escrita por ele em Marlow, em 1933 (Parte 1)

     

    Há alguns anos tenho feito um trabalho de autoconhecimento e auto-análise por meio do uso de Florais de Bach. O princípio desses compostos é simples: o médico inglês e herbalista, Edward Bach, encontrou 38 flores que portam vibrações que transmutam diversos estados emocionais. A ideia não é combater um mal, como o ódio, por exemplo. Mas, sim, “inundar” o ser da pessoa com a vibração oposta, nesse caso, amor incondicional, até que essa nova vibração se faça tão presente que o ódio não tenha mais lugar para atuar. Afinal, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.

     

    Os resultados têm sido muito bons para mim. Tenho me sentido mais segura de quem sou, do que quero fazer, de como gosto de viver. Aprendi a definir limites, de forma calma e amorosa (não desde o começo, mas, com o tempo, isso veio). Estou mais corajosa. Menos demandante. Menos controladora e mandona, enfim... sinto-me melhor e mais consciente de quem sou.

     

    Gostei tanto dos florais de Bach, que comecei a estudá-los a sério este ano. Tenho uma série programada de mais de 20 livros para ler, orientada pela minha terapeuta floral, Regina Maris, e já estou no quinto deles. A cada novo livro, fico mais animada. Torço para manter esse interesse todo depois de os meninos nascerem em setembro. Até lá, vivo um dia de cada vez, um livro de cada vez, e vejo se a empolgação permanece para prosseguir nesse estudo. O último livro, no entanto, foi o que mais me encantou e que está disponível na biblioteca do Google, de graça, no link a seguir: Terapia Floral – Escritos Selecionados de Edward Bach.

     

     

    O livro compila vários textos de Bach, entre eles, um que mexeu muito comigo, que não tem título, mas somente a referência: Marlow, 1933. Cidade e ano em que foi escrito. Abaixo, destaco as partes que mais mexeram comigo:

     

    Sobre vaidade espiritual e o perigo de esforçar-se demais para evoluir:

     

    Fundamentalmente, a falha terrena é o desejo por coisas materiais; um grande perigo nos céus é a avidez e o desejo muito grande por coisas espirituais. E do mesmo modo que esse desejo terreno pode dificultar a elevação da alma, na vida espiritual a humildade e o serviço são mais necessários do que o desejo de perfeição.

     

    O desejo de ser bom, o desejo de ser Deus, pode se constituir em um obstáculo tão grande na vida espiritual quanto o desejo pelo ouro ou pelo poder na vida terrestre. Quanto mais se avança, maior deve ser a humildade, a paciência e o desejo de servir. (...)

     

    O obstáculo ao avanço espiritual é o desejo de progredir. No Reino Espiritual, o que importa é o ‘ser’ e não a ‘aspiração’: o ‘ser’ traz seu próprio prêmio. Isso não se refere apenas a esta vida, mas àqueles que buscam o mundo espiritual. Não deve haver desejo de ser o melhor, nenhum desejo de progresso ou perfeição e sim, humildemente, contentar-se em estar em algum nível de serviço até ser chamado para um mais elevado. Neste reino não progredimos através de esforços. Simplesmente devemos esperar até que nos julguem merecedores.

     

    A única maneira de se alcançar o merecimento é a realização do serviço impessoal, não pela promoção espiritual, mas apenas pelo desejo de servir.”

     

    POR QUE ESSE TRECHO MEXEU COMIGO – 1) Como sempre fui apaixonada pelos temas da espiritualidade, já passei por fases de fazer pouco daqueles que não se conectam tanto com o assunto. Ou que ligam demais para a materialidade. Estou sendo bem sincera: eu nunca externava isso, mas me sentia superior por prezar mais as questões do ‘ser’ do que as questões do ‘ter’. Uma vez, ouvi que “a vaidade espiritual é a mais perigosa de todas”. Não sei se dá para comparar uma com a outra (no caso, a material seja do corpo ou dos pertences), mas eu já tinha atentado para esse tema até a confirmação final que senti ecoar em mim quando li esse texto. Aí, lembrei de outra frase fundamental nesse âmbito: “As above, so below” – “Assim no alto como abaixo”. A vida material não é menos importante que a espiritual – ela apenas se manifesta em outro nível. Não é melhor nem pior.

     

    2) Não adianta ficar medindo ou se esforçando para evoluir espiritualmente. Isso vem de forma natural e, quando a gente menos espera, a nova realidade já é. Não devemos nos comparar ou competir com ninguém. O serviço, o exercício da humildade precisa ser algo fluido, espontâneo, um desejo interno constante. E não uma corrida, uma competição contra si mesmo ou outras pessoas.

     

    Bacana esse Bach, né?



    Escrito por Dani Guima às 19h05
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    Alvoreço contigo, ó Dia

    Alvoreço junto com este alaranjado dia
    A cor favorita entrou pela fresta da cortina
    De uma madrugada insone, à frente do computador...
    À frente de uma noite estrelada de lembranças.

    Delícia.

    Escancaro meu olhar
    Quero ver com o coração
    Toda a força desse amor que pincela a escuridão
    Com matizes de luz, que desvelam flores rosas
    No quadro que se forma a partir dessa janela.

    Delícia.

    Vejo luzes acenderem em outros prédios
    Famílias que, unidas, despertam para um novo dia
    Compartilham o café recém-passado
    Mergulham o pão de sal, com manteiga, em suas canecas e xicaras

    Delícia.

    Fecho os olhos e sorvo o ar frio das manhãs em meus pulmões
    O laranja acende a alegria de minha alma
    Nesse céu de Brasilia, que é pura poesia e encanto
    Meu dia começa assim, entregue ao espanto diante da beleza da vida e do ser.

    Delícia!



    Escrito por Dani Guima às 06h30
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    Sobre relaxar, amar, deixar a vida ser

    Pensando bem
    Medo e angústia, no coração, não têm morada
    Tudo é feito de amor
    Ou, pelo menos, daquilo que
    ainda não é amor

    Pensando bem
    Nao há o que perdoar
    Quando ninguém dá o que não tem
    Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão

    Pensando bem
    Somos todos livres viajantes
    Autores de nossa própria história e sorte
    Vivamos essa aventura, portanto, com alegria, leveza e graça

    Pensando bem
    Sou muito feliz de ser quem sou
    Agradecida de conviver com os que amo
    De aprender com os que me confrontam
    De estar, aqui e agora, nesse grande e constante criar...

    ... da vida.



    Escrito por Dani Guima às 04h29
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    ( ( ( Gratidão ) ) )

     

    Gratidão por estar viva!

    Gratidão por estar tão cheia de vida!

    Gratidão pela vigília e amor constante de Deus, da família, dos amigos!

    Gratidão pelo momento presente!



    Escrito por Dani Guima às 10h15
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    Coragem para brilhar

    Runas, tarô, numerologia, astrologia.
    Mãe, marido, amigos, psicanalista.

    Nos últimos tempos, o recado que o Universo manda para mim tem sido sempre o mesmo: "Brilha, brilha, Danizinha... livre de toda a culpa, brilha, brilha bem lindinha. Orgulhe-se de ser quem é, de ser feliz, de ser bonita, de ser experiente, de ser bem-sucedida, de ser saudável, de ser amada, de ser escolhida, de ser tudo de bom que é"...

    Por que será que demoramos tanto tempo para nos dar o DI-REI-TO de brilhar? De sentar no trono que nos pertence? De nos assumirmos como um grande sucesso?

    Hei! Tô falando com você também... Já parou para pensar nisso?

    ;)



    Escrito por Dani Guima às 16h23
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    A violência nossa de cada dia, a minha e a tua

    Com o tempo e a maturidade, a gente vai tendo coragem de se olhar como é.

    As histórias ao lado, os espelhos que são os filhos, os feedbacks das pessoas que amamos... são muitos os insights que nos levam a perceber que precisamos nos modificar.

    Tenho me sentido estranha, triste, vide post de ontem. E agora sei porque: preciso deixar morrer em mim atitudes antigas, que não se encaixam mais. E o novo assusta. O antigo, apesar de ruim, sempre traz conforto. É terreno conhecido, difícil de desistir.

    Nos últimos tempos venho me deparando com a violência que reside dentro de mim. Violência que muitas vezes se manifesta por meio da falta de paciência, pela sensação de perda de controle, por explosões emocionais desproporcionais numa situação simples. Enfim... preciso mudar. Nesse momento, várias têm sido as bofetadas da vida:

    1) Esses dias comecei a observar minha filha tendo reações semelhantes a mim. Gritando comigo quando está irritada. E eu retrucando, aos gritos: "Pára de gritar, mocinha". Tem nexo isso? Daí, uma grande amiga, a Alessandra, enviou o seguinte vídeo esta semana:

    Também falo aqui das pequenas violências do dia a dia, dos resmungos a um mau serviço num restaurante, os xingamentos no trânsito, a perda de paciência nas relações íntimas, aquela violência nossa de cada dia, comum a mim e a você.

    2) Depois desses insights todos, me pus a trabalhar. Então, relembrei uma história maravilhosa, que replico abaixo, cujo crédito é dado à um sábio índio norte-americano:

    Havia, em uma aldeia indígena, um jovem índio que sempre causava problemas. Era irriquieto, explosivo, sempre metido em brigas e confusões.

    Como aquela era uma aldeia pacífica e os conflitos eram resolvidos por uma espécie de assembléia entre os mais velhos. Então, foi decidido que o rapaz deveria ter uma conversa séria com o velho e sábio conselheiro da tribo.
    Assim decidido, o rapaz foi chamado diante do ancião. O mesmo convidou o rapaz a sentar-se diante dele e passou a fitá-lo calmamente. Depois de alguns minutos, disse:

    - Você está causando muitos problemas à nossa tribo e trazendo-nos muitas preocupações. O que tem para falar em sua defesa?

    O jovem, impaciente, respondeu:

    - Eu sou o que sou! Não consigo mudar!

    O velho índio ficou calado por mais alguns minutos e disse:

    - Apesar da minha idade, também tenho conflitos internos.
    Dentro de mim existem dois cachorros: um deles é cruel e mau, o outro é passivo e muito bom. E os dois estão sempre brigando...

    O jovem índio, intrigado com o que tinha escutado, perguntou:

    - E qual dos dois cachorros, diante de uma disputa, ganharia a briga?

    O sábio índio parou, olhou bondosamente para aquele jovem à sua frente, e respondeu:

    - Aquele que eu alimento!

    3) E para fechar a conversa sem mais muitos lamentos, e sim com muito foco, atenção no momento presente e força para mudar, mando a mensagem de um dos maiores professores que o Planeta-Escola-Terra já teve no tema da Paz - Mahatma Ghandi.

    "Não existe caminho para a paz. A paz é o caminho".

    Bjs, Dani Guima.



    Escrito por Dani Guima às 03h43
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    Toda escolha tem suas perdas

    Quando escolhemos qualquer coisa: a profissão, o casamento, ter filhos ou não. Viajar ou ficar em casa. Casar ou comprar uma bicicleta. Sempre ganhamos muitas coisas, e perdemos tantas outras...

    Hoje estou num dia que estou me sentindo mais perdendo que ganhando.

    Será a TPM?



    Escrito por Dani Guima às 17h33
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    A alegria de ter amigos

    Esse post é sobre gratidão. À vida, à Deus, ao Universo por terem colocado no nosso caminho seres tão fundamentais e indispensáveis em nossa vida: os amigos e amigas!!!

    Estamos de férias em Natal, Rafaela está dodoi ainda, e eu e Kico resolvemos revezar. De manhã eu curto praia, e ele fica com a Rafa. De tarde, ele vai curtir e eu fico com ela.

    Vamos sempre com a Cynthia Garda, amiga querida, ser admirável e muito especial, a quem devo muitos agradecimentos:

    1) Pela pessoa que ela é: sempre autêntica e com uma mensagem de libertação e quebra de paradigmas a cada nova palavra, a cada nova atitude. Atestem isso num dos melhores endereços da blogosfera brasileira: http://blogjobing.wordpress.com/;

    2) Ela me apresentou pro Kico, o Máximo, meu marido e companheiro de vida. Que, por sua vez, tornou-me mãe da Rafaela;

    3) Sempre que a gente conversa, as duas têm uma oportunidade incrível de ser instrumento uma pra outra, e falar as coisas certas na hora certa. Cara, a gente realmente fala a mesma língua, a gente realmente se entende. Então, quando estou com ela, tenho uma sensação de encontro, de completude, em outras palavras, não me sinto só no mundo. Sensação que tenho com pouquíssimas pessoas;

    4) A lucidez e a crueza das palavras de Cynthia, sempre muito calmas e respeitosas, é de desconsertar qualquer um. Graças a Deus hoje tivemos a oportunidade de fazer isso numa longa caminhada a manhã inteirinha, numa praia maravilhosa, de mar aberto e coberta por um lindo céu azul;

    5) Graças a esses papos, algumas importantes fichas caíram, os pontinhos se ligaram e resolvi tomar coragem para resolver duas situações que estavam me angustiando há muito tempo. Uma não posso falar publicamente, a outra eu posso: quero voltar a estudar. :D

    Amiga, valeu por tudo! Te amo.

    Na foto abaixo, Cynthia e eu com roupas iguais, num passeio gelado pelo parque Yosemite, na Califórnia, em outubro de 2008. :D



    Escrito por Dani Guima às 16h13
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    Perda de controle

    Que coisa difícil esse tema. É algo central e recorrente no meu dia a dia: o desconforto que sinto quando perco o controle.

    Vamos viajar de férias hoje, e Rafaela ficou super doente no sábado de madrugada. Em função dos febrões initerruptos, fiquei super tensa e sem dormir - dois ingredientes explosivos para mim.

    Conviver com qualquer pessoa, com certa constância, é colocar à prova, constantemente, o ponto de "como lidar com a perda de controle". Ser casada, é outro grande teste. Ser mãe, então, é evoluir nesse aspecto quase que obrigatoriamente.

    Nem sempre consigo me segurar quando me sinto sem chão, e fico mais brava do que gostaria com aqueles que amo. Especialmente marido e filha. E invariavelmente me arrependo depois e fico com uma mega-ressaca de culpa...

    Quero ver se consigo realmente contar até 10 antes de ter uma explosão, diante de um momento tenso. Socialmente, é mole. O que quero mesmo é conseguir fazer isso com os que estão bem pertinho de mim. Eles merecem, eu também.

    A exposição intensa e a intimidade transformam esse desafio em uma saga. E como não fujo à lida, vamos lá!

    Quero aprender a contar até 10, 100 ou 1000. Alguém me acompanha nessa maratona?

    Bjs, Dani Guima



    Escrito por Dani Guima às 17h34
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    Planeta Escola

    Quero retomar o blog. Eu havia escrito um texto completo sobre o porquê e como fazer isso. Estava lido, relido, revisado. Explicava que os textos longos já não fazem mais sentido - afinal, passou a fase de psicanálise intensa, de auto-análise exaustiva, de precisar colocar em palavras meus sentimentos para, com isso, me curar. Realmente esvaziei esse passado em mim. O texto falava também que a maternidade e a falta de tempo me levaram a deixar o blog de lado. Raramente postava. Mesmo assim, quando o fazia, eram textos de outras pessoas que, na minha percepção, davam voz aos meus sentimentos. Por fim, o post dizia que eu quero voltar a escrever, que estou com saudades, mas que isso precisa acontecer num novo formato. E finalizava, dizendo que, de agora em diante, quero postar pensamentos curtos, sintéticos, rápidos e que relatem as sacadas do meu dia a dia.

    Fotinha inserida, tudo certo, última frase.

    A filhota Rafaela - que hoje está com 2 anos e 7 meses - veio me dar um abraço, bateu as mãozinhas fofas no teclado e apagou o post em que havia trabalhado nos últimos 40 minutos. Como fiz isso direto no gerenciador do blog, o site deu um refresh num texto ainda não-salvo. Enfim, a mocinha apagou T-U-D-O!

    Fervi, ri de nervoso, não descontei na Rafa. Ela, linda e sorridente, sacou que fez besteira, mas me derreteu com o sorriso mais charmoso do mundo. Quando passou a raiva e o frio na barriga, me dei conta: já tenho o primeiro post do projeto Planeta-Escola. Sim, a Terra é uma escola. Para mim, viver é uma grande aventura em busca de aprender e evoluir sempre. Traduzida essa saga, quero tornar-me uma pessoa cada vez mais equilibrada, sensata, entregue, livre, compassiva, alegre e grata.

    Afinal, a vida não tem graça quando tudo está absolutamente sob controle. No meio de uma situação que parece ser uma adversidade, um momento de perda de controle, basta respirar, encarar com bom-humor e agir com uma boa dose de traquejo. Resultado final: a emenda sai melhor do que o soneto!

    Esse post, definitivamente, ficou melhor que o anterior. ;)

    Amor sempre, Dani Guima.



    Escrito por Dani Guima às 17h32
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    Que outro? O outro que não existe!

    Estou ficando cada vez mais fã da Regina Teixeira da Costa (reginacosta@uaivip.com.br). Vejam que belíssimo texto!

    Continuamos vivendo e buscando encontrar uma maneira de nos posicionar de forma perfeita aos olhos do outro e nessa busca nos perdemos

    Algum dia você já esteve intimidado, ameaçado, acuado, culpado diante de alguém? Provavelmente, sim, como quase todas as pessoas. Tudo que significa relacionamento ao mesmo tempo sugere cuidados, pois toda vez que entramos em contato estamos pisando em terreno minado. Nunca se sabe o que virá do outro, nem o juízo que fará sobre nós, nem da impiedade, nem da intolerância, da agressividade da qual podemos ser alvo. E o que talvez seja pior que tudo é não poder desfazer mal-entendidos. E eles sempre estão presentes nos espaços de convivência.

    Motivos nunca hão de faltar. O sujeito é sempre espinhoso. Espinhos sempre estarão espetados na carne para nos lembrar que não estamos aqui apenas para nos divertir. Afinal, quem sabe os porquês de estarmos aqui? Poderíamos aceitar as mais diversas versões religiosas, filosóficas, existenciais como resposta para nossas inquietações e inseguranças, porém, nenhuma resposta cabal vem em nosso auxílio. Enquanto isso, continuamos vivendo e buscando encontrar uma maneira de nos posicionar de forma perfeita aos olhos do outro e nessa busca nos perdemos.

    Desde o início aprendemos a obedecer àqueles que apararam nossa prematuridade. Ai de nós se não existisse esse alguém, seria impossível sobreviver. O problema é que, depois, esse mesmo outro, antes tão necessário, conserva um poder enorme e passamos a vida sofrendo por causa dele.

    Vivemos angustiados imaginando o que pensam sobre o que somos e fazemos. Colocamos projetivamente nas pessoas com as quais convivemos o poder conferido anteriormente àquele primeiro cuidador. Daí pra frente a angústia surge diante do enigma que é este outro. Tentamos captar nos olhares aquilo que é esperado, mas como falta uma resposta definitiva, com medo da reprovação e sua consequência, o abandono, a perda, entramos em parafuso!

    Ao fim de uma análise, atravessamos o medo do que colocamos no “grande outro”. Atribuímos significados próprios ao olhar do outro sobre nós e, assim, quando descobrimos no outro um juízo atributivo inventado e temido, entendemos nossa solidão. E instaurando no outro tamanho poder podemos inclusive culpá-lo, além de temê-lo, terceirizando tudo que é, ou deveria ser, de nossa única e máxima responsabilidade.

    Pode parecer melancólico, mas é libertador saber que ninguém poderá responder à nossa ânsia de acolhimento, a essa nossa demanda de amor, nosso pedido de socorro. Sabendo disso paramos de buscar. Entendemos que não existe nenhum lugar para tal resposta, ninguém a possui. Nunca sabemos o que ocorre do lado do outro, talvez nem mesmo ele saiba e esta é a causa maior de nossa divisão. Somos partidos pela ignorância sobre nós.

    Nem mesmo existe este outro pronto para nos doar seu ser, para nos amparar e evitar assim que caiamos no mais profundo desamparo e até mesmo em devastação. Ainda assim temos alguma esperança e mesmo fé que o outro possa nos completar, até brigamos com nossos próximos quando não somos atendidos, quando nos sentimos desvalorizados, relegados a segundo plano. Quantas vezes vimos casais se desentenderem porque um não disse ou fez o que o outro esperava? São diferenças causando insatisfações, antagonismos indispensáveis devido a posições e opinião e mesmo na igualdade discute-se por dificuldades de expressão.

    Fomos objeto de desejo deste outro original, o que fui e o que sou é alguma coisa que nem mesmo ele sabe. O desejo dele é o primeiro da nossa estrutura, mas nem mesmo ele sabe o que fazer com isso, o que fantasiamos a esse respeito é simples criação a partir desse ponto. Por isso podemos dizer que grande parte de nossa angústia diante do outro é simples projeção do que mais tememos em nós. Isto não quer dizer que o outro não nos importa a partir disso, mas que pode ser relativizado pois seu olho é tão cego quanto as certezas que temos sobre nós.



    Escrito por Dani Guima às 11h38
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    Reflexão instigante

    EM DIA COM A PSICANÁLISE
    Regina Teixeira da Costa *

    Você precisa de alguém

    A letra da música já diz tudo: você precisa de alguém que lhe dê segurança, senão você dança, senão você dança... E não é assim? Não há momentos em que recorremos a amigos, achamos que solteiros estamos infelizes; sofremos, pois o marido não escuta, ninguém nos entende? Recorremos a tratamentos, ioga, ginástica, cursos. Queremos enfim qualquer alça, beirada, para nos agarrarmos como se precisássemos de uma tábua de salvação.

    Estamos tantas vezes com a sensação igual à de Alice no País das Maravilhas, não podemos relaxar, pois acabamos assustadoramente caindo num buraco vertiginoso, chegando numa terra estrangeira e surrealista, com bicho estranho para todo lado e gente esquisita, talvez má, talvez boa.

    Andamos – e não estou falando nem para loucos nem doentes mentais, falo dos “normais” – pelo mundo sem nenhuma garantia de estar indo bem ou mal, numa selva embaraçada de pensamentos, muitas vezes semidelirantes, assim é o nosso imaginário: delirante e assustador. E o pior é que, quando paramos para dar atenção a ele, o medo se transforma num paredão intransponível.

    É o fim da linha: resta-nos a procura de um psiquiatra, de preferência bem biológico, que vá nos ensinar uma psiquiatria cosmética. Nas palavras do psicanalista e psiquiatra Eric Laurent: eis-me aqui, estou meio caído (down), me dope. Há uma falta na natureza, minhas sinapses não funcionam, há visivelmente uma falta, preciso que você a cubra, preciso manter o nível de serotonina... faça uma administração moderna, que me tire de mim, que me ofereça uma solução externa.

    Porém, tudo vai se complicando, pois, se nada quero saber de mim, dificilmente obterei responsabilidades éticas. Isto é, jamais precisarei me haver com minhas verdades, com meus desejos, nunca terei de contrariar meu parceiro com minhas ideias contrárias às esperadas e, com efeito, prefiro me ater aos efeitos e usos cosméticos da medicina moderna. Esta é a oferta lançada aos médicos no mercado dos poderosos laboratórios e que tomou consistência. Que psiquiatra não vive preenchendo formulários sem fim com os resultados dos experimentos de última linha?

    A depressão endógena e, portanto, incurável garantirá pacientes eternamente dependentes e a solução virá da administração de um remédio espetaculoso, que nos fará estabilizados, talvez robotizados para sempre, amém!

    Se for isso o que você quer... é isso o que terá. Todos gozam igual no terreno da ciência: somos cobaias no mundo do gozo pasteurizado, padronizado, edulcorado, e serão malvistos, segregados, rechaçados os diferentes. Porque o mundo está preparado para produzir satisfação, comportamento, diversão em massa, nossos movimentos e ideias são teleguiados. E não se esqueça de sorrir, você pode estar sendo filmado!

    Seja feliz comprando objetos de consumo pelo cartão de crédito de melhores condições. Bastam as comodidades da vida moderna para você se sentir bem, desde que faça, mas não pense. Talvez dê a sorte de tornar-se celebridade instantânea!

    Há porém uma saída ética. Poucos a desejam, lamentavelmente. É a saída da verdade particularíssima de cada um, e que não poderá jamais ser padronizada, nem coordenada por modernos laboratórios que oferecem drogas poderosas aos que desejam se livrar do mal-estar existencial. Ora, é impossível viver sem alguma angústia existencial pelo simples fato de que a única certeza no nosso horizonte é a nossa finitude. Quanto a isso, só nos resta acatar o tempo que temos e fazer dele o melhor.

    Incluo nesse fazer o melhor o dizer particular de cada um, aquilo que consideramos nosso bem e que de fato nos faça contentes, sem nos submeter a ditames que vêm do dizer social ou do outro, nem sempre bem intencionado em relação ao que se deseja obter. Assim sendo, insisto, não como sabedora de uma verdade única que se impõe, pois as verdades são múltiplas assim como as direções que escolhemos. E somente fazendo boas escolhas teremos um futuro e um presente pelo menos satisfatório, com bons momentos que compensem o fato de existir, mas essa é uma questão ética de cada um e nada mais.

    (Crédito como recebi na Internet)



    Escrito por Dani Guima às 14h50
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    Nascer de novo

    Dedico esse post especialmente às minhas amigas que estão tomando grandes e importantes decisões na vida. Elas que...

    - se mudam de continentes, em nome de sua paz e alegria;
    - dizem sim para a felicidade e para novos recomeços;
    - dizem não à uma grande oferta de trabalho, em nome de fazer o que anseiam em seu íntimo;
    - saem de um emprego estável e se lançam na aventura do mundo;
    - topam viver a grande aventura de ser mãe;
    - e aceitam colocar limites para o mundo, em nome de sua integridade.

    Enfim, vocês, amigas-irmãs, mulheres-borboletas que fazem eu me sentir cada dia mais feliz e mais agradecida.

    Mas também dedico a 
    todas as pessoas que têm a coragem de reconhecer que a vida é dinâmica, e se reinventam todos os dias. Com passos firmes. E muita coragem!

    Lá vai:

    BRINCADEIRA SÉRIA

    Faz de conta: você acordou, ligou para o salão e marcou um horário. Na hora do almoço, foi lá e pediu: Corta bem curto. O cabeleireiro não acreditou no que ouvia. Afinal, seus quase cinquenta centímetros de cabelo sempre foram, na sua cabeça (literalmente), uma espécie de atestado da sua feminilidade. Mas agora eles teriam de ser curtos. Para que suas ideias ficassem longas. Ele colocou a mão um pouco abaixo do seu ombro: Mais ou menos aqui? Você segurou a mão dele, levou-a na altura da sua orelha, e disse: Tosa.

    Depois você passou naquela loja onde tem uns vestidos moderninhos e coloridos. Você entrou e pediu aquele cor de laranja com borboletas, muito mais curto do que os que você costuma usar. Aproveitou e pediu a sapatilha da vitrine. Arrancou o seu terninho bege, sua camisa branca e seu escarpim marrom. Deixou tudo por lá mesmo, no provador. E quando a vendedora perguntou o que fazer com aquilo, você disse: Queima.

    Quando você retornou ao trabalho, uma hora depois do horário de costume, com aquele vestidinho e com os cabelos daquele jeito, a roda em torno de você foi se formando. Uns, animadíssimos. Outros, nem tanto. Alguns reprovaram. Como as coisas já não andavam muito bem por ali, sua chefe lhe chamou no final do dia para conversar, e avisou que as coisas não poderiam continuar daquele jeito, ou ela teria que substituir você. E você disse: Substitui.

    Saindo de lá deu vontade de jantar naquele bistrô aonde você acha que só deveria ir no dia do seu aniversário ou outra data importante. Você mal encostou seu carro e já veio o dono da rua, dizendo que eram dez pratas para parar ali. E, como você não deu bola, o homem começou aquela conversinha surrada dizendo, na entrelinha da entrelinha, que um eventual não-pagamento antecipado incorreria em riscos indesejáveis na pintura do seu bólido. Você pegou o celular, digitou três números, mostrou o visor para o homem e, já com o dedo na tecla “ligar”, disse: Risca.

    Faz de conta que você chegou em casa e sua filha de dezessete anos estava na sala com o namorado. Você teve que contar de novo a história daquele vestido e daquele cabelo e, como chovia, sua filha sondou se o rapaz poderia dormir ali. E, enquanto jogava no lixo aquela agendinha que você só usava no trabalho, você disse: Pode.

    Quando se deitou para dormir, aquele anjo que costuma vir conversar com você antes do sono se empoleirou na cabeceira da sua cama. Elogiou o cabelo, o vestido, a decisão no trabalho, o presente de não-aniversário, o chega-pra-lá no dono da rua, a atitude com a filha. Só por curiosidade, perguntou que bicho havia mordido você. E você, se ajeitando no travesseiro e já desligando o abajur, disse: Nenhum.

    No dia seguinte, vendo que eram dez da manhã e você ainda não havia se levantado, sua filha entrou no quarto, vocês conversaram e no final ela perguntou como é que vocês viveriam dali para frente. Com certa ironia, ela arriscou dizer que com as bolsas e os badulaques que você produzia e vendia nos finais de semana é que não seria. E você disse: Sim.

    À tarde, você procurou o dono daquele galpão que você havia visto para alugar, perfeito para uma oficina, e fez uma oferta. O homem coçou a cabeça, pediu um pouquinho mais, e você disse: Fechado.

    À noitinha, você foi até a casa dos seus avós, assim, de surpresa. E, de surpresa, você os beijou. E quando eles perguntaram o que era aquilo, você disse: Amor.

    Faz de conta que foi assim. Faz de conta que foi desse jeito que você virou a mesa. Que resolveu não perder mais tempo, fazer o que gosta e ser do jeito que você, só você, acha que fica mais bonita.

    Faz de conta que você morreu. E que alguém lhe deu a oportunidade de voltar para um terceiro tempo.

    Então. Agora vai lá e faz tudo de verdade.

     

    (Por Silmara Franco - Blog: http://fiodameada.wordpress.com/2009/07/22/brincadeira-seria/)



    Escrito por Dani Guima às 17h24
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    Tempo e evolução

    Deixe passar o momento ruim, pois nada é para sempre. Confie na vida, pois o que ela traz também leva e pune aqueles que se comportam de modo contrário à lei do Amor! A consciência, a voz de Deus em cada pessoa, alerta cada um quanto aos desvios do caminho e nada pode fazê-la calar... Podemos fugir de qualquer pessoa e de coisas que nos incomodem, mas nunca de nós mesmos, por muito tempo. Há os que se embriagam, há os que se drogam, há os que se atordoam com medo de ficar a sós consigo mesmos, há até os que se suicidam, mas nada disso resolve, pois sempre ecoará em cada um a repreensão pelo mal cometido, ou o elogio pelo bem praticado.

    Por isto, quando se sentir ofendido, procure sofrer o mínimo possível! Deixe estar... Continue o seu caminho e vá entregando os fardos e sofrimentos a Deus, que está em todos e que sabe como resolver cada problema a seu tempo.

    Importa amar-se muito, dar-se o devido valor, ouvir-se e com isto também amar a tudo e a todos como centelhas do Pai. O desequilíbrio de alguém pode durar muito tempo, mas terá um fim. A desarmonia parece até eterna, mas há de ser vencida pela ordem cósmica que tudo alinha.

    Avance com o olhar e vislumbre o horizonte com os olhos de seu espírito. Detalhes pequenos desta caminhada nada são, quando percebemos o todo, uma existência inteira. Naqueles que não se detêm olhando o lodo, crescem asas que lhes permitem voar acima dele, para além das montanhas mais altas, para perto do Sol e da Luz, bem próximo às estrelas, num vôo alegre, feliz!

    Diante da palavra ríspida, da vibração de ódio, aquiete-se, ore e procure se tranquilizar. Essas energias fazem principalmente mal a quem as sente. Deixe estar... O tempo, grande guardião do ontem, do hoje e do amanhã, faxineiro das consciências, também se encarregará de ensinar e modificar essa situação. A vida não pára e cada dia traz sua lição para todos.

    Não guarde o que passou e lhe fez sofrer. Deixe-o ir... Na memória, cultive os momentos bons e de cada dor procure tirar um ensinamento, de cada engano uma lição que lhe permitirá andar com mais segurança logo adiante.

    Entregue-se a Deus, conte-lhe tudo que lhe preocupa e espere as Suas respostas. Sempre as terá, se tiver confiança nisso. Creia que existe um Amor que permeia tudo e todos e que sustenta os que se julgam caídos. O único poder verdadeiro é o do Pai e este não escraviza, mas liberta! Confie na justiça cósmica que tem tempo para fazer os seus ajustes. Nada passa despercebido dela e, um dia, em algum lugar, num tempo que vai existir, reinará a Paz e a compreensão neste Planeta!

    (Autoria desconhecida)



    Escrito por Dani Guima às 16h43
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    Amor - Neutralidade - Serviço Impessoal

    “Muito poucas pessoas no mundo conhecem o amor.

    Essas pessoas são as que se tornaram silenciosas, pacíficas…

    E a partir desse silêncio e dessa paz, elas entraram em contato com sua alma, seu amor se torna não um relacionamento, mas simplesmente uma sombra sua.

    Não importa onde você ande, com quem esteja, você estará amando.”

    EU QUERO E PRECISO DESSE AMOR. JÁ!



    Escrito por Dani Guima às 18h01
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    A minha utopia...

    ... é a mesma de Eduardo Galeano: 

    "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".
     



    Escrito por Dani Guima às 14h31
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    Sobre perdão

     

    Como lidar com situações onde pessoas que amamos profundamente nos ferem? Ou até mesmo, o que fazer com pessoas que nem conhecemos e que nos atingem profundamente? Como lidar com a sensação que vem depois do machucado? Como seguir adiante com a mágoa, com a sensação de que essa pessoa nos deve algo, com a idéia de termos sido injustiçados, maltratados?

    Na caminhada da vida, temos o presente de encontrar pensamentos, reflexões e insights que nos aparecem como mágica - ou à custa de muita terapia, suor e lágrimas. Algumas dessas pérolas podem vir em músicas, sonhos ou na palavra generosa de um desconhecido. Dentre esse mosaico de novas idéias e perspectivas, há uma coleção linda que desejo compartilhar e que me foram muito úteis na compreensão do processo de perdão. Vamos a algumas delas:

    Ninguém dá o que não tem
    Uma pessoa que não recebe amor, atenção e carinho provavelmente terá que fazer um esforço muito maior para se sentir pronta para passar essas mesmas virtudes adiante. É provável que tenha uma tendência natural de repetir padrões de comportamento, podendo tornar-se, ela mesma, uma pessoa um tanto inábil para dar amor, atenção e carinho. Se uma pessoa não tem algo para dar, como pedir ou exigir que ela consiga fazer algo diferente disso? Não se trata de uma sentença, pois, ainda bem, as pessoas mudam, e muito. Diante de desafios, diferentes situações de vida, perspectivas e objetivos, muitos conseguem quebrar os tais padrões e aprender novas formas de se relacionar com o mundo. Agora, pare e pense um minuto: é bastante provável que a pessoa que te magoou não tinha algo para dar diferente daquilo que te deu no momento em que te feriu. É preciso força, empenho, trabalho, busca incessante por orientação quando queremos nos transformar. Mas nem todo mundo tem esse pique ou, ainda, a oportunidade de repensar suas atitudes. Se fizer uma reflexão, é bem possível que você também tenha machucado alguém num momento impensado, em que estava nervoso, fraco, inconsciente e não se sentiu capaz de agir da melhor maneira. Isso acontece porque, de fato, ninguém dá o que não tem. Nesse caso, fica bem mais fácil perdoar. Porque entendemos que aquela pessoa não teve a consciência e o poder pessoal de agir da melhor maneira naquele momento. Seja de forma premeditada ou não, nada altera a afirmação de que "ninguém dá o que não tem". Porque, por mais que uma pessoa deliberadamente faça mal a alguém, isso por si só já prova o estado momentâneo de inconsciência que ela se encontra.

    Não leve nada para o lado pessoal
    Seguindo essa linha, quando ferimos alguém, é nada mais nada menos do que refletir lá fora como estamos aqui dentro. Só damos o que temos. Se temos raiva, insegurança e medo, reagimos lá fora em total consonância com essa freqüência. Sendo assim, as reações que temos com uma pessoa são reflexo da nossa batalha ou paz interior. Se alguém nos faz mal, é porque também está mal e não consegue agir de forma boa naquele momento. Então, ela será assim com várias outras pessoas - é uma relação dela com o mundo. A história, portanto, não é pessoal... é ela com ela mesma, tendo você como espelho naquele momento. Pense assim: "Não é comigo, isso é ela brigando com o mundo e eu sou apenas a bola da vez. Não vou levar isso para o lado pessoal, então não tem o que perdoar. Preciso mesmo é ter compaixão dessa pessoa que não teve nada diferente daquilo para me dar naquele momento".

    Várias circunstâncias nos levam a essa conclusão. Um resumo bastante preciso disso está no segundo compromisso do guerreiro espiritual que repito aqui, ipsis litteris: "Se você leva tudo para o pessoal é porque concorda com o que está sendo dito. Ao concordar todo o veneno passa a fazer parte de você. O que causa seu próprio envenenamento é o que os toltecas chamam de importância pessoal, expressão máxima do egocentrismo. Nada do que os outros fazem é motivado por você, é por causa deles mesmos. Todas as pessoas vivem em seu próprio sonho, nevoeiro ou mente, inclusive você. Se você aceita o lixo emocional do outro, ele passa a ser seu também. Se você se ofender sua reação será defender suas crenças e criar mais conflitos. Então, se você fica brava comigo, sei que está lidando consigo mesma. Sou apenas uma desculpa para você se irritar e fingir que não tem medo. Mas na verdade, sua braveza é uma expressão do seu medo. Sem medo não existe motivo para se irritar, brigar ou me odiar. Sem medo, não há motivo para sentir ansiedade, ciúme ou inveja."

    Muitas vezes somos nós que atraímos essas situações e nos permitimos ser machucados
    Você acha que é coincidência uma pessoa que repete histórias de rejeição uma após a outra? Várias teorias psicológicas e exotéricas pregam exatamente o contrário: as pessoas buscam, inconscientemente, viver histórias parecidas umas com as outras para entender melhor as circunstâncias da dor que experimentou em algum momento passado. Ninguém, em sã consciência, procura ser abusado emocionalmente. Mas pode se sentir atraído por pessoas com determinadas características que culminam nessa situação de abuso. De alguma maneira, ao entrar em contato com essa sensação, a pessoa procura compreender porque isso acontece, ou quer fazer justiça, ou quer ter nova oportunidade de agir e sair vencedor. Apesar de profundamente desgastante, esse processo está em ordem. Mas, quanto antes nos dermos conta desse mecanismo inconsciente, mais cedo nos livraremos desse comportamento repetitivo e de toda dor que vem com ele. Adultos conscientes podem escolher que situações querem viver e estão prontos para definir limites para os demais. Quando um não quer, dois não fazem. Para alguém ser ferido numa relação, precisa estar disposto a ficar nela e a receber o que a outra pessoa tem para oferecer naquele momento. E como ninguém dá o que não tem e uma pessoa insiste em te ferir, você só continuará a sofrer se decidir permanecer naquela dinâmica de relação e, assim, dar oportunidade para que os ferimentos continuem a ocorrer.

    Somos um
    A minha visão espiritual da vida tem me levado a experenciar, cada vez mais, a noção de que somos um. A ilusão de que estamos separados embaça nossa visão dessa verdade maior. É fato: "Ir a favor da evolução das pessoas, coisas ou situações é ir a favor de ti mesmo". Assim como "Ir contra a evolução das pessoas, coisas ou situações é ir contra ti mesmo". A natureza mostra isso. A sociedade mostra isso de forma nua e crua. Portanto, não há melhor forma de estar nesse planeta do que ser pleno de compaixão e entendimento. Compaixão é se colocar no lugar do outro, compreender o que ele sente, o que o leva a reagir de tal forma, entender que ninguém dá o que não tem e não levar suas ofensas para o lado pessoal. Sendo, assim, fica muito mais fácil perdoar. Ao perdoar e compreender alguém, você reflete isso em toda a Unidade. Gentileza gera gentileza e isso será passado adiante - por você e por quem quer que seja tocado pelo seu exemplo. Em sendo um, faremos bem a todos e a nós mesmos, em todas as instâncias.

    É como canta Gilberto Gil na feliz constatação: "Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão"...

    Um beijo amoroso,

    Dani Guima.



    Escrito por Dani Guima às 18h13
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    A responsabilização que livra de toda a culpa

    Com base no princípio de que tudo tem luz e sombra, resolvi virar a mesa na minha vida com relação a um tema bastante sensível para muitas pessoas: a culpa.

     

    É horrível nos sentirmos culpados por algo. Mesmo que a história seja uma fantasia da nossa cabeça. Para começar, prestei muita atenção na afirmação de que “a mente mente”. Mente, e muito! Descobri que boa parte das minhas reações emocionais, que eu não conseguia entender de onde vinha, partia de uma grande fantasia de culpa que criei em algum momento. E, por meio de muita terapia e busca pessoal, tive a felicidade de perceber que tudo não passava de uma grande ilusão.

     

    Retirados esses véus, findadas as fantasias, saí disso tudo com uma ferramenta maravilhosa que desejo compartilhar aqui no blog: o lado-luz da culpa é a responsabilização! O benefício que tirei dessa conclusão foi imenso. Senti-me mais potente e, ao mesmo tempo, leve e livre. Encontrei a responsabilidade que não pesa, mas libera.

     

    Em primeiro lugar, é importante avaliar se o que aconteceu é realmente responsabilidade sua, ou se existe a possibilidade de que várias outras pessoas ou, ainda, uma sucessão de fatos o fizeram crer nisso. Vale lembrar que, boa parte dessas conclusões fantasiosas são criadas por nós mesmos. Especialmente as mais elementares, que mais nos tocam – essas, em geral, formadas na infância.

     

    Feito esse questionamento, o passo seguinte é perceber que, quando cometemos um erro, quando falhamos em algum projeto, em alguma relação, temos a preciosa chance de aprender com o que aconteceu. Culpa para quê? Não há nada mais inútil e paralisante do que esse sentimento. O importante é nos responsabilizarmos pelo ocorrido, sem grandes dramas, dores e auto-punições. Não existe essa história de “ah, não deu certo!”. Deu certo sim – especialmente se focarmos no aprendizado que tiramos da situação, que nos traz novas formas de agir. O segredo é levantar rápido das quedas e não ficar lambendo o chão das culpas.

     

    Ao fazer isso, nos responsabilizamos pela nossa própria vida e paramos de ficar procurando bodes expiatórios para as situações em que não tivemos sucesso. Um exemplo corriqueiro disso é quando um casal não vai bem, e um deles sentencia: “é tudo culpa dele(a)!”. Quando fazemos isso, não percebemos que o ato de lançar culpas para todos os lados é totalmente contraproducente. As pessoas perdem a grande oportunidade de se responsabilizar pela sua cota de participação nas relações que, invariavelmente, é de 50% / 50%.

     

    Quando nos responsabilizamos pela nossa própria sorte, ganhamos poder pessoal e ficamos prontos para fazer diferente dali em diante. Assumimos as rédeas de nossas próprias vidas e atos. Adquirimos novas ferramentas com tudo o que passou. Analisamos, questionamos e aceitamos a nossa contribuição em qualquer que seja o cenário. E isso é bom demais! Ao invés de procurarmos culpados, nos tornamos conscientes da nossa parte e evoluímos a partir dela. Usamos a nosso favor, algo que poderia ficar nos consumindo. Ganhamos movimento e escolhas.

     

    Muita gente evita entrar em contato com essa sensação porque encara uma falha como culpa. O que proponho é que troquem a palavra culpa, e todo peso que ela traz consigo, por responsabilização. E que sintam dentro de si a força, o frescor e as infinitas possibilidades que essa atitude traz.

     

    Em Ordem, Luz e Amor,

    Daniela Guima.



    Escrito por Dani Guima às 17h18
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    Somos todos americanos

     

    Nunca antes na história deste planeta um mestiço afrodescendente foi seu habitante mais poderoso. Não mais. Por mais que as pesquisas já indicassem a vitória de Barack Obama, ela é tão épica e multidimensional que nos enche de espanto e ânimo.

     

    Obama é um fenômeno global, sua vitória reflete não só a escolha da maioria dos americanos, mas da grande maioria dos seres humanos. O que lhe dá ainda mais legitimidade como líder. E liderança será preciso para tirar o mundo dessa recessão que ainda não tem tamanho, mas parece feia.

     

    Tanto melhor que sejam os Estados Unidos da América os provedores desse raio renovador na deprimida cena global. Entre as verdadeiras heranças malditas legadas por oito anos de bushismo, talvez a pior seja o agudo e estúpido antiamericanismo.

     

    Tão irracional quanto disseminado, ele alimenta e para alguns até justifica forças obscurantistas e perigosas como o neoczarismo russo, o absolutismo chinês, o petropopulismo chavista, o messianismo nuclear iraniano, o terrorismo islamofascista.

     

    Conceitos absurdos como o de que os EUA são um país de brutos, ignorantes e caipiras são cuspidos pela suposta intelligentsia mundial apesar de o país ter as melhores universidades do planeta, ser seu maior produtor e consumidor de cultura, ser a nação mais inovadora e criadora de tecnologias, ter o maior número de prêmios Nobel, ter inventado a internet e o YouTube, ser de longe ainda a maior economia do mundo.

     

    E aquela conversa de que "Nova York é fantástica, mas não tem nada a ver com os Estados Unidos"? Seria como dizer que "São Paulo é fantástica, mas não tem nada a ver com o Brasil".

     

    E aqueles que achavam impossível os EUA, tão "racistas e reacionários", elegerem um presidente negro e progressista de forma tão decidida? (Alguém arrisca dizer em que ano o Brasil, com muito mais afrodescendentes, terá um presidente negro?)

     

    Os americanos não poderiam dar resposta melhor ao mundo(e ao bushismo) do que conduzir Michelle e Barack Obama à Casa Branca.

     

    Não que sua fulminante vitória eleitoral, por mais impactante e transformadora, garanta um final feliz para a triste história de George W. Bush em Washington. Os desafios são tão grandes quanto seu triunfo, se não maiores.

     

    Mas a satisfação global com a inspiradora conquista de Obama já dá algum alento a um mundo em desaceleração, quase parando.

     

    Vamos torcer por Obama e pelo que sua impressionante vitória representa. Hoje, somos todos americanos.

     

    Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas. E-mail: smalberg@uol.com.br



    Escrito por Dani Guima às 11h17
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    Exorcizando o rótulo de "melhor amiga"

     

    Quando eu era pequena, acreditava no conceito de uma melhor amiga. Depois, como mulher, descobri que se você permitir que seu coração se  abra, você encontrará o melhor em muitas amigas. É preciso uma amiga quando você está com problemas com os homens, outra amiga quando você está com problemas com sua mãe. E outra quando vc não sabe onde está o problema...

     

    Tem uma amiga pra quando você quer fazer compras, compartilhar, curar, ferir, brincar, fofocar ou apenas ser você. Uma amiga dirá 'vamos rezar', uma outra 'vamos chorar', outra 'vamos lutar', outra 'vamos fugir'. Uma amiga atenderá às suas necessidades espirituais, uma outra à sua loucura por brincos, uma outra à sua paixão por filmes, outra estará com você em seus períodos confusos, uma outra será o vento sob suas asas, e, quase todas, te puxarão a orelha de vez em quando. Mas onde quer que ela se encaixe em sua vida, independente da ocasião, do dia ou de quando ou quanto você precisa, seja com seus tênis e cabelos presos, super produzida ou para impedir que você faça uma loucura... todas essas são suas melhores amigas.

     

    Elas podem ser concentradas em uma única mulher ou em várias... umas da infância, umas da escola, dos anos de faculdade, umas outras sabe-se lá daonde! Algumas de antigos empregos, outras de ocupações atuais, da igreja ou do bar preferido! Há os dias da própria mãezinha, outros dias sua vizinha. As vezes suas irmãs, as vezes suas filhas. Cada uma a seu modo, elas estão ali e são imprescindíveis!

     

    Assim, podem ter sido 20 minutos ou 20 anos o tempo que essas mulheres passaram contigo e fizeram a diferença em sua vida. Minhas queridas, podemos ser muito diferentes e algumas de vocês podem até estar longe geograficamente, mas estarão sendo lembradas com carinho perpetuamente, pois em algum momento da minha vida fizeram algo por mim ou compartilharam de algum momento comigo, e desta forma, ganharam lugar cativo em meu coração.

     

    Agradeço a todas que fazem parte do meu círculo de mulheres maravilhosas que fizeram e ainda fazem a diferença em minha vida!

     

    Amor sempre, Dani Guima.



    Escrito por Dani Guima às 11h51
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    Os 4 compromissos do guerreiro espiritual

    Em 2005 estava fazendo meu mapa-astral com o Tato Neves, um cara muito competente, e vi na sala dele uma placa com os dizeres "Os 4 compromissos do Guerreiro Espiritual". Gostei do conteúdo, anotei e, desde então, ficam na minha mesa de trabalho. Sempre dou aquela olhada, procuro absorver, mas apenas recentemente os tais quatro compromissos começaram a ter uma influência mais perceptível na minha vida. Especialmente o segundo compromisso.


    Voltando para a linha de textos mais reflexivos no blog, compartilho com vocês esse presente. Nas próximas postagens, quero fazer uma reflexão mais detalhada, uma interpretação pessoal sobre cada um dos quatro compromissos. Por hora, conheçam o resumo desse material:


    Os quatro compromissos

    Toda a sua mente é um nevoeiro que os toltecas chamam de mitote. Sua mente é um sonho em que mil pessoas conversam ao mesmo tempo, e ninguém entende o outro. Essa é a condição da mente humana – um grande mitote, e com esse grande mitote você não consegue enxergar o que realmente é. Ser um guerreiro Tolteca, espiritual, é lutar contra esse nevoeiro. Existem centenas de compromissos que você firmou consigo mesmo, com as outras pessoas, com seu sonho de vida, com Deus, com a sociedade, com seus pais, cônjuge e filhos. Contudo, os mais importantes são os que você fez consigo mesmo, dizendo quem você é, como se sente, no que acredita e como deve se comportar. O resultado é o que você chama de personalidade. Nesses compromissos você diz: 'Isso é o que sou. Isso é aquilo em que acredito. Posso fazer certas coisas e outras, não. Essa é a realidade, aquela é a fantasia. Isso é possível, aquilo é impossível'.

     

    Se não gostamos do sonho de nossa vida, precisamos alterar os compromissos que nos regulam. Quando, finalmente, estivermos prontos para mudá-los, quatro compromissos poderosos nos ajudarão a quebrar aqueles que vêm do medo e drenam nossa energia. A cada vez que se rompe um acordo, o poder usado para criá-lo retorna ao seu dono. Se você adotar esses quatro novos compromissos, eles criarão poder pessoal suficiente para alterar todo o seu antigo sistema de obrigações.


    Você precisa de muita força de vontade para adotar os Quatro Compromissos - mas se você conseguir começar a viver sua vida de acordo com eles, a transformação será impressionante. Você verá o inferno desaparecer diante dos seus olhos. Em vez de viver um sonho infernal, estará criando um novo sonho — seu sonho pessoal do céu.


    1- PRIMEIRO COMPROMISSO: seja impecável com sua palavra.

     


    Através da palavra torna-se possível a expressão do poder criativo. A palavra é um instrumento de magia: branca ou negra. Uma faca de dois gumes: pode materializar o mais exuberante dos sonhos ou destruir uma nação. Dependendo de como é usada, ela pode gerar liberdade ou escravidão. Ser impecável é não contrariar sua natureza, é assumir a responsabilidade por seus atos, pensamentos e sentimentos, sem julgamentos ou culpas. Sem peccatu. Ser impecável com a própria palavra é empregar corretamente a sua energia, ou seja, não desperdiçar ou perder energia e poder pessoal. É usar a palavra na direção da verdade e do amor por você. Se você se comprometer a ser impecável com sua palavra, basta essa intenção para que a verdade se manifeste por seu intermédio e limpe todo o veneno emocional que existe em seu interior.


    2- SEGUNDO COMPROMISSO: não leve nada para o lado pessoal.



    Se você leva tudo para o pessoal é porque concorda com o que está sendo dito. Ao concordar todo o veneno passa a fazer parte de você. O que causa seu próprio envenenamento é o que os toltecas chamam de importância pessoal, expressão máxima do egocentrismo. Nada do que os outros fazem é motivado por você, é por causa deles mesmos. Todas as pessoas vivem em seu próprio sonho, nevoeiro ou mente, inclusive você. Se você aceita o lixo emocional do outro, ele passa a ser seu também. Se você se ofender sua reação será defender suas crenças e criar mais conflitos. Então, se você fica brava comigo, sei que está lidando consigo mesma. Sou apenas uma desculpa para você se irritar e fingir que não tem medo. Mas na verdade, sua braveza é uma expressão do seu medo. Sem medo não existe motivo para se irritar, brigar ou me odiar. Sem medo, não há motivo para sentir ansiedade, ciúme ou inveja.


    3- TERCEIRO COMPROMISSO: não tire conclusões.

     


    Temos a tendência a tirar conclusões sobre tudo. Interpretar tudo segundo nossa ótica, nossa mente, nossas crenças. É que acreditamos que elas são verdadeiras. Poderíamos jurar que são reais. Tiramos conclusões sobre o que os outros estão fazendo e pensando - levamos para o lado pessoal -, então os culpamos e reagimos enviando veneno emocional com nossa palavra. Por isso, fazemos presunções, estamos pedindo problemas. Tiramos uma conclusão, entendemos de modo errado, levamos para o pessoal e acabamos criando um grande conflito interno, familiar, profissional, mundial, do nada. Como ficamos com medo de pedir esclarecimentos, tiramos conclusões e acreditamos estar certos sobre elas; depois as defendemos e tentamos tornar a outra pessoa errada. Sempre é melhor fazer perguntas do que tirar conclusões, porque as conclusões nos predispõem ao sofrimento. O grande mitote na mente humana cria um bocado de caos, que faz com que interpretemos mal e tudo errado. Apenas enxergamos o que queremos enxergar e escutamos o que queremos escutar. Temos o hábito de sonhar sem base na realidade. Literalmente, enxergamos e escutamos coisas com nossa embaçada imaginação.


    PS: Sempre que apontamos para alguém, nossa mão mostra os outros três dedos apontados para nós mesmos!


    4- QUARTO COMPROMISSO: dê sempre o melhor de si.



    Na verdade, esse é o compromisso de colocar na prática os outros 3 compromissos. Você nasceu com o direito de ser feliz. Nasceu com o direito de amar, de aproveitar e compartilhar seu amor. Você está vivo. Portanto, tome sua vida e a aproveite. Não resista à vida que está passando através de você, porque é Deus passando através de você. Apenas sua existência prova a existência de Deus. Sua existência prova a existência da vida e da energia.


    Referências: Os quatro compromissos – o livro da Filosofia Tolteca – Don Miguel Ruiz – editora Best Seller e Quero Viver num Planeta que RI - Conceição Trucom - edição independente na forma de livro eletrônico.



    Escrito por Dani Guima às 18h45
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    De direitos e justiça

    Correio Braziliense - 19 de setembro de 2008

    CONSUMIDOR
    Problema técnico

    Daniela Teixeira, moradora da Asa Norte, contratou o serviço da NET Digital, mas teve problemas com a instalação do aparelho. "Em 15 de agosto, um técnico da NET fez a instalação do sistema digital. Porém, 20 minutos depois, o aparelho home theater que possuo teve um curto circuito, soltou faíscas e muita fumaça. Entrei em contato com a NET e a empresa enviou novamente o técnico, mas ele negou ter culpa no ocorrido. A empresa informou que mandaria uma equipe para avaliar o caso em 24 horas, entretanto isso não aconteceu. O conserto do aparelho foi orçado em mais de R$ 600. Não pode ser coincidência o aparelho quebrar 20 minutos após a saída do técnico da NET", critica a leitora.

    A NET informa, por meio da assessoria de comunicação, que o equipamento foi consertado pela assistência técnica autorizada e depois instalado na casa da leitora. A NET pede desculpas pelos transtornos e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos. A coluna Grita Geral entrou em contato com a leitora, que confirmou a resposta da empresa. "O problema finalmente foi resolvido", disse Daniela.

    PS: Teixeira é meu outro sobrenome - Daniela Guimarães Teixeira. heheheh :D



    Escrito por Dani Guima às 16h54
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    Democracia X Comunismo

    “Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um” (Fernando Sabino)

     

     

    Ao contrário do Comunismo, que erra ao querer nivelar por baixo...

     

     

    Democracia e capitalismo podem ter muitas falhas, mas por enquanto não inventaram nada melhor...



    Escrito por Dani Guima às 16h30
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    Think-pense!

    “go to work, send your kids to school
    follow fashion, act normal
    walk on the pavements, watch T.V.
    save for your old age, obey the law
    Repeat after me: I am free”

    Graffiti on Philip St, Bedminster, Bristol, UK


    "vá para o trabalho, mande seus filhos à escola
    siga a moda, aja normalmente
    ande nas calçadas, assista T.V.
    economize para a velhice, obedeça à lei
    Repita depois de mim: Eu sou livre”

    Grafite na Rua Philip, Bedminster, Bristol, Inglaterra



    Escrito por Dani Guima às 11h10
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    Facing the anger

     

    Culpa de sentir raiva? Alguém aqui já se sentiu assim?

    Eu já. Muito. E cansei.

    Cansei dessa mania de parecer boazinha o tempo todo.

    Cansei dessa compulsão de ser evoluída espiritualmente. Aprovada, querida, desejada.

    Cansei de ser chata. Contida. Reprimida.

    Saibam todos: sinto agora muita, muita raiva!

     

    Raivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Assim, cheia de “a”.

     

    Arde em mim um ímpeto animal que me faz vibrar com as melhores cenas de porrada – daquelas do filme Clube da Luta.

    Vontade de bater até sangrar e machucar muito.

    Dedo no olho! Pé no gogó! Chute no saco! FDP!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Vou te olhar cara a cara, dona raiva!

    Te admito agora, e te desejo. Vem! Pode vir quente que eu estou fervendo...

     

    Vou te encarar até sua carranca vermelha desvanecer e perder cor...

    Estou te sacando, até você se cansar de babar, urrar, esbravejar. Até ficar rouca.

    Estou te sentindo, e vou sentir mais – até você ficar fraca e débil.

     

    Até sumir.

     

    E, das cinzas, do gelo, das esponjas, das águas... eu sair mais humana e verdadeira.

    Mulher de carne e osso. Inteira.

    Pode sair, sua vaca!



    Escrito por Dani Guima às 16h11
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    Inteligência Emocional

     

    Aspectos que caracterizam a inteligência emocional:

     

    - Reconhecer as próprias emoções

    - Saber controlar as suas emoções

    - Saber colocar-se no lugar do outro entendendo o seu ponto de vista

    - Criar relações socialmente adequadas


    Capacidades, essas, que podem ser aprendidas e aperfeiçoadas através do treino, envolvendo um trabalho árduo de autoconhecimento e auto-regulação das emoções, dando especial relevo ao papel da atenção nesses processos. Desse modo é possível que qualquer pessoa possa exercitar e aperfeiçoar as suas aptidões pessoais para ter um coeficiente emocional (QE) elevado, que tornará o indivíduo mais apto à boa convivência. Os indivíduos com um QE maior, serão mais capazes de:


    - Reagir com maior rapidez perante estímulos inesperados

    - Tomar decisões de forma assertiva e adequada

    - Estabelecer canais de comunicação verbais e não verbais eficazes


    Estratégias fundamentais para treinar e aperfeiçoar a inteligência emocional:


    - Superação instrumental – na lógica do reconhecimento do perigo percepcionado para posteriormente ser superado.

    - Superação orientada às emoções mediante reavaliação – na atribuição de significados positivos às situações encaradas como negativas e ameaçadoras.

    - Superação orientada às emoções mediante dessensibilização – na exposição sistemática e consistente do sujeito ao estímulo encarado como ameaçador, no sentido em que o sujeito dessensibilizará de forma progressiva.


    O exercício deste e outros tipos de competências irá contribuir para o aperfeiçoamento da capacidade emocional, uma vez que o autoconhecimento e auto-regulação aumentam. Essas são fruto de um necessário distanciamento interno que se denomina de Meta-Mood, que é a sensibilidade do sujeito face às várias emoções, no sentido de reconhecer, sentir e relativizar as turbulências emocionais. No fundo é tornar possível, a si próprio, ver de outro ponto de vista as várias situações, como um observador neutro, objetivo, mas ativo, capaz de mobilizar as estratégias mais adequadas e eficazes, tão necessárias ao seu sucesso e bem-estar.



    Escrito por Dani Guima às 16h16
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    Mensagem de Dia dos Namorados

     

    A ALMA DO OUTRO

     

    "A alma do outro é uma floresta escura", disse o poeta Rainer Maria Rilke. A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.

     

    Nem todos os mal-entendidos, mágoas e brigas se dão porque somos maus, mas por problemas de comunicação. Porque até a morte nos conheceremos pouco, porque não sabemos como agir. Se nem sei direito quem sou, como conhecer melhor o outro, meu pai, meu filho, minha mãe, meu amigo, companheiros – e como agir direito?

     

    Nesses dias, tenho ousado escrever como um exercício de me adivinhar. E o meu próximo livro que contêm palavras sobre o silêncio estão em pleno processo de elaboração. Isso me faz refletir mais agudamente sobre a questão da comunicação e sua por vezes dramática dificuldade, pois nos mal-entendidos reside muito sofrimento desnecessário.

     

    Amor e amizade transitam entre esses dois "eus" que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilhamento ou de vida em comum, vontade de fazer e ser um bem, e de obter do outro o que para a gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte. Pontes podem ser precárias, estradas têm buracos, caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo.

     

    Pensar sobre a incomunicabilidade ou esse espaço dela em todos os relacionamentos significa pensar no silêncio: a palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar; o silêncio que não foi erguido no momento exato – e era o momento de calar.

     

    Mas, a gente não sabia.

     

    É a incomunicabilidade, não por maldade ou jogo de poder, mas por alienação ou simples impossibilidade. Anos depois poderá vir a cobrança: por que naquela hora você não disse isso? Ou: por que naquele momento você disse aquilo?

     

    Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e as vezes reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.

     

    Acredito que em qualquer tipo de relacionamento partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.

     

    Somos todos pobres humanos, somos todos frágeis e aflitos, todos precisamos amar e ser amados, mas às vezes laços inconscientes enredam nossos passos e fecham nosso coração. A balança tem de ser acionada: prevalecem conflitos ásperos, o distanciamento, a indiferença, a hostilidade, ou a ternura e aqueles conflitos que ajudam a crescer e amar melhor, a se conhecer melhor e melhor enxergar o outro? O olhar precisa ser atento: mais coisas negativas ou mais gestos positivos? Mais alegria ou mais sofrimento? Mais esperança ou mais resignação?

     

    Cabe a cada um de nós decidir, e isso exige auto-exame, avaliação. Posso dizer que sempre vale a pena, sobretudo vale a pena apostar quando verdadeiramente existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo um desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos, amigos ou amantes, continua a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pode – o que lhe é possível fazer.

     

    Em certas fases, é preciso matar a cada dia um leão; em outras, estamos num oásis. Não há receitas a não ser abertura, sinceridade, humildade que não é rebaixamento. Além do amor, naturalmente, mas esse às vezes é um luxo, como a alegria, que poucos se permitem.

     

    Seja como for, com alguma sorte e boa vontade a alma do outro pode também ser a doce fonte da vida.

     

    (Lya Luft)



    Escrito por Dani Guima às 16h51
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    Feliz aniversário, filhota!

    Hoje Rafaela completa 1 ano!
    Eu, também, como mãe, completo 1 ano!
    Caminhamos juntas, formando esse laço num abraço.
    Hoje já aceito totalmente essa função-devoção.
    E
    visto a camisa de mãe 101%.
    Momentos bons, momentos ruins - quaisquer deles não alteram mais o meu olhar.
    Sou agora mãe plena e entregue.
    Meu amor atua com o mesmo carinho e a mesma coragem, independente das circunstâncias.
    Se amor incondicional é isso, começo a sentir sua calma e quentinha presença no meu peito!
    Sigo confiante de que Deus, a Vida e o Universo sempre nos proverão com o melhor, em cada novo passo.
    Conectada com a intuição que guia meu coração materno, apontando caminhos e assoprando dicas.
    Graças, Papai do Céu, por esse presente, por essa confiança em nós depositada.
    Graças, Máximo (Kico), por me dar a oportunidade de ser mãe!
    Amo essa aventura-gostosura de ver Rafaela crescer.
    E eu, igualmente, crescer com ela.

    Seguimos juntas, filha!

    Vivaaaa!!!!!



    Escrito por Dani Guima às 10h43
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    Burrocracia = NO-parquinho

    Burrocracia = NO-parquinho!

     

    Devido às constantes perguntas dos amigos sobre o resultado daquele post anterior, chamado "Fazer Acontecer", publico, a seguir, a matemática simples que traduz tudo o que aconteceu: burrocracia = NO-parquinho!

     

    Trocando em pormenores:

     

    A 709 Norte tem casas super gostosas, prédios legais, vizinhos incríveis e muitos, muitos bebês!

     

    A 709 Norte não tem parquinho. Então, os bebês não se encontram, nem as mães e pais se conhecem. Amizades não são feitas. Ouvem-se, apenas, choros distantes que denunciam o grande número de crianças que lá vivem sem qualquer opção de divertimento.

     

    A 709 Norte, aliás, tem sim um parquinho perto das oficinas da W3, com brinquedos velhos de madeira descascando, cheios de farpas, e areia contaminada por um cão que lá foi enterrado. Ninguém vai lá. Está abandonado.

     

    A 709 Norte tem uma mãe-velha-de-guerra-idealista-boba, que nesses vai-e-véns da vida está aprendendo, aos poucos, a sufocar seus rompantes de civismo. Mas ainda falha irremediavelmente nessa missão e, vez por outra, pendura a bebê numa mochila e sai batendo de porta em porta atrás de assinaturas para um abaixo-assinado em prol do parquinho. Afinal, ouviu do administrador de Brasília que “bastava coletar assinaturas, que a obra seria feita rapidamente”. Mais de cem assinaturas foram coletadas e protocoladas na tal repartição pública em janeiro de 2008. A previsão de entrega da obra era em abril. Estamos em junho e nada aconteceu, mesmo diante das insistentes ligações, de 15 em 15 dias, para saber a quantas anda o processo...

     

    A 709 Norte recebeu a visita protocolar do administrador de Brasília, no início de maio, que, sem jeito, mal sabia da reivindicação. “Parquinho? Como é que está a situação?”, perguntou ele à mãe-boba. “E sou eu quem tem que responder isso”, indagou-se a mesma mãe, um pouco menos boba e já bastante impaciente, levantando-se e indo embora da reunião discretamente. Afinal, what’s the point!?

     

    A 709 Norte, semana passada, perdeu a família da mãe-ex-idealista-boba para uma quadra do Sudoeste – essa sim, com pelo menos quatro parquinhos.

     

    A 709 Norte, quem sabe, ganhará um parquinho quando a burrocracia se desenrolar e aproximarem-se as eleições. É que nessa época, a turma se anima, sabe?

     

    Mesmo assim, vamos ficar felizes, afinal, os irmãos mais novos dos bebês de agora já terão chegado ou estarão a caminho. Eles, pelo menos, poderão curtir o parquinho.

     

    Ou não?



    Escrito por Dani Guima às 16h35
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    Ode ao peito

     

    Décimo mês: chegou a hora de a Rafaela parar de se alimentar do meu leite. Foi um período de enorme aprendizado para mim. A intensidade dos primeiros momentos, o estabelecer de um vínculo forte, que recebe essa mãozinha-na-roda da mãe-Natureza... ao sentir o leite saindo de você, alimentando seu bebê, só mesmo Freud para explicar todo o pano-de-fundo metafórico que envolve esse ato. É profundo, é amor, é entrega. É alimento, é carinho, é nutrição emocional. É vínculo que se forma por meio da doação.

     

    No começo, sentia-me esvair no ato. Isso, por um tempo, desestabilizou muitas partes de mim. Conseguiria me dar para a Rafaela sem me desconstruir, sem me despedaçar, sem me anular? A visão ideal que eu tinha de ser uma mãe perfeita – a mãe que na minha fantasia nunca falta, nunca falha – criava uma pressão por metro cúbico de mim que cortava meu ar. Respirava ofegante e tinha medo de não dar conta. O vínculo que se estabelecia ali, com tanta intensidade, tirava o meu chão e provocava todos os meus bichos-medos de estabelecer relações próximas. Que dirá, uma ligação tão definitiva! Afinal, não existe ex-filha, certo?

     

    E daí, o milagre aconteceu. A vida, nesse momento, se revelou em mim como grande professora, dizendo que as lições precisam ser apreendidas com calma, leveza e vivendo um dia de cada vez. Fui me cuidando, me tratando, relaxando, aprendendo a delegar. Fui despedaçando as ilusões e tecendo uma colcha de amor, com retalhos de cada novo dia vivenciado com a Rafaela. A amamentação foi ficando cada vez mais leve, tranqüila e, por que não, prazerosa! Sim, era o nosso momento, olho no olho, entrega pura.

     

    Foi aí que a Rafaela deu-me a oportunidade de perceber que, doando, eu não me esvaziava. Ao contrário, preenchia meu corpo e minha alma com ainda mais amor e força. Eu compreendi que tenho muito a dar, e que isso só me faz bem e me mantém em contato com a força da vida que alimenta a todos nós – quando dou, eu recebo. E me tornei um pouquinho mais inteira, e mais mulher. Porque não há nada tão feminino quanto o poder da reprodução, o gerar uma vida e, de quebra, ter a alegria de alimentá-la. Foi realmente uma oportunidade-presente para mim!

     

    Às mães que não puderam/quiseram/tiveram a chance de amamentar, faço a ressalva-liberação de que não há regras! Mulheres que não amamentam podem e estabelecem os mesmos vínculos de outras maneiras. Mulheres que não têm filhos também formam sua identidade e força feminina com outras soluções. Apenas rendo minhas homenagens à mãe-Natureza, que nos dá essa forcinha boa na hora de estabelecer vínculos com nossos filhos. Imagino que essa mesma força dá às mães que têm parto normal a possibilidade de viver no corpo a transição de mulher-filha para mulher-mãe. Eu que não tive um parto natural consegui passar por essa transição muitos dias depois do nascimento, de outra forma. A vida, ainda bem, sempre encontra o seu caminho...

     

    O desmame também tem ensinado novas lições. Não há perda, e sim reconstrução. A Rafaela, suavemente, foi mandando todos os recados possíveis de que era chegada a hora. Brincava no peito, mamava pouco, largava por qualquer coisa. Não pedia mais, esquecia. Era a hora dela. Mas seria a minha? Levei um pouco de susto, que veio com um misto de alívio também. Porque o desmame não deixa de ser uma pequena independência. Mas... ai... aquele contato tão íntimo, tão intenso, tão próximo. Deixar essa proximidade toda de lado traria um certo... vazio? Não, claro que não. Não me colei a essa sensação. Era apenas mais uma travessia-passagem da vida provando que tudo passa. Novos vínculos, sim! Novos contatos, novas palavras, abraços e gargalhadas. Dançamos juntas, começamos a conversar as primeiras sílabas, linguagens diferentes – mas tão ternas e intensas quanto uma boa mamada!

     

    Um brinde a nós, Rafaela! Valeu cada gole, filha!

    Muitas graças pela oportunidade!



    Escrito por Dani Guima às 17h44
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    Abaixo a ditadura da mulher-maravilha!!

    Sou a Miss Imperfeita

     

    Texto da Martha Medeiros publicado na Revista do O Globo:

     

    'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas,namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.

     

    Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.

     

    E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem.. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

     

    Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela...

     

    Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C... Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.



    Escrito por Dani Guima às 17h03
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    O texto que eu gostaria de ter escrito...

    Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas:

    - 'Seu marido a faz feliz? Ele a faz feliz de verdade?'

    Neste momento, o marido levantou seu pescoço,demonstrando total segurança. Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro 'NÃO', daqueles bem redondos!
    - 'Não, o meu marido não me faz feliz'! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima). - 'Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz'. E continuou:

    'O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.

    Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável. Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma. As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de 'experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza.

    Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar. Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.

    Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde que nos casamos. Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos'. 

    Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade. SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém o tenha machucado, magoado, mesmo que alguém não o ame ou não lhe dê o devido valor.

    (autoria desconhecida)



    Escrito por Dani Guima às 16h08
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    Once

    Cinco coisas a dizer:

     

    1- Esse filme entrou para o meu Top Five;

     

    2- As músicas entraram para o meu Top Five;

     

    3- Filme lindo, circuito independente, não sei se vai chegar ao Brasil (sim, admito: baixei pela Internet e tem legendas em português disponíveis tb);

     

    4- Menos importante, mas surpreendeu: ganhou o Oscar ontem de "Melhor Canção Original";

     

    5- Assistam: vocês vão me agradecer!

     

    PS: Nasser, valeu pela sugestão!!!



    Escrito por Dani Guima às 17h14
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    Fazer acontecer



    Entre as mudanças que ocorreram na minha vida com a chegada da Rafaela, uma delas é surpreendente: tornei-me absolutamente fissurada por parquinhos infantis. Na quadra em que moro, ainda não tem um.

    Nos últimos meses, sempre que passeava por lugares que têm um parquinho infantil com crianças brincando e pulando na areia, soltava suspiros e sonhava em mudar de endereço – para qualquer lugar que tivesse por perto um playground bacana.

     

    Eu olhava para o gramadão lindo em frente do meu prédio e pensava: que baita desperdício! Em função dessa falta de opção de lazer, mal vejo as crianças da vizinhança. Mas sei que existem, pelos choros que dá para ouvir hora lá, hora cá, ao longo do dia.

     

    Isso precisava mudar.

     

    Num rompante de ânimo, saí pesquisando e descobri que é incumbência da Administração de Brasília a instalação de parques e brinquedos infantis nas quadras. Descobri o nome do político que administra esse órgão e, para minha surpresa, já havia trabalhado comigo numa ocasião, anos antes. Consegui seu telefone celular e, sem vergonha na cara, liguei expondo minha reivindicação: um parquinho novo bem em frente de casa.

     

    Prestativo, o administrador avisou-me que faria o estudo da nossa solicitação com prazer, desde que eu conseguisse assinaturas dos moradores da quadra. “É que o abaixo-assinado sensibiliza as autoridades a atenderem o pedido mais rápido”, justificou. Agradeci. Desliguei o telefone. Murchei. Ah... que preguiça de sair por aí pedindo assinatura de todo mundo! Ah... nem...

     

    No dia seguinte, saindo de casa vi o rostinho da filhota, toda pilhada para brincar... fiquei com aquela imagem na cabeça e peguei o fiozinho de ânimo que restava para pesquisar na Internet um modelo de abaixo-assinado. Encontrei fácil. Empolguei e escrevi o nosso. Puxa, ficou bacana!! Agora só falta pegar dezenas de assinaturas... Preguiça de novo...

     

    Mas fui...

     

    Batendo de porta em porta. Parando os moradores na rua. Abordando-os embaixo do bloco. Alguns até corriam pensando que era assalto. Hahahah! Para diminuir a resistência, levei a Rafaela comigo, pendurada na mochila-canguru, anunciando-a como líder do MSP (Movimento dos Sem Parquinho). A cada casa que eu batia, descobri que boa parte delas tinham crianças – ou filhos, ou netos, ou sobrinhos. Isso me motivou, fortaleceu o meu propósito: quero arrumar um canto maneiro pra essa criançada tomar Sol, rolar na areia, e fazer novos amigos.

     

    Mas, mais que isso: vi o brilho no olhar das pessoas, que sentiram vontade de fazer algo, de participar, de fazer acontecer. Ao invés de ficar sentada reclamando de político corrupto, a turma toda participou e assinou o tal documento.

     

    Sinto uma energia diferente em mim, provavelmente vinda desse senso de comunidade que despertou forte nesses últimos dias.

     

    Não sei se o pleito vai dar certo. Tenho fé que sim.

     

    Amanhã entrego os documentos na tal Administração.

     

    Torçam pelo parquinho! Em breve, posto mais notícias!!!

     

    Beijos e beijos, Dani.



    Escrito por Dani Guima às 18h16
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    Resolução de Ano Novo

     

    Ferris Bueller é o cara.

     

    O bon-vivant do filme Curtindo a Vida Adoidado sabia das coisas: a vida é muito curta para sermos tristes, preocupados, culpados e/ou deprimidos.

     

    É isso aí! Eis meu protesto: cansei de ser triste!

     

    Tá fora de moda, é chato e irritante!

     

    Quero fincar minhas unhas nos momentos bons. Degustá-los lentamente. Sorver cada gotinha de alegria. Remoer várias vezes, e mais uma vez, os sorrisos da pequena Rafaela. Curtir cada segundo dos carinhos do maridão. Admirar os gestos gentis dos meus familiares e amigos. Agradecer a cada dia que renasce nas manhãs.

     

    Quero, também, fingir quando eu estiver triste. Fingir até para mim mesma. Fingir tanto, até que eu me convença de que estou feliz e satisfeita com a minha vida.

     

    E de tanto ser feliz, quero esquecer de como é ser triste.

     

    E, assim, começar tudo outra vez. Um novo jeito de ser, um novo jeito de viver.

     

    Que a DPP vá para a PQP! - Eis a minha resolução de Ano Novo.



    Escrito por Dani Guima às 17h12
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    Um dia de cada vez

    Em diferentes reflexões que fiz ao longo da minha vida, quase sempre chegava à conclusão que precisava aprender a viver o presente. Há anos medito sobre esse tema e, com o coração sincero, me empenho em colocar essa percepção em prática, cada vez um pouquinho mais. Ao longo do tempo, tive alguns bons avanços e conquistas – mas confesso: eles foram nada se comparados ao que está ocorrendo nessa exata fase da minha vida.

    Quando olho para trás, percebo que cada pequeno avanço que conseguia dar nessa direção ocorria lentamente, no meu tempo e numa zona de conforto que eu cuidadosamente havia construído. Com a chegada da Rafaela, a busca de viver o agora tornou-se uma urgência diária, constante e providencial.

     

    Quem tem um bebê em casa percebe rapidamente que planejar é um verbo que sai do seu vocabulário. Eu que sempre fui fã de fazer planos, passei a conviver com um simpático serzinho que se encarrega de me desconsertar a cada tentativa de planejar o passo seguinte. Quando começo a me acostumar com uma rotina, um jeito de ser, com horários e “hábitos” da minha pequena, tudo muda! Ela começa a querer fazer as coisas de forma diferente, em horários diferentes, por motivos diferentes.

     

    E lá vou eu! Sou novamente retirada de uma breve zona de conforto, e arremessada com o peito aberto no terreno do novo e do imprevisível. Junto com esse terreno, chega o aprendizado de saber apreciar o transitório, a impermanência e a evolução dos fatos. Com um neném, só dá para viver um dia de cada vez. Nenhuma experiência poderia ser mais eficiente para arrebentar as amarras de controle de neuróticos, obsessivos e control-freaks...

     

    Com Rafaela aprendo a viver e a curtir o dia de hoje. Ao seu lado, começo a entender que o momento de agora não se chama “presente” por acaso...

     

    Que venham os dias...

    Mas um de cada vez!



    Escrito por Dani Guima às 15h25
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    A cada escolha, uma vida mais feliz

    Pense bem: todos os dias temos diversos motivos para reclamar, e tantos outros motivos mais para agradecer. Partindo dessa simples premissa, surgem outras perguntas igualmente simples: como você quer passar a sua vida? Reclamando ou agradecendo?

     

    Com exceção de situações extremas, todas as ocorrências nos permitem percebê-las com um novo olhar.

     

    Digamos que seu computador parou de funcionar hoje. Ao invés de se perder em xingamentos, que tal colocar as coisas em perspectiva e perceber que, apenas neste ano, ele funcionou bem em outros trezentos e tantos dias e, somente agora, foi parar. Não se identifique demais com a situação e tire proveito: durante a ausência da máquina, aproveite para organizar documentos, gavetas... Pensamentos, que sejam!

     

    Essa situação ilustra o quanto nós tomamos por garantidos os dias em que as coisas vão bem e esquecemos de agradecer. E, por outro lado, quando algo não vai de acordo com o esperado, nos colamos e nos identificamos completamente com as situações adversas.

     

    Fez as compras de supermercado e tem que subir as escadas com inúmeras sacolas? Veja só que coisa boa... É excelente oportunidade para fazer esforço físico, suar, respirar forte e sentir o corpo cheio de vida. No lugar de maldizer esse momento, agradeça por tudo: pela saúde que tem para carregar as sacolas, pelo dinheiro que tem para fazer compras e pela linda família que tem para consumi-las.

     

    Sei que pode soar como exagero. É mesmo proposta para nenhuma Poliana botar defeito. Mas é real e possível: a forma como vivemos depende de como escolhemos encarar as situações diversas que surgem, uma a uma. E, como qualquer outra coisa na vida, deixar de ser um reclamão exige treino e boas doses de auto-observação.

     

    Nos últimos tempos, me comprometi comigo mesma a viver os meus dias com o coração cheio de alegria e esperança, pelo máximo de tempo que eu conseguir. Quero ter um olhar generoso para tudo que ocorre à minha volta. E sei que isso só acontece se, internamente, eu perceber o lado favorável e engrandecedor que está implícito em cada situação. Pintou um fato não muito agradável? Vou vivê-lo, senti-lo e aprender com ele. Não vou mais me prender a ele, nem entrar num processo sem fim de remoer o que passou.

     

    Cair, aprender e levantar. E, assim, construir – momento a momento, escolha a escolha – uma vida mais feliz.



    Escrito por Dani Guima às 14h43
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    Indicação


    Este blog foi indicado pelo meu amigo e leitor, Ivan Daniel (também recém-papai), do blog "Revelações de minh'Alma". Ele nos conferiu um selo de qualidade, prática cordial bastante difundida na blogosfera.




    Pela regra devo conceder o selo a cinco blogs, que são:

    http://otimizacaodaspalavras.blogspot.com/
    http://luizalavenere.blog.uol.com.br
    http://brasiliaeuvi.zip.net
    http://www.navileinad.blogspot.com
    http://brasilia2013.blogspot.com/

    Visitem e apreciem!

    Escrito por Dani Guima às 10h12
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    Passagens

    O ritual da dor do parto tem um porquê, tem um significado forte de passagem de um estado a outro. Dizem que a vivência das dores transporta a mulher para um estado de consciência alterado, no qual se torna mais fácil viver a ruptura. Isso também serve para o homem que a assiste e acompanha todo o processo do nascimento. Guardadas as devidas proporções, é tão impactante para o pai quanto para a mãe. O puerpério que, segundo especialistas, dura cerca de um ano, é o período para consolidar essa passagem para um novo status-quo.

    Para quem não viveu um parto natural e submeteu-se a uma cesárea rápida e prática, essa ruptura com o antes parece ocorrer de forma mais lenta. A falta da vivência do forte ritual de passagem do parto – com suas dores e o tempo necessário para que as contrações quebrem as amarras de controle da mãe e ela finalmente se abra em dilatação para a chegada do rebento – torna menos fácil a ruptura dos pais com o modo de existir anterior. O rito do parto parece acelerar o desapego à condição infantil de filhos, daqueles que apenas recebem e são nutridos por seus próprios pais. E, por outro lado, é experiência que fortalece e prepara os novos pais a aceitarem e abraçarem a condição de passarem a ser os doadores, os que nutrem, ensinam e cuidam.

    O parto partiu, separou – o que era um, agora é dois. E um elo precisa ser criado, formado, construído. O que une mãe e filha fora da barriga é a relação que se estabelece de amor, de parceria, de cooperação, de vontade e desejo de viver junto. Para os pais, um novo molde: morrem os filhos que neles residiam, para nascerem os papéis de pai e mãe. São muitos os partos que rondam o nascimento de uma criança: deixar morrer a mulher-filha, para deixar viver a mulher-mãe; deixar morrer o homem-filho, para deixar viver o homem-pai. Outra vez, atravessamos o doloroso processo de vida-morte-vida-morte-vida...

    Tenho me empenhado em aprender que existir é viver sucessivas passagens, e na dor dessas transformações, saber aproveitar a experiência para evoluir, criar competências e gozar com os prazeres que a nova condição nos traz.

    Desde bem pequenos vivemos muitas dessas passagens: quando nos percebemos como indivíduos aos nove meses de idade, quando vamos para a escola pela primeira vez, quando vivemos as fortes mudanças da adolescência, quando arrumamos um emprego e passamos a pagar nossas próprias contas, quando saímos da casa dos pais, quando estabelecemos um relacionamento amoroso sério, quando moramos junto com alguém, quando casamos, quando temos filhos, etc. Todas essas passagens parecem ser repetições da maior de todas as passagens, que é o nascimento. Como alguém que vai escrevendo por cima de uma primeira palavra escrita, várias outras palavras, mas sempre com aquela base principal – a ruptura, a passagem, a transformação.

    É momento de dizer adeus aos confortos da forma antiga de vida, pois o novo se apresenta e sobre nós exerce um forte chamado.

    Para exemplificar, é como quando deixamos o conforto das contas pagas, roupa lavada e comida na mesa da casa de nossos pais, para viver a delícia da conquista do próprio espaço – mas que vem acompanhada de novos deveres, como lavar, cozinhar, passar, cuidar, abastecer. Em certa medida, dói sair do conforto anterior, bate um certo medo, um certo banzo, um certo abandono. Saudade dos dias em que passava comendo biscoito e assistindo sessão da tarde, despreocupadamente. Em pouco tempo, no entanto, encontramos nossa forma individual de gerenciar o novo lar. Sabemos direitinho o que comprar no supermercado, nos divertimos chamando os amigos para uma visita, amamos andar pelados pela casa, descobrimos as delícias da privacidade e da individualidade. O luto pela condição anterior cessa e dá lugar ao amadurecimento e à vivência, com naturalidade, da nova maneira de existir.

    Assim é com todas as passagens. Entre todas elas, a mais intensa (talvez porque seja a do momento): aprender a ser mãe.

    Ainda vivo o luto e uma relativa saudade da antiga condição de apenas “mulher-filha”, da pessoa que por anos eu fui, que estava submersa no conforto da individualidade, da liberdade e do egoísmo saudável. Mas que já andava entediada da mesmice, sem saber ao certo o que faltava, o que realmente lhe movia e motivava. Vivo o desconforto e o frigir das transformações intensas. Mas também vivo a alegria pela construção da “mulher-mãe” em mim. Vivo o regozijo dos sorrisos, dos balbucios, dos trejeitos e do novo em minha vida. Vivo mãe de Rafaela. Vivo-morro. Morro-vivo.

    Ainda bem!


    Escrito por Dani Guima às 09h37
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    Filhos...

    Filhos?
    Melhor não tê-los!
    Mas se não os temos
    Como sabê-lo?
    Se não os temos
    Que de consulta
    Quanto silêncio
    Como os queremos!
    Banho de mar
    Diz que é um porrete...
    Cônjuge voa
    Transpõe o espaço
    Engole água
    Fica salgada
    Se iodifica
    Depois, que boa
    Que morenaço
    Que a esposa fica!
    Resultado: filho
    E então começa
    A aporrinhação:
    Cocô está branco
    Cocô está preto
    Bebe amoníaco
    Comeu botão.
    Filhos? Filhos
    Melhor não tê-los
    Noites de insônia
    Cãs prematuras
    Prantos convulsos
    Meu Deus, salvai-o!
    Filhos são o demo
    Melhor não tê-los...
    Mas se não os temos
    Como sabê-los?
    Como saber
    Que macieza
    Nos seus cabelos
    Que cheiro morno
    Na sua carne
    Que gosto doce
    Na sua boca!
    Chupam gilete
    Bebem xampu
    Ateiam fogo
    No quarteirão
    Porém, que coisa
    Que coisa louca
    Que coisa linda
    Que os filhos são!

    (Vinicius de Moraes)

    Escrito por Dani Guima às 10h21
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    Limpeza por meio da humildade...

    O orgulho, com toda a sua carranca de empáfia e auto-suficiência, é puro disfarce para o medo que temos de contar com alguém para passar por um momento de dificuldade e, no minuto seguinte, perceber que aquela pessoa não está mais lá para nos apoiar. Esse medo de ter apoio num momento e, no seguinte, não ter mais, cria em nós uma defesa bastante óbvia: passamos a nos portar diante da vida como pessoas orgulhosas de saber que conseguimos nos virar sozinhas, que damos conta do recado e não precisamos do apoio de ninguém para passar pelas situações.

    Aprender a passar pelas situações só, pode tornar-se uma defesa bastante útil, pois nos provê com ferramentas e saídas criativas, eficazes mesmo, para que seja possível superar as inconstâncias de um período adverso qualquer. A questão é quando essa defesa passa a ser uma constante no comportamento e entra no automático do nosso modus-operandis. Ao invés de escolhermos o momento apropriado para usar tal defesa, ela é que passa a nos controlar. Quando percebemos, estamos agindo de forma repetitiva, e em circunstâncias em que não há mais necessidade para tanto. Ou seja, as situações externas mudam e continuamos agindo como se não fosse seguro confiar em ninguém. Isso passa a ser empecilho para viver relações com proximidade e entrega.

    Percebi como essa dinâmica atuava na minha vida há poucos anos. Toda a auto-suficiência que aprendi a ter se mostrava para o mundo, por meio de minha atitude, como orgulho e empáfia para alguns – e como eficiência e força, para outros. A forma de falar, sempre firme, como se tudo estivesse sempre sob controle, com ares de dona-da-situação trazia uma falsa imagem de segurança e, principalmente, a impressão mentirosa de que eu me bastava. Esse comportamento passou a ser tão corriqueiro, que até eu mesma passei a acreditar nesse traço da minha personalidade: formou-se a imagem-fantasia de uma mulher forte, poderosa e segura. Pura falácia...

    Há tempos venho tomando consciência dessa defesa e, gradualmente, aprendendo a baixar a guarda, a relaxar, a confiar mais na vida e nas pessoas que me cercam. Nas últimas semanas, porém, um lindo bebê chegou à minha vida. Nasceu Rafaela, minha doce, querida e amada filha. E, com ela, me vi diante de uma super-acelerada nesse processo de perceber e ver o quanto me faz mal viver constantemente dentro da armadura do orguho.

    Esse tem sido um momento duro, impactante, transformador, perturbador. Eu não esperava passar por isso. Justo agora? A vida é mesmo irônica... Saibam todos: durante toda a gravidez de Rafaela, eu nutria pensamentos e fantasias maravilhosas sobre ser mãe. Imaginava momentos ternos, tranquilos e recompensadores – do tipo de propagandas de fraldas infantis. Vislumbrava a mim mesma como uma mãe calma, segura, dona das situações – enfim, tirando de letra o ofício da maternidade. Em menos de uma semana do nascimento, essa ilusão caiu por terra e a realidade tem sido bastante diferente desse sonho...

    A chegada de um filho corresponde à chegada de um novo e totalmente diferente estilo de vida – especialmente quando trata-se do primogênito. O cotidiano muda ra-di-cal-men-te, no sentido mais literal dessa palavra. A gente se vê diante de um ser que precisa de você 100% do tempo, e que manifesta isso por meio de choro e gritos. Essa é a única comunicação que ele sabe fazer, e não é fácil se adequar a ela. Ver seu filho chorando e não saber o que significa pode ser algo muito angustiante. Além disso, toda a sua vida profissional, social, seu tempo para relaxar, suas manhãs preguiçosas do fim de semana – tudo isso lhe é arrancado bruscamente, de uma hora para outra.

    A isso soma-se o delicado processo da amamentação, que é pura doação, um ato de amor. No começo, dói, machuca, assusta. Seu corpo está totalmente diferente – no meu caso, operado numa cesárea. Você fica com os órgãos soltos na barriga, e sangra por, pelo menos, 20 dias seguidos. Dorme pouco e de forma caótica. Isola-se do mundo durante o resguardo. Não bastasse tudo isso, depois de passar pela primeira semana heroicamente, de olhos fechados para todos esses incômodos e novidades, apaixonada pela filhota e seus encantos, vem a tal queda de hormônios. Todas as químicas internas que durante a gravidez estavam nas alturas, caem subitamente dias após o parto. Comigo, foi com uma semana. E veio o blues pós-parto, para não dizer, depressão.

    Toda aquela imagem orgulhosa de mãe-poder que eu nutri durante toda a gestação caiu por terra. Comecei a sentir desespero, agonia, medos intensos. Ouvir o choro da neném me causava (e, às vezes, ainda causa) frio na barriga. Nos primeiros dias dessa tristeza eu fingi que nada estava acontecendo, não conseguia admitir para mim mesma que não estava dando conta sozinha. Não queria precisar de ninguém... ficava pensando: “Como assim, como eu não vou dar conta de ser mãe e viver esse sonho que aguardei por tanto tempo?” Aí vem a culpa, a sensação de inadequação, a impressão de fracasso: “Que tipo de mãe sou eu?” Fiquei fritando minha alma com esses pensamentos e questionamentos até que desabei. É químico, físico, não dá para controlar essas sensações. Portanto, não há culpados, julgados e condenados.

    No meio dessa queda, um grito de socorro: por favor, preciso de apoio urgente e agora! Marido, mãe, sogra, psicóloga, amigas... me acudam!!! Corre e toma floral. Corre e faz acupuntura. Me entreguei aos cuidados dos outros, caí, me joguei do alto da minha torre de comando, me despi de todo orgulho e fiz uma limpeza por meio da humildade. Gente, eu preciso de vocês! Eu preciso precisar de vocês! Aquela parte de mim auto-suficiente não tem mais espaço nesse momento. Eu me rendo, eu preciso, eu entendo que ninguém é uma ilha. Percebo, devagar, que posso confiar novamente, que posso precisar e que posso contar com as pessoas. Morre Mulher-Maravilha independente! Nasce Mulher-Humana inter-dependente! Aprendo, humildemente, a contar com as pessoas ao meu redor, a confiar que o Universo sempre me trará circunstâncias e provisões para todas as minhas necessidades, momento a momento, dia após dia.

    Rafaela já chega em minha vida com esse ensinamento: “Mamãe, confia na vida, nas pessoas e no mundo. Se entrega e aprende, finalmente, a contar com os outros!”. Nesse exercício de humildade, apenas abaixo a cabeça e consinto. Chegou mesmo a hora de aprender a receber!

    Escrito por Dani Guima às 12h10
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    Os Filhos

    (Do Livro "O Profeta" - de Gibran Kahlil Gibran)

    Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
    E ele falou:

    Vossos filhos não são vossos filhos.
    São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
    Vêm através de vós, mas não de vós.
    E embora vivam convosco, não vos pertencem.
    Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
    Porque eles têm seus próprios pensamentos.
    Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
    Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
    Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
    Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
    Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
    Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
    O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
    Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
    Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
    Pois assim como ele ama a flecha que voa,
    Ama também o arco que permanece estável.



    Escrito por Dani Guima às 09h25
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    Filha querida...

    Faltam poucas semanas para você chegar a esse mundo. Nesses poucos meses que estamos convivendo já aprendi tanto com você... Aprendi muito sobre mim mesma, pois você é espelho. Projeto sobre sua presença meu amor e minhas qualidades, mas também meus medos e falhas. Nessa aventura tão recente, você já tem sido de uma maestria tão grande, que mal consigo compreender... No começo, embora eu e seu pai estivéssemos torcendo e esperando pela gravidez, vivemos um breve momento de susto. Desejávamos sua presença com todo o nosso coração, mas em nossas mentes pairavam diversas perguntas relativas a nós mesmos: “Vamos saber educá-la? Seremos bons pais? É seguro viver nesse mundo?”

     

    Tudo isso, filha, porque gostaríamos de dar sempre o melhor para você. Em nossas fantasias mais infantis, esse planeta seria perfeito, multicolorido e cheio de coisas boas somente para te alegrar. Mas, por hora, não é assim que o mundo gira, querida menina... O anúncio da sua chegada, portanto, fez crescer e amadurecer em nós a idéia de que, mesmo diante das incertezas, cada segundo da vida é precioso. Espairecemos e tivemos a clareza de que “o melhor ideal” não existe. Porém, pode ter certeza: vamos sim, filha, te dar o melhor – porém, um “melhor real”, “o melhor que pudermos”, dentro de nossos limites e possibilidades. É isso que lhe prometemos com todo a nossa alma.

     

    Compreendemos, eu e seu pai, que somos tão somente instrumentos do Universo para te trazer ao mundo. Não somos seus donos, você não nos pertence. Seremos, sim, seus ‘tutores’ durante os primeiros anos da sua existência-aprendizado. Vamos te acompanhar na sua aventura pelo planeta-escola – planeta esse que também é cheio de imperfeições, pequenina. Mas, tenha em mente que todas elas sempre trazem consigo a capacidade de nos ensinar grandes lições. Não tem maneira de te poupar da dor, de sofrimentos e de quedas. No entanto, temos como te ensinar a aprender nas adversidades e, nelas, se fortalecer, adquirir novos conteúdos e habilidades.

     

    Estamos há mais tempo do que você nessa caminhada. E, por isso, é nosso dever te ensinar, te cuidar, te proteger. Mas lembre-se, filha querida: assim como você, também somos seres humanos. Também estamos na nossa existência-aprendizado. Portanto, estamos também em construção daquilo que um dia seremos. Temos certeza que, nessa empreitada, a sua presença será repleta de ensinamentos valiosos. E, por isso, desde já, lhe somos muito agradecidos. Graças, filha!

     

    Nesse seu caminhar, esperamos te ensinar e, junto contigo, aprender e apreender muitas lições:

    ... que o propósito de viver nesse planeta tem muito pouco a ver com ‘estar seguro’ e ‘viver apenas coisas boas’;

    ... que a nossa realidade externa é reflexo do que somos por dentro. Portanto, se nós queremos um mundo cada vez melhor, vibremos então nesse sentido, e ele assim será;

    ... que somos Um, filha. Sei que parece esquisito, mas estamos aqui para entender que tudo que fizermos tem uma repercussão na vida de todos os demais. E vice-versa. Assim como, tudo que você um dia vier a ser, será fruto de cada experiência, de cada conversa, de cada pessoa que tiver tido a alegria de passar pelo seu caminho;

    ... que nessa vida você vai ter momentos bons e ruins, e que é possível tirar o melhor de tudo sempre – mesmo dos tropeços, que externamente se mostrem ruins. Afinal, filha, “it’s all about love”. Por trás de todos os aparentes erros, existe um ser que deseja, sobretudo, amar e ser amado. A força que move o Universo é o amor. Quem erra, erra tentando encontrar e sentir esse amor. Portanto, o melhor que podemos fazer é aprender a ver além das aparências grosseiras dos fatos desagradáveis, e perceber que a busca é sempre uma só: amor! Por mais que as pessoas deturpem o sentido disso, essa é a única energia que existe;

    ... que nós, filhinha amada, somos esse amor. Nós somos um só ser. Você vai ouvir falar de ciúmes, insegurança, medo de perda... mas vai ouvir falar também que precisamos nos liberar para entender que tais sentimentos não têm sentido algum. Afinal, como podemos ter medo de perder alguém, se nós somos um? “Somos parte de cada ser que aqui habita e, sendo assim, não necessitamos ter medo de estar separados de nada nem de ninguém, pois estamos aqui, todos juntos, somos UM!”;

    ... que existe algo muito maior do que nós, que é esse amor. Ele recebe muitos nomes, mas é uma coisa só. E é nele que precisamos confiar nossas vidas. Eu espero que, com sua presença, eu possa aprender a me entregar a esse poder, cada vez mais;

    ... espero, por fim, filha, poder te acompanhar nessa linda jornada, sempre com respeito e reverência ao seu ritmo, ao seu tempo, à sua forma de ver a vida e a todas as escolhas que vier a fazer. Rir contigo, sentir alegria com as suas conquistas, te ouvir, te abraçar nos momentos de possível imprevisão, estar contigo e ser, também, um espelho para você. Já te amo com todo o meu coração, Rafaela!

     

    Sê bem-vinda! Amém!



    Escrito por Dani Guima às 16h47
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    A Dor de Crescer

    Reli vários dos meus textos anteriores e vi o quanto um tema é sempre recorrente: a busca neurótica que tenho pela perfeição. Passo vários momentos, escrevo várias reflexões e palavras procurando me convencer de que viver em perfeição não é possível. Antes, pelo contrário, faço de tudo para mostrar a mim mesma que é uma ilusão, uma limitação na forma de ver a vida. Dou de cara, mais uma vez, com a pequena ditadora que reside em mim, a criança ferida, mimada e teimosa. Quanta resistência, quanta dor ela me causa!

     

    Tenho vivido feito escrava dessas exigências infantis. Num primeiro momento, achava que o mundo deveria ser perfeito. Inclusive assumo que me formei em jornalismo, pois acreditava que, nesta profissão, poderia contribuir – nem que fosse um pouco – para esse sonho megalomaníaco se concretizar. Tentei por algum tempo e desisti. Fui aos poucos percebendo que a sociedade não se cura como um todo, mas sim de forma individual. O verdadeiro trabalho é a mudança interna, em cada um de nós. Desisti de querer fazer justiça nas denúncias e matérias que escrevia, nos lugares que ía, onde trabalhava, ou nas rodas de conversas que freqüentava. Entendi que não é assim que funciona. Foi um alívio! Cheguei a pensar que estava curada...

     

    Mas o círculo de exigências foi se fechando, e essa demanda infantil passou a se restringir às pessoas mais próximas de mim. Ao meu marido, aos meus amigos mais próximos, à minha família. E, quanto maior a proximidade, mais essa dor voltou a doer. Dou-me conta do quanto essa criança ainda fala alto e, cada vez mais, tem necessidade de gritar. Sinto-me ridícula, reconheço a parte déspota que existe em mim.

     

    Porém, já não quero me esconder mais desta descoberta. Se o primeiro passo para se livrar de algum aspecto-sombra é mesmo o de sair da negação, me lanço com fé nesta caminhada. Quero chegar ao fim dela de braços dados com minha humanidade. E com a humanidade dos outros também. Especialmente dos mais próximos a mim, daqueles que mais atiçam a minha criança ferida, mimada, raivosa e vingativa.

     

    Quero ver essa menina assustada crescer e desabrochar. Florescer em flores e frutos, como uma linda árvore que lança suas raízes num terreno de compaixão, aceitação e entendimento. Imagino a criança birrenta abrindo espaço para uma moça-mulher-borboleta. No meu sonho, ela sai de cena e abre alas para um novo ser cujas expressões se revelam em confiança, segurança e firmeza. A moça-mulher-borboleta sabe que dá conta de viver na dualidade. Vê oportunidade nas adversidades da vida. Aprende com as quedas. Sacode a poeira e segue firme adiante, com a certeza de que o Universo é amigável com ela. E com a esperança de que, de fato, ela merece viver de forma plena, leve e simples.

     

    Por agora, navego apenas no vislumbre desse lindo sonho-cenário. Mas já consigo sentir seus cheiros doces, ouvir suas gargalhadas honestas, tatear seus macios lençóis de seda. Acredito e peço a Deus que me ilumine, me dê forças e sabedoria para criar essa realidade. Partilho aqui a minha dor de ainda não ser, com a impressão de que me sinto mais leve no compartilhar. E, também, com a pretensão de ser útil aos que me lêem.

     

    Expresso, logo vivo.



    Escrito por Dani Guima às 15h45
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    Oração de Confiança na Vida

    Chegou a minha vez de confiar na vida e de, nela, me sentir sempre segura e confortável...

     

    Chegou a hora de relaxar, sair do alto da torre de comando, largar as rédeas do controle e me embalar no colo confortável da fé e da esperança...

     

    Chegou o momento de me sentir segura de viver o contato próximo e me permitir o verdadeiro prazer. O gozo de andar tranqüila, com o coração firmado na certeza de que o Universo é amigável comigo...

     

    Chegou uma vontade forte – muito maior que o medo e o alerta. Essa vontade quer se enrolar em lençóis de seda, cor de rosa chá, com cheirinho de lavanda e vista para o mar...

     

    Chegou aquele ponto da vida em que a gente deixa para trás as frustrações de criança e passa a dar passos firmes, mas graciosos, de adulta resoluta e confiante de que vai sempre dar conta...

     

    Chegou a chance de perceber que, mesmo nas piores horas, elas sempre chegam junto com um grande aprendizado. E que aproveitá-las é tão somente uma questão de escolha...

     

    Chegou o instante de entender que é preciso ter muita coragem para ser feliz e viver o prazer de estar viva a cada átimo de instante...

     

    Chegou o tempo de aceitar a realidade de que a Luz sempre me assistiu e me assistirá em todos os momentos. Que sou filha abençoada de Deus e por Ele cuidada com todo o carinho e atenção...

     

    Chegou o sinal derradeiro de que o inverno passou, e de que a primavera quer me presentear com brisas frescas e campos verdejantes...

     

    Olho para o relógio e sinto que é mesmo chegada a hora... Amém!



    Escrito por Dani Guima às 14h29
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    A Sombra da Ajuda

    O que realmente está por trás da nossa vontade de ajudar alguém? Essa é uma questão delicada. Qual tipo de ajuda é realmente válido? Quando ajudamos alguém, estamos num papel que vai muito além do personagem benemérito e generoso de uma Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. Ajudamos, também, porque queremos nos sentir bem. Desejamos ser bem vistos, ser reconhecidos como pessoas boas e, assim, obter os tão desejados amor e reconhecimento.

     

    Num dos filmes mais surpreendentes que assisti na minha vida, justamente pela sua sutileza, o protagonista se encontrava em maus bocados e comentava a situação: “Quando você vive um verdadeiro fiasco consegue perceber o quanto as pessoas que estão ao seu lado neste momento se sentem ainda mais vivas, simplesmente por não estarem naquela mesma situação”. Nessa linha, muitas vezes ajudamos os outros por motivos estranhos... Para nos sentirmos mais vivos. Para contar com a admiração e a gratidão dos amigos. Vivemos seus problemas e ocupamo-nos de ajudá-los, pois, dessa forma, estamos distraídos das nossas próprias questões. E mais: quando ajudamos alguém vivendo os problemas dele como se fossem nossos, podemos muitas vezes estar lhe tirando a grande oportunidade de aprender na adversidade. Na tentativa frustrada de poupar alguém de um problema podemos estar, na verdade, poupando-o de um grande crescimento.

     

    Como você pode observar, o verbo “ajudar” guarda muita dualidade em si. E se parar bem para pensar, verá que lá no fundo de você mesmo, num local além da negação e do orgulho, isso é verdade. Essa atitude tem um fundo de carência enorme, um desejo desesperado de ser útil e necessário para as demais pessoas. Ninguém quer ser esquecido ou deixado de lado. E quer saber? Não tem nada de errado com isso. É algo absolutamente natural. Falar disso é somente mais um passo rumo ao despertar de si mesmo. Uma vez que o propósito dessa coluna é a busca da conscientização das nossas atitudes, vale olhar para essa questão quase sempre ignorada ou seguramente disfarçada pelos bonzinhos de plantão.

     

    Estar consciente da sombra que se esconde por trás da ajuda é um grande passo na compreensão das nossas necessidades mais íntimas. Quando sabemos quem realmente somos e o que queremos, ficamos mais perto da liberdade. Conseguimos nos livrar, nem que seja só mais um pouquinho, dos ditames de nosso ego dissimulado. No entanto, isso não quer dizer que devemos abandonar o próximo na rua da amargura. Existe uma diferença essencial entre ajudar alguém dessa forma inconsciente, e estar simplesmente aberto e disposto a apoiar um amigo. Posso dizer que os momentos em que me senti mais amparada foram aqueles em que pude contar com uma presença tranqüila, leve, quase silenciosa. Desse jeito, é possível ser útil de uma forma autêntica, profunda, mas nada intrusiva.

     

    Para alcançar isso, tenho procurado estar atenta a alguns pontos específicos. Entre eles, esperar que a pessoa peça a minha intervenção – ao invés de eu sair oferecendo soluções e distribuindo colo e conselhos gratuitos. Outra coisa: quando me pego muito ansiosa nessa suposta postura de ajuda, paro tudo e começo a me questionar sobre o que realmente está acontecendo dentro de mim. Saio atrás de descobrir quais são as minhas reais necessidades para estar colocando tanta energia naquele assunto. Só de fazer isso consigo me acalmar e perceber que talvez eu esteja metendo os pés pelas mãos, atropelando meus amigos e lhes tirando a própria chance de encontrar suas próprias soluções. Estarmos atentos a esses detalhes é questão de prática. Sinto que, aí sim, passo a ser verdadeiramente útil para alguém e para mim mesma.

     

    Beijos a todos!



    Escrito por Dani Guima às 17h08
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    Viva os outros!!!

    Todos os dias estamos cercados por inúmeros outros. O padeiro, a telefonista, o taxista, nossos pais, o companheiro de vida. Todos são espelhos de nós mesmos, reflexos do que somos e do que projetamos para o mundo. Muitas das vezes não gostamos do que vemos nessas imagens – elas podem se mostrar feias, grosseiras, acusadoras, cerceantes. Em vários outros momentos, o reflexo é gentil, calmo, carinhoso, verdadeiro. Independente de como essa projeção se mostra, ela é a razão e o motivo pelo qual convivemos.

     

    Munidos de um olhar atento, compromissados apenas com a verdade e com o desejo sincero de nos responsabilizar pela própria vida é possível fazer dos outros o melhor instrumento de auto-observação e autotransformação. Quando insistimos em fechar os olhos para as reações não-desejadas que vêm das pessoas entramos no modus operandis de responsabilizar a todo o mundo, menos a nós mesmos por isso. Usamos os dedos indicadores em riste e, como um revólver que cospe balas perdidas, saímos por aí distribuindo culpas, julgando erros alheios, ditando regras de como a vida deveria ser segundo nossos desejos.

     

    Quando apontamos para alguém – e sugiro que neste momento você faça o sinal de apontar com a sua própria mão – observe que três dos outros dedos da mão estão apontados para nós mesmos. E assim É! Por mais que as pessoas façam erros grotescos conosco, somos nós quem as damos esse poder, essa oportunidade. Somos nós que ditamos o quanto essas ações vão nos afetar. Quando recebemos uma resposta não-agradável da vida, é hora de parar e refletir sobre o quanto e de que forma contribuímos para a criação desse cenário. Que parte de nós vem à tona quando tais situações acontecem? É mesmo muito fácil culpar os outros. Dessa maneira, passamos a vida olhando para fora, tirando o foco daquilo que podemos fazer, nos redimindo da ação definitiva que podemos ter sobre nossas existências. Esse jogo pode e deve virar!

     

    Se passarmos a ser o protagonista da nossa própria vida, veremos que é extremamente recompensador assumirmos total responsabilidade sobre ela. E, nessa caminhada de olhar para dentro, os outros são sempre o melhor espelho, o caminho mais rápido para observar as reações, as emoções, os traumas, as dores, os medos. Pode parecer dolorido fazer isso, porém encarar o nosso lado obscuro é o primeiro passo para uma libertação definitiva. Reprimir a dor, suprimi-la, fingir que ela não existe dá muito mais trabalho. Isso sim, dói bem mais!

     

    Observá-la, no entanto, a enfraquece. Tudo que a dor quer é ser compreendida, ser vista, explicada. Ela quer se desfazer e se mostrar com seus porquês. Entrar em contato com os outros – especialmente aqueles que mais nos incomodaram e mais sofrimento nos causaram – é uma preciosa oportunidade de se ver e se superar. É a partir desse momento que desembaraçamos fantasias, exorcizamos fantasmas, atualizamos informações, definimos limites e nos tornamos aptos a escolher com mais clareza a direção a seguir. Por isso tudo: Viva os outros!!!



    Escrito por Dani Guima às 09h37
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    Aceita-ação

    Dentro de todos nós reside um pequeno ditador. Ele fica lá, do alto de sua torre de comando, distribuindo regras e controlando todas as situações à sua volta. Esse mini-Hitler vive as frustrações de maneira inconformada. Não as aceita e, como uma criança birrenta e mimada, tenta tirar as calças pela cabeça – de tanta raiva que sente. Raiva da situação imprevista, da falta/buraco que ficou, do amiguinho que não conquistou, dos pais que não lhe deram aquele brinquedo, do amor que não recebeu, da mamada que não pôde ter, da família perfeita que nunca existiu. E essa raiva fica, permanece e se esconde entre-linhas na escrita da vida.

     

    As ilusões/fantasias se impregnam na psique da criança e se perpetuam. Em geral, tais impressões ficam extremamente bem escondidas e guardadas num canto escuro da consciência, à espera de que uma certa sequência de fatos faça-a pular para fora feito bicho. E quando vem à tona, essa resposta se mostra com enorme força, feito uma onda gigante. Isso acontece pelos longos anos em que a fantasia permaneceu guardada, asfixiada, escondida como uma grande vergonha. Um enorme esforço foi feito na tentativa de conter essa dor. Ao reprimi-la, essa energia acaba por se fortalecer e se corromper/perverter ainda mais. Diante disso, é hora, portanto, de ver, olhar e deixar submergir toda dor e frustração – e a raiva subsequente que se seguiu a elas. Eis um dos primeiros passos rumo à libertação desses padrões obscuros e desconhecidos.

     

    Olhá-los de frente, encará-los com ternura, observá-los livre de julgamento. Entendê-los com o coração fortalecido em compaixão e compreensão. Entrar em contato com essa dor, observá-la e deixá-la passar. Sim, porque essa dor não vai durar para sempre. Especialmente se a deixamos se manifestar. Aliás, não é a dor em si que obstrui o caminho da evolução, mas antes “a exigência de que a vida deve ser perfeita e de que lhe deve ser entregue em sua perfeição. Se você for bastante fundo, irá inevitavelmente descobrir que existe uma parte sua que nega a dor e a frustração; um lugar onde você abriga a raiva e o rancor por não existir uma autorização amável e disponível que eliminará por você as experiências que lhe são indesejáveis”*. É nesse mesmo lugar que vive nossa criança ferida, nosso mini-ditador, os limites e nossas frustrações que se tornam sacos-sem-fundo desde a infância e que, se não tiverem a devida atenção, seguem nos acompanhando vida afora.

     

    A realização pessoal não é fruto de uma vida perfeita. É, sim, resposta natural a uma atitude transformadora e competente, mesmo diante de situações adversas. A satisfação interna é ainda mais forte quando, diante de um desafio, a resolução do mesmo expande a percepção da própria força, desvela o desenvolvimento dos talentos e o quanto somos ricos em recursos e plenos de habilidade criadora. “Quando você adotar esse modo de viver, problemas externos ocaionais serão o sal da sua vida e se tornarão quase agradáveis. Eles serão cada vez mais raros, e um viver de paz, de alegria e de criatividade se tornará a regra”*.

     

    É chegada a hora de viver em aceitação – conceito que nada tem de passividade. Mas que, por outro lado, é repleta de ação – a ação de aceitar a vida e as circunstâncias que se sucederam nela. Aceita, respira. Aceita, respira. Entende o ciclo de vida-morte-vida-morte-vida-morte-vida... Simples assim. E o que fazemos desses ciclos será nossa ruína ou a nossa maior riqueza. Deixe que sua criança ferida venha e lhe dê todos os recados. Deixe-a falar, mas apenas por tempo suficiente para observar e esvaziar seus conteúdos. Não se identifique com ela. Mas antes, compreenda-a com compaixão e acalme-a, aceite-a e dê o exemplo da aceitação.

     

    Mostre-a como funcionam os ciclos da vida. E como é lindo fazer deles o melhor que pudermos. Abra para ela o universo de infinitas possibilidades de superação das frustrações e das raivas. Apresente-a às inúmeras habilidades que é possível criar a partir do desejo não-realizado. Resgate-a daquele mar agitado de desordens, e ensine-a a boiar na água, entregue ao fluxo da vida, com confiança na própria capacidade de evoluir em qualquer que seja a situação. Eis o exercício da aceita-ação!

     

    * Trechos citados a partir do livro “O Caminho da Autotransformação”, por Eva Pierrakos.



    Escrito por Dani Guima às 09h19
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    Nos braços de um anjo

    Acabei de assistir o filme Cidade dos Anjos pela enésima vez. Mas como o rio em que pisamos nunca é o mesmo, pois novas águas sempre passam por ali, digo que assisti-lo foi como encontrar essa história pela primeira vez. Um anjo que ouve a música do Universo em todo o nascer do Sol e todo o pôr do Sol. Um anjo que não sente dor, não conhece a fome. Que confia na ordem do universo, que desconhece o apego, o medo de perdas, o pânico da entrega, do contato... Esse mesmo anjo que vive em paz, livre dos percalços da vida, começa a ser invadido pelo desejo de viver na carne.


    Ele quer experenciar a aventura do existir. A intensidade de um toque. A leveza do vento. Quer conhecer o cheiro da chuva, quer sentir. Sai dos braços de uma condição livre da dor (unidade) para experimentar sensações (dualidade). Ele se percebe sendo visto por uma mulher, se sente ‘tocado’ por essa possibilidade, e se apaixona pela vida humana que existe com toda a sua imprevisibilidade. E Seth escolhe, no final das contas, sair daquele mundo de beleza e viver a grande aventura de ser humano. Ele topa se sujeitar a toda sorte de situações que provém de um mundo habitado por seres que têm o livre arbítrio. Riscos enormes que evidenciam situações boas e ruins, de prazer e de dor. É no mistério da dualidade que a gente se perde, e que a vida se faz. Se não houvesse perda, não saberíamos do que é feito o ganho.


    Ele morre para a eternidade, para a vida pacífica e linda dos anjos. Ele escolhe morrer para uma existência livre da dor e da destruição para poder sentir. Cai, se machuca, se torna humano. Se levanta, sai correndo pelo mundo para encontrar aquela mulher. Conhece a limitação da distância, descobre a necessidade de ter dinheiro para se locomover, é assaltado por homens que levam seus sapatos e o machucam. Fica à mercê do livre arbítrio de algum ser humano que possa lhe dar uma carona e o levar ao destino final do seu grande salto rumo à vida.


    Depois de uma longa experiência humana, ele a encontra fisicamente. Ele a toca, a sente, a beija, a penetra, a ama com seu corpo inteiro. Se perde em cheiros, toques, calores, sensações puramente novas. Experiencia a carne. Respira o ar, sente sono, adormece. Vive aquela paixão com toda a intensidade, se aventura numa existência de inúmeras sensações. E eu, que tenho me encontrado numa luta constante contra as imperfeições da vida; que me vejo sonhando com um mundo onde apenas o amor, as boas virtudes, a ordem e a paz reinassem; que queria ser como um anjo, que desconhece tudo aquilo que nos tira o chão – as dores, os medos, o terror de perder... me deparo com a história de um anjo que quer o exato oposto: deseja ser como eu. E mais. Um anjo que aceita paga o alto preço da condição humana, que é estar ao sabor dos inconstantes humores da vida.


    Não por acaso, no dia seguinte desse encontro de amor na carne, ela morre. Penso num átimo: “viu como foi louco de abrir mão dessa vida de anjo?” Ele se desespera, passa por um inferno, se questiona sobre se Deus o está punindo, mesmo sabendo que isso não passa de ilusão. Sente raiva, se revolta, vive o outro lado da humanidade – aquele que contrapõe as alegrias de forma tão intensa. E – por nenhum segundo que seja – Seth se arrepende da sua decisão: “Eu preferiria sentir o cheiro dos seus cabelos uma só vez, beijá-la uma só vez, sentir um único toque da sua mão do que passar a eternidade toda sem isso”.

     

    Algo em mim entende esse pensamento, concorda e silencia. Dia após dia ele vai se levantando daquela dor. Experimenta novas sensações, dá valor à vida que conquistou. Seja no provar de um pêra suculenta, ou num mergulho no mar. Sente a correnteza das ondas, a vibração do ar nos seus pulmões, salta, grita, sorri. E vive. Para ele, valeu cada segundo. E ainda vale. Será que preciso ser um anjo para reconhecer o valor da existência enquanto ser humano?


    Viver parece mesmo ser uma experiência única. É uma grande aventura para a qual temos que nos entregar. Ou então passamos o resto dos nossos dias debaixo da cama, escondidos de situações adversas. Experenciar é viver, conhecer, se aventurar. Aprender, cair, levantar, ver a beleza, escolher enxergá-la. É uma perspectiva única e intensa, capaz de ensinar tanto e de forma tão definitiva. Respirar, sentir, amar. Gerar uma vida, dar oportunidade para que um outro ser conheça esse mundo repleto de sensações. E, no final, olhar para trás e ter certeza de que valeu cada segundo. Lembrar de tudo que sentiu, que viveu, as delícias, as loucuras, os dissabores. Tudo É! Tudo realmente É nessa incrível aventura do viver. Então que eu viva e deixe viver!



    Escrito por Dani Guima às 10h24
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    Falta Eu

    O vazio aqui dentro, que me entristece e me faz querer preenchê-lo com distrações diversas. Doces, beijos, sexo, roupas, cigarro, drinques, presentes, dinheiro, poder, controle – sensações quaisquer que me anestesiem e me façam esquecer desse buraco. O que falta tanto dentro de mim? Dói perceber e falar dessa lacuna, dói senti-la e reconhecer sua existência. Em algum momento na infância faltou carinho, faltou presença, faltou diálogo e clareza. Essa sensação é um reflexo da ilusão de estarmos separados do Todo. Esse Todo que alguns chamam de vida, consciência, de Deus, o Pai que nos ama incondicionalmente.



    Por mais dolorido que seja, esse buraco é professor. É bem verdade que a maior parte do tempo é apenas uma enorme pedra no caminho. Porque, para ser professor, eu preciso ser ouvidos. E essa postura de aprendiz demanda trabalho, dedicação, consciência e presença. É preciso sair da preguiça, da tendência insolente que nos puxa para baixo. Se esse buraco é instrumento de aprendizado, por que quero tanto me livrar dele? Mais uma vez a preguiça e a postura do “venha a nós o Vosso reino”. Queremos tudo pronto, tudo fácil, concluído, facilitado, resumido.



    Ouvi uma vez: “Deus não quer que você fique mendigando suas graças. Deus te quer como parceiro de trabalho. E tudo mais lhe será dado”. Fez todo o sentido para mim. “Bingo, é isso!”, pensei. Ele quer a gente junto, descobrindo nosso poder de transformação, de transmutação da nossa realidade por meio da VONTADE. É a tal força de vontade, o motor motriz de todo e qualquer passo adiante. Quando nos tornamos parceiros do Pai, desse Aprendizado Maior, da Evolução, por assim dizer, nos transformamos n’Ele próprio. Acessamos a parte dEle em nós. Entramos em contato com essa fagulha, esse Eu Superior que nos ensina e nos acompanha a cada momento. Ele está sempre junto a assoprar em nossos ouvidos a direção a seguir.



    Agora olho para esse buraco e finalmente percebo o que tanto me falta: falta Eu! Falta esse Eu maior que existe em mim, como possibilidade, como potencial latente, gritante, pronto para sair a qualquer convite. Percebo que é hora de sair da posição de vítima, de bonequinho nas mãos do destino, de mero espectador da boa vontade de uma força maior. Isso é tudo que a Evolução nos pede. Ela nos quer como parceiros, atentos, conectados, ouvintes dedicados desse Amor Maior. Ele já está em nós, juntinho, colado, à espera de qualquer sinal para se manifestar. Não tem pra quê pedir nem mendigar. Centra, entra dentro, mergulha nessa fagulha do Pai que está em nós, conecta, vive cada momento assim... e qualquer dor, vazio, buraco terá sido curado e preenchido com a mais doce e completa das sensações.



    Coitadinhos querem milagres, curas instantâneas. Mendigam esse carinho da Vida e passam a contabilizar suas boas ações para se sentirem no direito ou não de negociar esse troco. Deus quer sócios, conscientes da sua natureza divina, da sua filiação divina e do seu potencial de co-criadores. Temos todo o Universo dentro de nós, podemos criar o que quisermos para nossa realidade. Quando orar, peça força e sabedoria para se lembrar dessa realidade o máximo de tempo que puder. É o único pedido necessário.



    O buraco é ilusório. É a ilusão de que estamos separados do Todo, dessa possibilidade divina de Evolução. No nosso planeta-escola, no estágio em que estamos, a ilusão é professora. É ela que nos impulsiona a descobrir a Verdade. É ferramenta de transformação e conscientização do nosso grande papel de pintores da nossa realidade. O caminho para se livrar de ilusões, fantasias de impotência e vitimização é um só: uma viagem linda para dentro de si. É colocar-se diante das situações com a atitude do que quer se auto-compreender.



    Com essa atitude operante, o conhecer-se acontece por meio de qualquer coisa: de músicas, filmes, conversas, orações, terapia, leituras, sensações, meditações, insights. Volte para dentro de si e, essa sim, será a melhor maneira de se livrar da ilusão do buraco, da falta, da separação, do abandono, do medo de perda, do não pertencer a nada – sensações essas, todas professoras da maravilhosa lição do Amor. Aceite-as, abrace-as, compreende-as como veículos de transformação. E elas já terão sua missão cumprida e poderão partir. Assim seja!



    Escrito por Dani Guima às 08h52
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    Princípio 5: "Receptividade"

    "Se para ti estiverem bem o dia ou a noite, verão ou inverno, e todos os demais pares de opostos e polaridades, é porque já haverá superado as contradições”

     

    Desde muito cedo aprendemos que tudo na vida é dual, tem dois lados. Vivemos em uma sociedade onde ainda impera a visão do “ou isso, ou aquilo”. A partir daí, definimos um tratado em que constam todos os nossos gostos, as escolhas que vemos como aceitáveis ou não. Passamos a rotular e modelar todas as situações de acordo com essa cartilha, limitados a julgamentos excludentes.

     

    Essa é uma visão que divide, no lugar de unificar. Esse modo de olhar, cindido ao meio, nos faz estar colados a extremos, escravizados pela dualidade. Viver dividido em contradições, identificados com uma coisa ou outra, é estar imobilizado, inerte e ver as coisas sob um foco bastante pequeno. Ao nos identificar com os extremos – a alegria ou a tristeza, o dia ou a noite, a calma ou a agitação – perdemos tudo o que o outro lado não-escolhido nos oferece. E, mais importante: passamos a ser prisioneiros de uma situação específica. “Só me sinto feliz quando estou num relacionamento” – eis um exemplo de afirmação que engessa e previne a pessoa de experenciar os aprendizados que um período de solidão pode lhe trazer. Dessa forma, o único que conseguimos é deixar de evoluir e aprender com todas as situações que se apresentam.

     

    Se conseguimos nos manter desidentificados, passamos a estar livres do apego ao sofrimento ou ao prazer. Não que sentir prazer seja ruim. Mas, quando este se torna condição fundamental, um vício ou uma condicionante extrema de felicidade, ele acaba por tornar-se um agente escravizador. Passa a condicionar o “estar bem” a uma condição muito específica. Mas, por outro lado, se aprendemos a nos adaptar e nos manter satisfeitos tanto de dia como de noite, seja sozinhos ou acompanhados, com ou sem dinheiro, em qualquer situação, se conseguimos nos equilibrar e tirar proveito de quaisquer situações, teremos, então, superado nossas contradições.

     

    Somos constituídos, basicamente, de três centros – somos um corpo físico, um corpo emocional (de desejos), e um corpo mental (onde residem pensamentos e metas) – e, também, temos o corpo da vontade. A contradição aparece quando a Vontade, o Ser Consciente que há em nós, sabe que tem algo a fazer, mas algum desses três centros se recusa. Uma pessoa mergulhada em contradições não-conciliadas deixa de avançar no seu plano de evolução. Dentro desse círculo vicioso, as situações se repetem na esperança de serem entendidas e superadas. É a prisão da alma.

     

    Na visão unificada, temos a chance de ver a natureza dual da vida como uma vantagem e tirar proveito de todas as vivências que se apresentam. Quando um ser chega ao ponto de se desidentificar de tais circunstâncias, se libera do círculo vicioso e passa a ter o poder de agir como quiser. Passa a ser livre. Nosso trabalho deve, portanto, visar à alteridade – a unidade na dualidade. Estarmos repletos de contradições não é o problema. A questão é que precisamos ter consciência das mesmas, para aprender o que fazer com elas. Quanto mais contradições tem uma pessoa, mais rica e cheia de possibilidades de superação ela é. Conheça as suas e verá o quanto tem a aprender com elas.



    Escrito por Dani Guima às 10h02
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    Se doar ou se anular... Você sabe a diferença?

    Eu ainda não sei. Mas estou começando a vislumbrar ao longe a diferença entre essas duas ações. Sou filha de militar e já pequenininha lembro da frase que havia no quartel onde meu pai trabalhava: “quem não vive para servir, não serve para viver”. Depois vieram os anos seguidos de desenho animado e historinhas da Disney nas quais romanceavam sobre as vantagens de bancar a “gata borralheira” – a que faz tudo, cuida dos outros, é a vítima injustiçada e que, por tudo isso, acaba virando princesa no final da história. Em seguida veio a religião, a espiritualidade mostrando que a melhor forma de aprender é ensinar; que ao apoiar o outro, estamos apoiando a nós mesmos... E de fato o é. Creio, no entanto, que fiz grandes erros de interpretação.

     

    No afã de ser amada e reconhecida como uma pessoa “do bem”, cometi diversos abusos contra mim mesma. Vinha cuidando antes dos outros do que de mim. E isso tem tantas implicações inúteis e, ao mesmo tempo, revela verdades tão cruas, que dá até para listar algumas conclusões:

     

    1)     Absolutamente ninguém pode viver por ninguém, tomar decisões por ninguém, sofrer por ninguém. Não existe tal possibilidade e isso chega a ser uma demonstração de megalomania;

    2)     Sim, megalomania no sentido de achar que somos a pessoa a saber o que é melhor para o outro. Atitude sem noção: sobra vaidade e falta desconfiômetro;

    3)     Provavelmente esse lance de viver em função dos outros, ser o bonzinho da história, ‘aquele que se doa’ pode ser uma engenhosa artimanha do ego para nos distrair dos nossos próprios problemas. Tóin!;

    4)     O amor e o carinho precisam ser antes voltados para nós mesmos. Só assim estaremos bem, inteiros, para poder prestar algum auxílio efetivo...;

    5)     ... Auxílio este quando RE-QUE-RI-DO. Por dois motivos: para que ele tenha valor para você e para quem pede; e pelo fato que dar conselhos, apontar caminhos a alguém, é uma tremenda responsabilidade. Pense MUITO bem antes de “puxar algum karma para você”;

    6)     Um filme fofo que assisti e que aparentemente é mais um daqueles que vemos em despretensiosas sessões da tarde, entregou-me lição das mais pertinentes. A história era mais ou menos assim: um cara morria e ia para a Cidade do Julgamento, onde seria avaliado sobre sua vida na Terra. Ele estava conversando com seu “advogado” sobre os critérios do julgamento e ouve a pergunta: “Você foi generoso na sua vida?” O pobre réu, bem confuso, se preocupa: “Quanto é necessário doar para ser generoso? Eu ajudei algumas instituições de caridade, blá blá blá”. O advogado fita o homem com um olhar bem grave e diz: “Acho que você não entendeu. Vou ser mais claro. A pergunta mais exata é: você foi generoso com você mesmo na sua vida na Terra?”... O coitado, obviamente, não entende nada e fica no vácuo, com a maior cara de interrogação. Você, leitor, também não entendeu nada? Pois está na hora de rever seus conceitos;

    7)     Jesus Cristo foi claro: “Ame o próximo como a ti mesmo”. Em função da culpa, tem muita gente cuidando só do “próximo”, e quase nada sobra para o “a ti mesmo”. O caminho do meio é sempre a meta. É preciso encontrar formas de apoiar alguém sem precisar se anular. Pecado é sentir culpa por sermos felizes, bonitos, por termos dinheiro e por estarmos de bem com a gente mesmo. É tempo de deixar a culpa de lado e se dar o direito de ser feliz. Então seja!

     

    Daniela Guima é jornalista e viveu anos a fio a ilusão de que ser boazinha a faria se sentir amada.



    Escrito por Dani Guima às 10h24
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    Princípio 4: “Harmonia”

     

    Dentro da proposta de apresentar-lhes os 12 Princípios do Bem Viver, chegamos hoje ao quarto deles. O princípio da Harmonia nos entrega o seguinte conhecimento: “As coisas vão bem quando marcham em conjunto, harmoniosamente”.

     

    Como vai sua vida? Essa pergunta será respondida de diversas maneiras. Um executivo anunciará: “Está tudo ótimo. A empresa fechou o ano com balanço positivo”. A mãe dirá: “Graças a Deus, está tudo bem! Todos os meus filhos estão com saúde”. O garotão comemorará: “Melhor impossível. Consegui finalmente comprar o carro dos meus sonhos”. A mocinha exclamará: “Me casei esse ano! Nem acredito!”. O monge agradecerá: “Tenho meditado todos os dias”. A malhadora-viciada-em-academia vibrará: “Minha vida está fantástica! Meu percentual de gordura está em 10%”. Um intelectual, discretamente, se gabará do seu último livro ou do curso de doutorado em que conseguiu ingressar.

     

    Todas essas conquistas são de valor, claro. Não há uma com mais mérito que a outra. No entanto, esse princípio vem mostrar que se estamos dando importância a apenas um de nossos potenciais – e deixamos todos os outros desatendidos – há desequilíbrio. Muitas vezes passamos a valorizar uma parte específica de nós mesmos de forma tal, que chegamos a confundir nossa totalidade com ela. Uma pessoa não é apenas seu emprego, sua conta bancária, sua família, seu carro, sua obra de arte. Não mesmo. Para viver de forma inteira, harmoniosa, é preciso estar com todas as partes atendidas. Não é possível viver apenas para a vida intelectual, e ignorar a importância da família, da saúde física. Todos já sabem no que isso pode resultar.

     

    Existem quatro grandes subgrupos que constituem a Roda da Harmonia: eu mesmo, minha família, meu mundo e o próximo. Esses se subdividem em outros 12 sub-pontos: corpo físico, emoções, mente (pensamentos), força de vontade, pais, companheiro(a), filhos, irmãos, amigos, trabalho, sociedade e natureza. Imagine esses 12 assuntos como se fossem seus 12 filhos. No mundo atual, extremamente voltado para o materialismo, vivemos como pais que dão atenção a apenas dois ou três da ninhada, e ignoram os outros nove ou dez rebentos. Sabemos disso. No fundo, algo sempre nos mostra quando alguma das áreas está desatendida.

     

    Para visualizar isso de forma clara, experimente fazer um exercício. Desenha um círculo e divide-o em quatro partes iguais (com um sinal de + no meio do círculo). Na ponta de cima escreve “eu mesmo”, na da direita “minha família”, na debaixo “o próximo” e na da esquerda “meu mundo”. Agora, do centro da circunferência, ao longo de cada raio, enumera de 0, 10, 20, ..., até 100 (que é o círculo em si). Nesse momento, faça sua auto-avaliação – a mais imparcial e objetiva possível – e atribua notas a si mesmo(a), com relação a cada um dos quatro tópicos. O 100 é a nota máxima, em termos de atenção doada àquele assunto. Num outro momento, experimente fazer o mesmo círculo, desta vez, com os 12 sub-pontos. É ainda mais revelador.

     

    Depois disso, conecta os números marcados entre si, com linhas curvas, procurando formar um círculo. Se não formar um círculo perfeito – que pode permanecer no movimento de rodar tranquilamente, por sua própria força – é porque lhe falta equilíbrio. Isso não quer dizer que seu interesse deve ser de 100. Se conseguir traçar um círculo ao redor dos quatro raios, no ponto 20, já está em equilíbrio. E, à medida que isso acontecer, a escalada para níveis mais altos é algo natural. Desde que contemple todos os pontos de forma consonante.

     

    Ao viver de maneira equilibrada as coisas vão bem. Para alcançar esse estágio, redobre atenções especialmente aos hábitos. Se você só quer saber de trabalhar, trabalhar, trabalhar e não lhe sobra tempo para cuidar de si, de sua família... Desperta! Pois tal característica provavelmente virou hábito. E esse precisa ser desfeito com a construção de um novo comportamento, que demandará tempo, atenção e um exercício de autoconsciência constante. Se você está cansado(a) de ver sua vida escorrendo por entre os dedos, como se não tivesse controle sobre suas próprias emoções e atitudes, anime-se! É possível, sim, vencer a impulsividade que nos leva ao autoboicote: o melhor caminho continua a ser o do autoconhecimento. Acredite e pratique!

     

    Daniela Guima é jornalista.

    (Se quiser ter acesso aos textos originais que ensinam os 12 princípios, escreva para daniela.guima@gmail.com).



    Escrito por Dani Guima às 18h02
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    Princípio 3: “Força”

    Seguimos na caminhada dos 12 princípios, hoje com o terceiro deles: “Retrocede diante de uma força maior, espera que se debilite e, logo, avança com resolução”.

     

    Esse texto é encomenda especial para os esquentadinhos, para os que não trocam uma boa briga por nada. Também é para todo e qualquer um que, vez por outra, perde as estribeiras diante de uma provocação. Quando pisam no nosso calo e o sangue sobe, a chance de sairmos bem da situação vai a quase zero. Ou falamos mais do que deveríamos, ou engolimos o sapo, a seco. O caminho do meio continua sendo a solução: nem tanto ao mar nem tanto a terra.

     

    O princípio da Força é uma orientação para saber como lidar bem numa situação adversa. Quando vier uma força oposta, o que devemos fazer? Esperar, avançar ou retroceder? Esse ensinamento mostra que diante de um ‘golpe iminente’, precisamos retroceder e esperar. Esperar pelo tempo necessário para que essa força se debilite e o golpe seja amortecido. Retroceder e esperar é sinônimo de sabedoria, e não de covardia. Por vários motivos.

     

    Ninguém sabe ao certo se a força que vem é menor ou maior do que nossa capacidade de suportar. É muito subjetivo. Uma pessoa que se superestima costuma reagir a uma força oposta, pois subestima as forças, as situações e as demais pessoas. E, em conseqüência, são aquelas que recebem muitos golpes da vida. O comportamento oposto fala das pessoas que se subestimam e passam o resto da vida assustadas, se anulando em momentos importantes. Para os dois casos, a escolha de retroceder diante de uma força maior, esperar que ela se debilite e, logo, avançar com resolução é o melhor caminho.

     

    É preciso falar da competição que acontece entre a mente e as emoções. Uma parte de nós, a mental, costuma se superestimar. Crê que é grande coisa, enquanto que nossa parte emocional é ferida, porque é a parte que registrou os fracassos e golpes ao longo da vida. É a parte insegura, que teme o julgamento. Quer ser amada e aceita incondicionalmente. A única forma de sair do desbalanceamento entre essas duas partes é conhecer a si mesmo. Começa analisando esses episódios, em que forças contrárias se apresentam.

     

    Use como referência, sempre, a Lei do Retorno, ou Lei de Causa e Efeito. Não falo aqui do conceito de pecado, aquele que diz: “quem faz o mal arderá no mármore do inferno”. Não é disso que falo. Mas de um balanço natural na ordem do Universo. Pára e analisa: até que ponto você tem causado as situações que vêm contra você mesmo? Observa que as causas costumam estar dentro de nós. É grande a probabilidade que você próprio as tenha disparado, consciente ou inconscientemente. E é por isso mesmo que o ideal é retroceder diante dessas forças, pois elas podem ser partes da sua história. Os efeitos (forças contrárias) deixarão de ocorrer, conforme deixarem de ter uma causa.

     

    Essa análise é a que deve ser feita no momento em que, já tendo retrocedido, estamos à espera de a força se debilitar. É a hora de uma revisão sincera e honesta. Olhar os porquês desses eventos e então decidir: quero continuar na repetição desse ato? Para os que desejam sair dos padrões repetitivos, é chegada a vez de avançar com re-solução. Ou seja, com a solução encontrada em si mesmo. Afinal, acabou de descobrir que os seus atos – bons ou maus – disparam, inevitavelmente, forças maiores que têm retorno marcado. Pense nisso!



    Escrito por Dani Guima às 18h02
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    Princípio 2: “Equilíbrio”

    Na rota dos 12 princípios que prometi apresentar, trago o segundo deles: “Quando forço algo a um fim, produzo o contrário a este fim. Tudo que quero lograr tem um preço justo, e devo pagá-lo com trabalho e empenho, ou de qualquer outra maneira, nem mais nem menos”.

     

    Nesses novos estudos que tenho feito, confesso que esse segundo princípio foi um dos que mais chamou minha atenção – tanto por atrair, quanto por causar certa repulsa. Por isso mesmo pensei: ‘aí tem coisa’. É o princípio que enquadra os controladores e, por sua lei de dualidade, também rege os preguiçosos. Os leitores já viram outras reflexões minhas a respeito da busca por uma vida mais leve, menos controladora e organizada. Todos sabem: quando a gente faz planos, Deus senta e ri da nossa cara. Não tem jeito. A vida vem e nos dá uma rasteira. Não há controle, não temos esse poder. Quem acha que tem como controlar os fatos está iludido. É pura fumaça.

     

    O trabalho para abrir mão desse ilusório controle é longo. A gente vai atestando que não dá para controlar, cabeçada após cabeçada. Mesmo anos depois de ter percebido essa verdade, me pego todos os dias reincidindo nesses atos de uma forma padronizada, quase primitiva. É por isso que quando dei de cara com o segundo princípio, estremeci. Eu sabia do que ele estava falando. Ele estava ali, me chamando de burra, tola, ineficiente: “Ô abestada! Se você forçar algo a um fim, vai acabar se ferrando. Não adianta! Não aprendeu ainda?” E, por outro lado, quem também não coloca empenho suficiente, não sai do lugar. É preciso equilíbrio.

     

    Resolvi então, debaixo da minha teimosia burra, dar o braço a torcer, refletir e colocar em prática os exercícios que ensinam esse segundo princípio. E, para minha grata surpresa, tenho conseguido ver como a vida fica mais fácil, mais prazerosa a cada pequena vitória! Tenho assumido minhas impotências para mim mesma. Tenho estado atenta a essa parte dentro de nós que se sabe impotente, mas insiste em forçar. Falo aqui da nossa criança interna, birrenta, impulsiva: “Eu quero, eu quero, eu quero – Eu forço, eu forço, eu forço”. Aplicar isso no convívio com as demais pessoas da nossa vida é um alívio para todos a nossa volta. Agora, aplicar isso no convívio com nossas auto-imposições é li-be-ra-dor!

     

    Afinal, costumamos ser nossos maiores ‘carrascos’. E também nossos maiores ‘justificadores’, especialmente quando não colocamos a energia suficiente para realizar algum projeto. Imagine a seguinte cena: uma balança na qual um prato contém sua parte emocional, aquela que força, que quer tudo para si. No outro prato, está aquilo que desejamos conquistar. Para chegar ao equilíbrio da balança, os pesos em ambos os pratos precisam estar de acordo. Não dá para forçar demais, se não o objetivo se distancia lá no alto. Também não dá para ficar parado e deixar de empregar a força necessária para concretizar esse mesmo objetivo, trazendo-o para a linha de realização em equilíbrio.

     

    A mente sabe o que quer. As emoções têm o poder para realizar. Se o querer e o poder entram em acordo, o corpo físico tem todas as condições para fazer acontecer. A fórmula é simples e está em suas mãos. Força e coragem!

     

    Daniela Guima é jornalista.



    Escrito por Dani Guima às 17h09
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    Princípio 1: "Evolução"

    Há cerca de dois meses comecei a ter acesso a um conhecimento bastante interessante. Trata-se de doze princípios que regem o comportamento humano e que trazem harmonia para as pessoas que se dispuserem a colocá-los em prática. Como estamos todos no mesmo barco, desejo dividi-los com vocês neste e nos próximos 11 textos que, se Deus quiser, estão por vir. O primeiro princípio diz: “Ir a favor da evolução das pessoas, coisas ou situações é ir a favor de ti mesmo”.

     

    Embora tenhamos crescido sentindo que estamos separados dos demais, que cada um cuida da sua vida, na verdade, estamos ligados a todas as pessoas nesse nosso planeta chamado Terra. O gás que é lançado na atmosfera pelas indústrias dos países desenvolvidos desequilibra o ecossistema como um todo. A doença que surge num país qualquer, em poucos anos chega à nossa cidade. A forma como as nossas emoções nos controlam acabam por interferir na harmonia da família. O mau humor que revelamos no trabalho, podes crer, atrapalha o clima do escritório de alguma maneira. Em outras palavras, a conclusão é simples: influenciamos a vida ao nosso redor – tanto para a evolução quanto para a involução.

     

    O Criador está em toda a sua criação. Para quem não acredita em Deus, basta trocar a palavra “Criador” por “vida”, “natureza”, “universo” ou na força em que cada um acreditar. A vibração que a tudo traz movimento está presente em todos nós. E mais: está presente, também, em todas as coisas e situações. E é por isso que ao irmos a favor da evolução dos demais, estaremos indo a favor de nós mesmos. Precisamos, portanto, ter consciência de que as nossas atitudes contribuem ou atrapalham a evolução do nosso planeta, do nosso país e, certamente, a do nosso vizinho. Fique ciente disso: a forma como sentimos, pensamos, falamos e agimos é sempre nossa responsabilidade. E tem conseqüências diversas, age como uma onda que parte de nós em todas as direções.

     

    Muitas vezes, por força do hábito, costumamos apontar que as soluções (e também as ‘culpas’) estão nos outros, sempre fora de nós. Mas veja que todos temos nossa parte a fazer. Antigamente, a transformação dava-se por meio de guerras, batalhas, revoluções. Hoje, tudo o que mais precisamos é transformar e revolucionar nosso próprio interior. As palavras e os pensamentos precisam ser o foco da nossa constante atenção. Quem é otimista, vai provavelmente atrair coisas boas ou, em última instância, manter o ambiente em sua volta alegre. O contrário, também acontece. Aquele que vibrar dentro do pessimismo interfere na evolução de si próprio e de tudo à sua volta. O preço, no entanto, é caro: ao atrapalhar a evolução dos outros, estará contribuindo para a sua própria involução.

     

    Uma boa dica para empreender isso é estar sempre de olho nas emoções. Normalmente, o nosso desequilíbrio parte de alguma emoção descompensada. Ocorre em função de algo que dispara dentro de nós, sem nem mesmo termos nos dado conta disso. Saber estar presente e estar atento a si mesmo, são boas dicas para conviver e contribuir para a evolução de si e dos demais. Empenhe-se nisso, afinal de contas, estamos todos no mesmo barco!

     

    Daniela Guima é jornalista.



    Escrito por Dani Guima às 16h49
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    Onde está seu foco?

    Tenho lembrado todos os dias daquela lei da física que sempre era repetida nas aulas do segundo grau: antes de calcular a equação, defina quem é o observador do fenômeno a ser estudado. Nossos professores nos entregaram fundamental lição: aquele que observa transforma o resultado final de tudo. Afinal, tem seu foco único, individual e intransferível. É sobre esse jeito de interpretar as coisas que tenho dedicado boa parte das minhas recentes reflexões. Quando falamos sobre foco, falamos também sobre escolhas. Nós seremos e viveremos as situações do jeito que definirmos. Essa verdade é líquida e certa. Aí, te pergunto: como você deseja viver o resto dos seus dias?

     

    Muitas vezes usamos muletas emocionais para justificar o fracasso, a tristeza, o desânimo e a depressão. “Coisas ruins acontecem comigo, independente da minha escolha”, alguns rebateriam. Por minha vez, lanço a questão: “Então por que tanta gente que passa por problemas tão doloridos quanto os seus, consegue ser feliz e ter atitude otimista diante da vida?” A pergunta tem resposta simples: eles ajustaram o foco de suas vidas. Deram um sentido benéfico a tudo que precisaram interpretar. O espelho refletor que filtra as imagens que passam pelo diafragma da câmera mora no seu coração. Dê a esses raios de luz o sentido que deseja dar. A verdade que mais dói é saber que a responsabilidade é tão somente nossa.

     

    A mãe que perde o filho pode passar a viver em permanente estado de depressão por aquela falta. Ou pode voltar sua atenção para o fato de que ela ainda vive. E tem mil e uma outras razões para continuar – sejam os outros filhos, o marido, sua profissão ou seus amigos. A dor não desaparece. Mas é redimensionada e toma seu verdadeiro lugar. Vez por outra, essa mãe vai chorar a falta, lembrar bons momentos, sorrir ao assistir a saudade – eterna televisão do amor. Mas sua vida não mais gravitará em torno dessa perda. Seu eixo estará, em verdade, de volta a si mesma.

     

    Esse exemplo extremo serve de contraponto para percebermos a nossa atitude diante das pequenas coisas da vida. O chefe que pega no pé, os pequenos defeitos da esposa, as cobranças dos pais, o motorista que te corta no trânsito, as dores do passado, os receios do futuro. Tudo isso aborrece – mas pode ser muito e pode ser pouco. Com lentes de aumento, essas circunstâncias tomam proporções indevidas e turvam o olhar. Os problemas só aumentam quando voltamos nosso foco, repetidamente, para eles. Tudo na vida tem dois lados. Sempre teve e terá. A proposta é ajustar o foco para o lado bom, para o ensinamento que se ganha, para a mudança de valores que chega junto com os desafios, para o dia lindo que renasce todos os dias.

     

    Anda pessimista? Reconstrua seu olhar. Começa a reparar no gramado verde e lindo desses dias de verão. Na hora do ‘rush’, coloca aquela música que você adora para tocar no som do carro. Escolhe valorizar o que há de bonito no seu corpo, ao invés de apontar o indicador no rumo das imperfeições. Contribua para a sua felicidade. Ela é de fato construída a cada pequena escolha. No caleidoscópio de opções, gire suas perspectivas até encontrar a que te traz mais benefícios, mais aprendizados, mais sorrisos. Abre bem seus olhos, ajusta o foco e se prepara para o abraço! A vida tem sempre algo precioso a oferecer.

     

    Daniela Guima é jornalista



    Escrito por Dani Guima às 17h03
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    Você é um ser humano ou uma máquina?

    A vida pode passar num piscar de olhos. Ou pode correr lentamente como um dia longo e preguiçoso de férias. Teorias afirmam que o tempo está passando mais rápido, pode até ser. Mas o fato é que a relação que temos com as horas está muito ligada ao nosso estado de atenção e presença em cada momento. Muitos de nós têm agido como máquinas: ligam o piloto automático e vivem manhãs, tardes e noites robotizadas. Deixam a sombra do cotidiano fechar o tempo dos dias de sol.

     

    Nossas mentes estão em outro lugar. Todos os dias dirigimos avoados pelos mesmos caminhos. Comemos as mesmas coisas, sem sentir ou apreciar sabores. Deixamos de refletir sobre os ‘porquês’ e os ‘comos’ das nossas atitudes. Não ouvimos nossas próprias palavras enquanto falamos. Por vezes, agimos de forma tão automática que nem lembramos do que acabou de acontecer. Em outras palavras, estamos ‘dormidos’ – num sono profundo de inconsciência. Entregamos nosso poder de escolha e de atitude ao léu. E não falo aqui daquela entrega boa e gostosa – sinônimo de confiança na vida, e desistência da mania de controle. Mas daquela atitude de quem perde o jogo por WO.

     

    A acomodação, a estagnação, a falta de movimento surtem um efeito na alma parecido com o que acontece em água parada. Quando a energia estaciona, diminui sua freqüência vibracional – em quantidade e qualidade. É certo que pausas são sempre necessárias. Mas não são elas que nos escolhem. Nós, sim, as escolhemos na hora certa. O caminho do autoconhecimento, portanto, transcorre bem melhor numa consciência em movimento e evolução. Mudar é possível, urgente e tem uma receita bem simples: basta saber vivenciar cada momento.

     

    Tome seu café da manhã com atenção, cheire as frutas, saboreie o café quentinho, sinta a manteiga levar sabor às suas papilas gustativas. Dirija com atenção, ouça uma boa música, cante. Respire, olhe as pessoas nos olhos e converse ouvindo atentamente as suas próprias palavras. Aliás, quer falar bem em público, durante uma reunião de trabalho ou com o seu chefe? A receita é básica: fale como se estivesse fazendo uma apresentação para você mesmo. Ouça o que você fala, procurando escolher palavras que façam sentido para a sua própria compreensão. Ao fazer isso, suas palavras vão ser bem mais claras, exatas e objetivas – para você e para os outros também.

     

    Vivencie seu momento de lazer com detalhes. Firme-se nas conversas com amigos, sem deixar que o pensamento voe para o futuro ou passado. Raul Seixas sabia das coisas: “Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Vai assistir televisão? Assista, mas com presença e discernimento, atento às informações que a telinha está entregando de forma mastigada, fácil e doutrinadora. Desperte sua face mais curiosa. Pergunte, pergunte sempre. Não entendeu? Seja verdadeiro, admita e pergunte de novo! Crie ao seu redor muito movimento. É você que está de passagem pela vida. Não permita que ela tão somente passe por você.



    Escrito por Dani Guima às 17h20
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    Promessas, nunca mais!

    Durante muitos anos fui adepta de escrever listas de promessas a cumprir no ano novo que começava. É claro que um pouco de organização e planejamento são sempre bem-vindos, mas percebi ao longo do tempo que quase todos os itens da lista estavam um pouco fora de propósito. Eu prometia coisas que precisava viver naquele momento, mas que invariavelmente jogava lá pro futuro.

     

    Pensava que nos dias que estavam por vir eu estaria mais forte para concretizar tudo aquilo. Ao reler várias dessas listas vi que, na verdade, eram coisas simples que precisam ser vivenciadas no meu dia-a-dia, a cada pequeno momento. “Quero ser mais paciente com minha família. Parar de fumar. Fazer exercício. Ler mais. Comer menos besteira”. No final das contas, achei graça de ver a mania que temos de nos conferir superpoderes no futuro.

     

    Não quero tirar esperanças, mas sendo bem pragmática posso dizer: o único tempo que existe é o presente – e não é à toa que ele se chama assim. O dia de hoje é mesmo o melhor presente que temos. É com ele que vamos construir o futuro. E é por meio dele que expressamos a experiência que acumulamos no nosso passado. Mas ele e tão somente ele existe. O resto é projeção de algo que já foi ou que ainda não aconteceu. Pura especulação. Se ainda não está pronto para mudança, simplesmente aceite e espere o amadurecer da nova idéia. Mas se estiver, mãos à obra!

     

    Proponho, portanto, que vivamos do jeito que a gente realmente quer. Se isso envolve, por exemplo, parar de fumar, comece por fazer o que é possível no hoje. Dá para fumar um ou dois a menos? É o que você consegue fazer por hora? Então, fique feliz pelo que já conquistou. Quer passar a ser mais gentil com você mesmo e com as pessoas que te cercam? Vai treinando um bom dia, um sorriso espontâneo, fique atento aos seus pensamentos, lembre-se de tratar os outros como você gostaria de ser tratado.

     

    Sua cabeça vive cheia de pensamentos pessimistas? Muda o foco! Procure bastante e vai ver que lá no fundo de todas as situações há sempre um lado bom. Ver o lado bacana das coisas é uma escolha. Se aborrecer com qualquer coisa, também. Você vai viver do jeito que quiser viver. Está nas suas mãos.

     

    Você se acha vítima de alguma situação do passado, de alguma pessoa ou de qualquer circunstância? Em primeiro lugar, tome para si mesmo a responsabilidade de continuar vivendo o que quer que seja. Pare de jogar a culpa no ex-namorado, nos pais que a vida te deu, no chefe mau-humorado. Em qualquer relação, a responsabilidade dos lados envolvidos é sempre a mesma. Seja agindo como um babaca. Seja sendo a pessoa que agüenta a babaquice.

     

    Vai ser fácil? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas lembre-se que o grau de facilidade também é você quem escolhe. Mudar não acontece por milagre. É um exercício diário, escolhido, desejado. Mas vivido, sobretudo, no agora.

     

    Feliz 2006 a todos!

    Daniela Guima é jornalista e para 2006 tem um único desejo: viver o presente!



    Escrito por Dani Guima às 08h35
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    Versão brasileira da Jane Fonda

    Ao folhear o jornal dias atrás, dei de cara com matéria que falava do lançamento do livro da atriz setuagenária, Jane Fonda. Nunca fui muito chegada em vídeos de ginástica localizada que ela era especialista em divulgar. Mas ao ver a chamada no jornal fiquei curiosa. Dizia algo do tipo: Em seu livro, Jane Fonda fala sobre a Doença de Querer Agradar os Outros. Aquilo me intrigou na mesma hora. Li o texto de cabo a rabo e deparei com minha realidade: sou a versão brasileira da Jane Fonda. E não é com relação àquele “corpitcho” dela, com tudo em cima. Não! É na tal doença de querer agradar. Tudo bem que sou eu e a torcida inteira do Flamengo, afinal vivemos no país onde todo mundo quer agradar todo mundo. Mas, como só posso falar por mim, aí vai...

     

    Faço terapia há quase cinco anos e adoro. Fora do consultório, um dos meus passatempos favoritos é me auto-analisar. Nos últimos tempos meu alvo tem sido entender porque gasto tanta energia para agradar outras pessoas. Até sei dizer “não” para os outros. Mas vivo em função de dizer o máximo possível de “sim”. Bato todos os meus recordes, mês após mês. E por que? Porque, como minha amiga Jane Fonda, tenho ne-ces-si-da-de de agradar. Sofro dessa tal doença que ela tanto fala no seu livro.

     

    Mas não pensem que nós somos duas bobas, que vivem gratuitamente para agradar o mundo. Aliás, de bobas, não temos nada. Tudo que a gente quer, com essa engenhosa estratégia, é sermos aceitas, admiradas e – em última e principal instância – sermos amadas! E é nesse ponto que tenho refletido ultimamente: por que encontrar esse amor lá fora se tenho tanto dele, aqui, dentro de mim? Não vale a pena. É muito trabalhoso, arriscado, geralmente acaba em frustração, joga muita expectativa em cima das outras pessoas. Enfim, cansa demais da conta!

     

    Tenho descoberto que a fórmula mágica para mudar esse desarranjo é me amar de todas as formas que eu conseguir imaginar. Quero agora me permitir viver meu prazer de ser Daniela, por mim e por mais ninguém. Aliás, foi nesse sentido que escrevi meu último texto, “Você se permite vivenciar o prazer?”. Quis escrevê-lo, pois quando comecei a pensar assim dei de cara com uma culpa imensa de viver mais para mim. Percebi que me sentia culpada ao dizer tantos “sins” para mim mesma. E, embora esteja passando por essa fase no momento, não quer dizer que estou dizendo “não” para todo mundo, ou vivendo numa onda egoísta desvairada. Não mesmo. Só estou mais atenta e me questionando mais sobre os porquês de querer fazer as coisas que tenho feito ao longo dos meus dias.

     

    Penso que com isso estou até livrando o mundo das minhas intenções ‘falsas’ de ajudar, quando no fundo, no fundo, quero mesmo é ser amada. Se fiz muita coisa autêntica? Fiz sim, um monte! Mas confesso que hoje já nem sei distinguir umas das outras. Apenas olho para trás e vejo o quanto sofri por querer me encaixar nos papéis que eu acreditava serem esperados de mim. Dadas as circunstâncias, vejo que até me saí muito bem, mesmo sofrendo dessa doença-janefondiana. Consegui me formar jornalista à revelia da vontade do meu pai. Terminei relacionamentos infelizes apesar de toda a minha carência. Algo dentro de mim, provavelmente meu Eu-Superior (como costumo chamar minha ligação com Deus) já me avisava que aquele não era o caminho.

     

    Veja só, caro leitor, até você foi enganado. Relendo algumas coisas vi que até nos meus textos eu me esforçava demais para agradá-lo, sempre certinha, buscando a sua aprovação. No fundo, no fundo, eu queria mesmo que você me achasse um barato! Mas, sabe como é o tal barato que sai caro? É esse aí. E não estou mais a fim de pagar essa conta. Se assim desejarem, parem e pensem para quem e por que estão vivendo. Vocês podem sair lucrando – e muito – com isso.

     

    Daniela Guima é jornalista e não faz a menor idéia de como será essa coluna daqui para diante e está feliz por isso. J



    Escrito por Dani Guima às 17h05
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    Você se permite viver o prazer?

    Culpa. Eis a ferramenta principal de controle dos indivíduos. Começou com a Igreja, enchendo os fiéis de ameaças e medos. Os tentáculos, depois, se espalharam pela sociedade, pela família, pelo convívio na comunidade. Todo mundo de olho em todo mundo, para delatar o primeiro passo em falso do próximo.

     

    A busca está em diferenciar em nós o que é pecado daquilo que é simplesmente uma escolha de vida que contraria interesses alheios. E digo mais: “É a consciência de cada um que dita o tamanho do próprio pecado”. Parece muito subversivo para você? Experimente fazer isso com equilíbrio e respeito ao próximo. Essa afirmação passa bem longe de rebeldia e de anarquia. Tem suas raízes, isso sim, semeadas na liberdade e no respeito pessoal.

     

    Observe que viver livremente, incorporando as próprias escolhas não é sinônimo de enfiar-se na esbórnia, no egoísmo. Não mesmo. Está em experimentar viver plenamente dentro dos próprios valores, respeitando – sempre – o direito do outro. Mas respeitando, sobretudo, os próprios direitos. A questão é que aprendemos muita coisa sobre deveres, e quase nada sobre direitos. Falo, especialmente, de direitos emocionais.

     

    A cobrança da sociedade nos dias de hoje é tão grande, que precisamos estar sempre dispostos a caber dentro de algum papel – de sermos bem sucedidos, bem casados, bem empregados. De pilotar carros novos e limpos. De estarmos dentro da moda. De sermos religiosos, politicamente corretos, bons filhos, bons pais, bons donos de casa. De sermos exemplo de saúde e corpos no lugar. Ah, espera aí! Você pode até ser tudo isso aí acima, desde que seja uma escolha. E não uma imposição, um rótulo.

     

    Vemos, todos os dias, pessoas abrirem mão de sonhos, desejos, projetos e, principalmente, prazeres pessoais em nome de cumprir um dever, um papel diante de alguém ou de algo. É o caso de filhos que vivem o sonho dos pais.  É o companheiro, esposa ou namorado que se sentem inseguros diante de uma ousadia, de uma busca pessoal sua. É a religião que impõe uma porção de limites a novos aprendizados e experiências, para manter seu rebanho fiel e sob controle. É a sociedade com sua ditadura de sucesso e beleza, que te faz sentir um zero a esquerda depois de folhear uma revista no estilo “Caras”.

     

    Repito e reafirmo: você pode ser tudo isso aí acima, desde que essa seja a sua escolha, consciente, pensada e desejada. Uma escolha implica decidir sobre algo com base na vontade, no desejo, no prazer de viver alguma coisa. Quanto mais você agir por imposição de outrem, mais distante fica de si mesmo. Aí pode ser que depois de um tempo você nem faça mais idéia de quem realmente é. Desconhece-se, do tanto que passou a viver o desejo dos outros. “Quem sou eu? Do que realmente gosto? Que música prefiro ouvir? Que trabalho quero realizar? O que me deixa alegre?”

     

    Tantas perguntas sem respostas, em função de anos e anos vividos em desconexão com o propósito e desejo pessoais. Viver o que os outros querem nos torna seres apagados, infelizes, raivosos e, por conseqüência, doentes. Afinal, o que nos aborrece, é o que nos adoece! Procure, sempre, a SUA verdade. Não é fácil, mas vale todo o trabalho para fazer acontecer.

     

    Chega de vivermos presos à era dos extremos, do 8 ou 80, do preto ou branco, do certo ou  errado. Enquanto estivermos nessa dualidade, saberemos muito pouco sobre a verdadeira liberdade. Permita-se! Escute-se! Experimente! Receitas de felicidade existem muitas, milhares, bilhares. Não acredite quando te dizem que é uma só. Cada um pode e precisa ter a sua.

     

    Esse texto é um convite a cada um revisar consigo o que está abrindo mão, e que não quer mais abrir. Um convite, também, a passar a limpo aquela lista antiga e empoeirada onde estão guardados os mais lindos sonhos, desejos e buscas. Seja tudo isso, novamente, e mais uma vez! Apenas seja!

     

    Daniela Guima é jornalista e está reaprendendo a viver depois de tantos anos querendo corresponder às expectativas dos outros.



    Escrito por Dani Guima às 13h52
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    “Keep talking”

    “Keep talking” é o nome de uma música daquela que é minha banda favorita, o Pink Floyd. Engajados em questões sociais de uma Inglaterra reprimida nos anos 60 e 70, esses roqueiros progressivos já sabiam direitinho o que todos nós precisamos fazer. “Continuem conversando”, recomendavam. Recentemente, o Brasil experimentou a oportunidade fantástica de dialogar, e muito, em função do referendo. Independente de todos os erros cometidos desde a hora que surgiu, a consulta pública teve seu mérito: pôs o povo para conversar, trocar idéias, ouvir o outro, considerar, ponderar, decidir. Tenho a sensação de que esse evento contribuiu para o amadurecimento do processo democrático em nosso país.

     

    Dialogar é a chave do intrincado mistério da convivência. Seja ela no trabalho, familiar ou a dois. Toda e qualquer esfera envolve esse elemento. É por meio dele que o caminho do crescimento passa. É nele que os encontros, as realizações e os sonhos acontecem. Por outro lado, é sem o diálogo que os desentendimentos, mal entendidos, atitudes intolerantes, brigas, guerras e ódios se formam. O falar põe em movimento a idéia. A troca de idéias promove a evolução e o amor.

     

    Falando em amor, sou do time que vê a boa conversa como o cimento que constrói qualquer relação a dois. Ela promove a compreensão das diferenças, o respeito pelas escolhas do companheiro, a lição de aprender a ouvir o que o outro tem a dizer. Nessa busca, estar com alguém é um ‘laboratório’ dos mais interessantes. A idéia é fazer das discussões um desafio, ao invés de um grande incômodo.

     

    Em geral, ninguém quer parar de se defender durante uma discussão. A necessidade de colocar as próprias idéias à mostra é enorme. Incansavelmente as pessoas se ocupam de retrucar tudo, apenas para estar com a razão, para fazer valer a sua verdade. Quando essa onda toma conta, deixamos de ouvir qualquer coisa, apenas para que possamos dizer “estou certo”. Mas qual a vantagem disso, se cada um tem a sua própria verdade? Se a razão é um objeto totalmente relativo?

     

    Sair dessa mesmice de querer estar sempre certo ensina muito. A pessoa ultrapassa a visão unilateral e passa a perceber que o outro tem também seu ponto de vista. A começar daí, a busca passa a ser a de promover o encontro saudável entre essas duas formas de ver as coisas. E é só ele, o diálogo, que facilita essa feliz mudança. Ainda mais se aprendemos a falar com respeito. Aí sim, meus amigos, a conversa muda de figura.

     

    Quando um diálogo começa com as duas partes lúcidas e atentas às próprias armadilhas do ego, conscientes de que querem se entender ao invés de brigar, tudo tem grandes chances de acabar bem. Essa mesma regrinha funciona em família, com amigos e no ambiente profissional. Não importa a seriedade do assunto, mas sim como as partes vão escolher lidar com a situação. Experimente, portanto, dialogar mesmo – no sentido mais profundo dessa palavra. E, sempre, com amor e respeito no coração. Experimente! Garanto que, pelo menos, será uma inusitada aventura!



    Escrito por Dani Guima às 16h07
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    Eu voto pela convicção

    Nos últimos dias tenho dedicado parte do meu tempo a convencer os eleitores a fazer um voto consciente. Estou pedindo a cada um que vote com convicção – seja no sim, seja no não. Fico super angustiada de ver pessoas sendo manipuladas, votando no esquema maria-vai-com-as-outras. Dói ver uma pessoa votando no “sim”, simplesmente porque a Fernanda Montenegro declarou-se a favor da proibição. Também dói ver alguém votando no “não” por ter se tornado vítima da indústria do medo (leia-se aí, indústria das armas). Afinal, é desse sentimento que tal mercado vive. No final das contas, lamento muito que a maioria dos eleitores não tenha a oportunidade de ler textos com opiniões diversas, de dialogar de forma saudável sobre diferentes posicionamentos.

     

    Lamentos à parte, listo algumas premissas para continuar esse texto de forma pragmática:

     

    1)      Concordamos que a realização desse referendo é um equívoco nesse momento, uma vez que nosso país tem questões muito mais importantes e urgentes para resolver. Como por exemplo, suavizar a diferença social – principal motivo de violência.

    2)      Na prática, o “sim” ou o “não” ganhando, nada vai mudar. Quem tem armas vai continuar tendo. A venda ilegal de armamentos e munições vai continuar exatamente como é hoje. O aumento não será tão absurdo como dizem, tendo em vista que menos de 1% das armas brasileiras têm procedência legal.

     

    Ora, se nada vai mudar na prática, prefiro votar no meu ideal de sociedade. Sou a favor da vida, seja dos inocentes ou dos ladrões. Não tenho coragem de lavar minhas mãos diante do fato que nós fazemos parte de uma sociedade excludente, que leva as pessoas a cometerem crimes. Não me sinto capaz de julgar quem deve viver numa situação de conflito. Isso posto, rezo para que nenhum dos dois lados tenham armas. Se há uma estatística confiável nessa história toda, é a de que em crimes nos quais ambos estão armados, o número de mortes é infinitamente maior.

     

    Meu voto é convicto, pois estou certa de que estou votando num conceito. Sei que esse conceito de paz não vai valer a partir do dia seguinte à votação. Por outro lado, estou certa de que boa parte dos brasileiros não cumpre leis. Com isso em mente, jogo por terra toda e qualquer alegação que envolva direito de defesa das pessoas que o governo não defende. Pois sei que – a despeito dessa lei ser aprovada – enquanto a segurança não estiver provida, todos os indivíduos que quiserem continuarão a ter armas.

     

    Além disso, é certo que a proibição da comercialização de armas e munição vai inibir e, possivelmente, diminuir os acidentes domésticos com armas (crianças que brincam com o revólver dos pais, crimes passionais, crimes cometidos na hora da raiva, entre outros). E trata-se de uma porcentagem expressiva (em torno de 10%), muito defendida por várias pessoas que perderam gente querida. Na minha opinião, é um ganho bastante considerável e motivo suficiente para votar “sim”.

     

    Piscinas matam tanto quanto ou mais que armas? Pode até ser, mas elas não são construídas com esse propósito. As armas sim. Falar aqui do perigo das tomadas elétricas, de panelas com água quente, entre outros, é levar a discussão a um nível profundo como um pires.

     

    Estou votando em um conceito. Pode ser um voto pouco pragmático a curto prazo, mas muito eficiente a longo prazo, pois sei que meus filhos vão crescer nessa realidade onde ter armas não é permitido. Com o passar dos anos, esse conceito vai se fortalecer, se enraizar e gerar frutos. E, por fim, ao votarmos pelo “sim” estaremos esclarecendo os papéis. A população estará muito melhor amparada para cobrar segurança do governo. “Fomos desarmados? Agora tratem de trabalhar”. Sabemos que, por hora, não podemos esperar muito desse raciocínio, mas que os papéis estarão mais claros, isso estarão. Vejo o referendo como o primeiro item de uma lista de afazeres, cujos próximos itens fazem parte de uma agenda de ações que o governo tem de tomar para garantir a segurança no país. É como se fosse um degrau a mais na escalada rumo à uma sociedade pacífica. Estou dando o meu primeiro passo.



    Escrito por Dani Guima às 16h44
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    Ser feliz é uma escolha

    Verdade. Experimentar a felicidade não é obra do acaso ou privilégio de poucos, feito loteria premiada. Mesmo aqueles que nascem com tudo a favor, podem amargurar uma vida infeliz. Já outros que saíram de situações emocionais complexas, tiveram força e trilharam um caminho de conquistas. O fato é que muita gente nega, mas ser feliz é de fato uma escolha.

     

    As pessoas que acreditam em destino traçado costumam cair numa armadilha muito ruim: isentar-se da responsabilidade pelas próprias opções. No campo da espiritualidade, várias correntes pregam que a vida a ser vivida foi escolhida pela própria pessoa antes de nascer. E, dessa forma, o destino já estaria desenhado. Para mim, tenho que os contornos desse desenho podem assumir diversas formas, graças à maravilhosa ferramenta que temos em nossas mãos: a escolha. Não tem destino-escrito-nas-estrelas que resista ao livre arbítrio. A vontade própria é, de fato, nosso mais precioso presente.

     

    Isso posto, precisamos lidar com o fato de que ser feliz é uma escolha diária – seja ela de pequeno, médio ou longo prazo. Essa teoria traz para o indivíduo uma liberdade sem limites e, melhor, derruba uma porção de atitudes viciadas que só fazem mal. Com ela em mente, perde a razão quem reclama sobre a hipotética má-sorte. Fica sem argumento, aquele que entrega gratuitamente a felicidade nas mãos dos outros. Essa idéia também põe de pé os acomodados que estão eternamente sentados à espera de soluções.

     

    Com ela, torna-se inútil a necessidade de vitimizar-se diante das coisas ruins que aconteceram no passado. O pessimista fica estarrecido ao perceber que pode ser mais alegre ao, simplesmente, reparar no lado bom do mundo – tão óbvio quanto o oposto. Essa teoria também tira o chão do casal que insiste em discutir para ver quem está com a razão. Pois mostra o quanto estar certo (ou errado) é inútil perto da necessidade de ser feliz. Com ela, nos deparamos, mais uma vez, com a certeza de que cada um tem mesmo a sua própria verdade.

     

    Portanto, em qualquer situação adversa, vale aplicar essa mesma prática para chegar a um ponto de vista mais proveitoso. Porém, é sempre importante ressaltar que o conceito de felicidade – ainda bem – é muito individual. O que é bom para um, pode não ser para outro. O importante é estar atento à beleza do escolher – esse fantástico artefato que nos foi concedido. Em outras palavras, saber reconhecer a importância da liberdade que nos é conferida ao verificar que nós somos os responsáveis pela nossa felicidade. Com esse poder em mãos, temos a oportunidade de escolher o tudo, ou o nada.

    A princípio, o caminho para exercer essa verdade vai exigir a quebra de uma porção de padrões, crenças e hábitos. Vai exigir dedicação, pois também passa por um treino. Um exercício diário, que brota dessa resolução pensada e refletida. Veja primeiro de que forma você tem agido no sentido de se fazer esquecer que você é o único responsável por tudo o que viveu, vive e viverá. Está em suas mãos.



    Escrito por Dani Guima às 17h18
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    Você é tolerante?

    Numa tarde de calor desse inverno-do-avesso, comecei a refletir sobre o real significado da tolerância na nossa sociedade atual. Para que algo ganhe um status de tolerável, tem que ser uma coisa que realmente nos tira do conforto, que nos incomoda. Aliás, quem tolera, renuncia. Pois são, em geral, situações que nos fazem abdicar da nossa visão do que é certo e verdadeiro. Mas como diz o escritor Eduardo de Bonno em suas duas máximas: “Ninguém está certo sempre. Todo mundo está sempre certo”. Confuso? Nem tanto. Mas, pelo menos, tão confuso quanto a coexistência das verdades de cada um.

     

    A maior parte dos grandes problemas da humanidade nasceu de comportamentos intolerantes. As guerras, os confrontos religiosos, o preconceito. Os exemplos são inúmeros, sendo o Holocausto um dos mais conhecidos na nossa história recente. A intolerância do ditador Adolf Hitler diante das supostas diferenças entre ‘raças’ matou aproximadamente seis milhões de judeus e culminou na II Guerra Mundial, responsável pela morte de outras 50 milhões de pessoas.

     

    No entanto, a intolerância não é privilégio de chefes de estado ou de fanáticos. Nós todos precisamos estar atentos para não deixá-la atravessar a fronteira da sua boa utilidade. Faço essa ressalva, pois todos nós temos nossos limites. Tolerar não é sinônimo de ser o bonzinho da história. Trata-se tão somente de transcender nosso egoísmo e ir além. Tenho um exemplo claro comigo. Passei a notar o quanto o trânsito me estressava, especialmente os ônibus. Parece que seus motoristas se especializaram em nos ‘cortar’, nos irritar e deixar os nervos em frangalhos.

     

    Numa manhã no trânsito esse incômodo se transformou. Eu tinha acabado de ler uma matéria sobre como cada um pode diminuir o consumo e, por conseqüência, seu impacto industrial na natureza. Saí de casa me sentindo um pouco culpada com o que havia lido, pensando em passar a ir de bicicleta para o trabalho. Foi quando um ônibus gigante começou a vir para cima de mim, pedindo (forçando) passagem. Quando a raiva subia em mim, percebi que esse mesmo ônibus estava levando umas 40 pessoas dentro dele. Então me dei conta de que em vez de dar passagem para um ônibus-mal-educado, eu estaria, na verdade, abrindo passagem para todas essas 40 pessoas. Cidadãos que, ao usar o transporte coletivo, contribuem para um planeta mais limpo. Para completar, fiz a conta boba: “Se todos eles estivessem em carros, corresponderia a dar passagem para pelo menos uns 15 veículos. Que legal!”. Com um sorriso no rosto, freei na mesma hora e deixei que entrasse na minha pista.

     

    Naquele momento consegui superar a raiva e transformei um pequeno ato em superação. Não só saí de uma onda ruim, como fiquei toda satisfeita depois. Daquele dia em diante passei a me lembrar sempre disso e a me sentir melhor ao volante. Pensei também no quanto me faz bem quando os carros param para que eu atravesse na faixa de pedestres. Sei que 30 segundos a mais não vão fazer grande diferença na minha corrida diária. Quando paro na faixa, observo o pedestre atravessar, me coloco no seu lugar e aprecio aquele ato de respeito mútuo. Vários deles, de tão contentes, sorriem e agradecem. Sentem-se verdadeiros cidadãos. Quem nunca atravessou numa faixa, sugiro que experimente. Garanto que depois dessa experiência, esse ato de respeito e tolerância vai se tornar muito mais suave e alegre.

     

    Do trânsito para a vida pessoal, vale usar essa mesma técnica para vários outros aborrecimentos. O exercício exige dedicação, mas é simples: basta nos colocarmos no lugar do outro. Ao fazer isso, vamos além da superfície que cobre uma resposta atravessada, um atendimento mal feito ou a má vontade de alguém.

    Escrito por Dani Guima às 17h19
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    A morte nossa de cada dia

    Depois de cinco semanas longe do país, voltei para uma Brasília adornada com as cores de agosto. A grama mistura tons pastéis de amarelo, verde, marrom e cinza. E, vez por outra, é atravessada por veios escancarados que revelam o ocre de sua terra vermelha. O céu, límpido e azul, se abre para toda a grandeza do astro-rei. Senti uma grande alegria de respirar esse ar, de ouvir as pessoas falando nosso português melódico, de colocar o rosto perto da janela do táxi e deixar o vento lamber meus cabelos. Estava de volta à minha casa. Trouxe comigo algumas novas impressões, percepções diferentes e felizes certezas. A principal delas é a de que, para mim, o Brasil é o melhor lugar para viver. Mesmo com o pacote todo – mensalão, jeitinho brasileiro e intenções corruptas. Pensei comigo mesma: “O que esse país precisa fazer é deixar morrer o que precisa morrer”.

     

    Nascer para uma nova vida exige que a gente deixe para trás o que já não nos serve mais. Aquela porção de tralhas emocionais, que só nos atrapalha, precisa morrer. A escolha arrependida que nos embrulha o estômago precisa morrer. O hábito que nos tira a saúde, também precisa morrer. A morte é amiga, digna e bela. Muitas vezes, o medo de perdas nos faz deixar de entender seu importante papel na evolução da nossa vida, da natureza e da humanidade. Essa lição está bem aí, ao alcance do nosso olhar: gramados verdes de verão ficam amarelados nessa época do ano. Eles estão apenas se preparando, tornando-se terrenos férteis para, meses depois, ter suas entranhas fecundadas pela chuva.

     

    Com essa nova perspectiva em mente, passei a entender e admirar a beleza dessa paisagem cinza, com as árvores retorcidas e secas do planalto central. Sorri e respeitei seu momento. Ela está apenas se rendendo ao ritmo da natureza – construído pela sucessão de muitas vidas, mortes, vidas, mortes, vidas... Meus olhos conseguiram entender esse ciclo e viram além. Acharam beleza onde a maior parte das pessoas lança olhares ressequidos.

     

    Entender e aceitar a morte de algo como a chance de o novo florescer é confortante e inteligente. Assim como a sábia natureza, todos os dias nós morremos e nascemos diversas vezes. Em atitudes, jeitos de ver e de compreender, em crenças antigas. Chegada ao fim. Nasce um novo começo. Quando entendemos, abraçamos e reverenciamos os ciclos de vida-morte-vida, os dias se tornam mais suaves. A gente sofre menos e entende mais. Pensa menos e vive mais. Teme menos e se entrega mais. A mente fica onde o corpo está. E se diverte diante do inesperado. Afinal, a alma nunca teve tanta certeza de que ele chegaria. A ansiedade vira um saco vazio e voa. Ficam, apenas, o silêncio e a paz.

     

    Essa crise na política brasileira é como um grande ferimento. E a primeira coisa que se faz para curar uma ferida é abri-la. Depois, drena-se toda a sua confusão, e lavam-se suas entranhas. Aí então, vaporizam-se valores sépticos e dá-se tempo ao tempo. Não tenho a ilusão de que depois disso tudo estaremos rendidos e renovados como uma folha em branco. Mas tenho certeza de que sairemos dessa mais sabidos. E, por favor, não mais amargos. A vida está aí para ser aprendida e entendida. Não é para nos mumificar em retalhos engessados de descrença e desânimo. Agora é hora de jogar o mapa em cima da mesa, repensar e definir outras rotas. Algo grandioso está morrendo nessa crise, dando lugar a uma nova vida. Acredite.

    Escrito por Dani Guima às 17h18
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    Um passo de cada vez

    A gente costuma crescer com a impressão de que o maior inimigo do amor é o ódio, a raiva ou algo parecido. Essa dualidade aparece em filmes, novelas, histórias diversas. Mas muitos autores já mostraram que amor e ódio, muitas vezes, andam juntos no melhor estilo ‘entre tapas e beijos’.

     

    Para mim, tenho que a verdadeira oposição ao amor é o medo. Esse sentimento é avassalador e paralisante como um veneno. É ele que nos pede para não dar um passo adiante. É a pergunta que nos tira a liberdade: o que os outros vão pensar de mim? Devo me entregar para um novo amor? Serei rejeitado se fizer isso? Saio ou não de casa rumo à minha independência? Vou conseguir sobreviver num país estrangeiro? Eu dou conta de ficar sozinho no mundo? E por aí vai...

     

    Cada um tem seu ego contaminado por suas maiores fraquezas e temores.

     

    Nesse ano tive o privilégio de dar de cara com o meu maior medo. E, é claro, desabei. No meio do caos, consegui olhá-lo de frente e até descobrir o motivo pelo qual ele se formou. Vi de perto o terreno fértil de fantasias que lhe serviram de alimento para aprofundar suas raízes frias na minha alma. Em poucas palavras, posso dizer que de alguma maneira procurei me cercar de atitudes emocionais viciadas e situações seguras para não ter de lidar com o medo de perda.

     

    Não é exclusividade minha. Todos nós, em algum momento de nossas vidas, aprendemos uma forma diferente de lidar com nossos maiores medos. Alguns contam piadas sem parar. Outros adoram viver cercados de pessoas. Uns têm medo de se relacionar com alguém. Uma infinidade de defesas eficientes, bem boladas pelo nosso cérebro primitivo.

     

    Se você perceber que alguma atitude repetitiva – ou como os psicólogos gostam de chamar, algum padrão – se repete a ponto de te prejudicar, você já terá dado o primeiro passo rumo à cura. A percepção de atitudes limitantes te coloca na busca por uma solução.

     

    Por mais desesperador que tenha sido meu recente encontro, a única palavra que me passa pela cabeça agora é LIBERDADE. Depois de delinear cada centímetro desse ‘bicho-papão’ fiquei mais consciente do poder que eu lhe entregava de bandeja. A partir de agora, o gatilho que me entrega para esse medo não será mais disparado, assim, tão facilmente. Posso até levar um tombo qualquer, mas vou estar com meus olhos grudados nos dele. ‘Ligadona’ em cada passo em falso que eu estiver tentada a dar. Consciente que agora se trata de uma escolha, e não mais de uma reação automática vinda do fundo das minhas defesas.

     

    Nesta semana estou partindo para a realização de um grande sonho. Vou fazer a caminhada de Santiago de Compostela. Para quem não conhece, trata-se de uma peregrinação de 800 quilômetros no norte da Espanha. Venho planejando essa viagem há mais de um ano e sei que ela não poderia ter chegado em momento melhor. São cerca de 30 dias de caminhada por belos lugares, tendo espaço para refletir sobre minhas escolhas, sob a influência ultra-benéfica da endorfina que meu corpo liberará nos muitos quilômetros diários. Na mochila, apenas o mínimo necessário. Qualquer souvenir fofinho que eu encontrar pelo caminho significará um peso a mais nas minhas costas. Literalmente. Portanto, todo desapego é pouco.

     

    Sem muitas expectativas, entro nesse caminho com o coração leve e cheio de tranqüilidade.

     

    Prometo aos atenciosos leitores dessa coluna que vou fazer todo o possível para enviar algumas reflexões do caminho durante esses dias. Se não conseguir, peço adiantadas desculpas.

     

    Um forte abraço e até a próxima!

    Escrito por Dani Guima às 17h18
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    O mundo é perfeito nas suas imperfeições

    Esses dias passaram comigo, assim... bem cabisbaixa. Andei pensando numa porção de coisas que poderiam ser diferentes, sempre tendo à minha frente um ideal de vida tranqüila e perfeita. Na verdade, estava incomodada pela falta de ordem nas coisas, pela maneira caótica como os acontecimentos chegam a mim. Estava numa onda de pessimismo e, pior, me achando vítima da situação. Foram uns três ou quatro dias de banzo.

     

    Esse período acabou e deu lugar a um frescor, a uma brisa calma, mas cheia de ânimo. Depois de ficar com uma tromba inútil, triste e infeliz, abri meus olhos e passei a ver uma porção de coisinhas. Comecei a perceber que o mundo é perfeito nas suas imperfeições. Na forma como os fatos acontecem por linhas tortas e, no final das contas, mandam a mensagem certa. Cheguei a uma confortante bifurcação: ou a vida é de uma sabedoria infinita, ou o homem é mesmo um bicho com incrível capacidade de superação. Ou, melhor ainda (opa, é uma ‘trifurcação’!): essas duas hipóteses podem ser verdadeiras.

     

    Sempre que pode, o ser humano sacode a poeira e dá a volta por cima, com o coração cheio de renovada esperança. Um exemplo disso é a forma como os brasileiros estão lidando com esse momento que veio à tona com revelações daquela figura impagável, que nesses dias se refestelou nos televisores desse país. É... ele mesmo. O tal Roberto Jefferson. Por mais que seja ruim ver o Brasil ter suas entranhas tão à mostra. Por mais que a gente não saiba se o que ele fala é verdade ou não. Esse homem é um abalo sísmico que tirou o chão de muita gente. Ele está mexendo com brios e estruturas de uma porção de pessoas - tanto lá no poder, quanto nas ruas. E isso é bom! E isso é curativo! Que tal, então, combinarmos de pensar assim? “Que bom que isso tudo está vindo à luz. É um primeiro passo para os políticos mudarem e perceberem coisas importantes”. Pensa bem. É ou não é?

     

    Tudo que acontece na nossa vida tem uma razão de ser. E, no final das contas, a gente dá um jeito de aprender com isso. Trata-se de uma fórmula muito misteriosa e engenhosa que a vida inventou para nos fazer evoluir. Perdeu o emprego? Seu amor partiu para outra? Levante a cabeça e siga adiante. Se tiver necessidade, dê espaço para viver o seu período de ‘luto’, seja qual for a razão. Mas procure logo, ‘loguinho’ mesmo, sair depressa do buraco onde se meteu. Sucesso é sinônimo de pessoas que levantam depressa das quedas. Porque cair, todo mundo cai. O que você vai fazer com esse tombo, esse aprendizado, cabe tão somente a você. Em toda crise habita uma nova oportunidade.

     

    Nós temos o poder de dar o sentido que quisermos para toda e qualquer situação que se apresente. Então se o seu grande objetivo é ser feliz, use as lentes da felicidade para olhar à sua volta. Tudo nessa vida tem, sim, seu lado bom.



    Escrito por Dani Guima às 17h14
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    De alquimia e amor

    Conta a lenda que uma moça vivia muito oprimida, com uma tia de mau humor impressionante. A velha vivia carrancuda, cheia de amargura e descontava tudo na pobre jovem, que lavava, limpava e passava da hora em que acordava até dormir. Anos a fio se passaram, e a sobrinha resolveu que a única forma de se livrar daquele fardo seria matá-la. Correu à casa de um grande curandeiro e pediu-lhe um veneno. O homem apresentou a solução:

     

    - Dê um pouco desse veneno a ela, junto com um chá, todos os dias. Ao fim de um mês, ela irá morrer e ninguém achará rastro do veneno na bebida ou no corpo. Como essa erva mata aos poucos, não irão desconfiar de você. Para se preservar, procure disfarçar seu ódio por tudo de ruim que ela lhe faz.

     

    A moça consentiu e foi embora. Em casa, ela serviu o chá junto com o veneno e o levou, sempre muito sorridente, procurando disfarçar seu plano. A velha estranhou a atitude, fez cara feia, mas aceitou o chá. E assim, os dias se passaram. Aos poucos, o gênio terrível da senhora foi se abrandando, causando até alguns lapsos de simpatia na jovem. Quando o veneno estava a três dias de causar a morte da rancorosa mulher, a moça se arrependeu e correu ao curandeiro para pedir ajuda:

     

    - Senhor, eu preciso de um antídoto. Não quero mais que minha tia morra. Ao levar o chá para ela, todos os dias, fomos nos aproximando e hoje já a sinto como uma amiga. Não quero mais que ela morra.

     

    O sábio curandeiro respondeu:

    - Agora é tarde. Aquela mulher má e rancorosa já morreu e deu espaço para o surgimento de um novo ser, que recebeu seu carinho e atenção, dia após dia. Naquele pó que te dei, nada havia. O nome do ‘veneno’ que você usou é AMOR e, para ele, não há antídoto.

     

    Perdoem a extensão dessa história, mas ela é muito emblemática. Lido todos os dias com pessoas que têm problemas de relacionamento na família e no trabalho. Lido, também, com os meus próprios fantasmas de cunho semelhante. Costumo até dizer que na vida profissional nós passamos 40% do tempo trabalhando na nossa real área de atuação. Os outros 60% estamos aprendendo a lidar com pessoas dos mais diversos tipos – que vão desde a gratuita simpatia à terrível sensação de precisar negociar com alguém, ao nosso ver, complicado e indigesto.

     

    Percebo que erro quando passo a bola pra frente, jogando a culpa em todas as pessoas que ‘não descem pela minha garganta’. “Por que fulano continua agindo assim? Por que beltrano não se modifica?”, costumamos indagar. Jogamos nosso foco para fora de nós mesmos. Apontamos nosso dedo indicador para todos os lados. Vomitamos sentenças e réus.

     

    Ao ler essa historinha simpática, me dei conta: é realmente necessária uma mudança de paradigma. Precisamos tomar as rédeas dessa situação e parar de passar a responsabilidade adiante. Afinal de contas, cada um sempre terá sua verdade, e fazer prevalecer a nossa nem sempre é certeza de justiça. Quem está certo, quem está errado? Não é tarefa fácil começar a amar figuras – até então desagradáveis – do dia para a noite. Mas é perfeitamente possível, sim, passar a tomar atitudes amorosas em relação às mesmas. O amor começa a florescer no nosso peito, e deixá-lo vir à tona só depende de uma escolha. Não falo aqui daquele amor romântico. Mas da essência desse sentimento em si, que permeia todas as relações humanas.

     

    Ao colocar uma lupa sobre a situação, você pode vir a se dar conta de que a ‘tia velha’ tem algumas virtudes que merecem reconhecimento e admiração. Por outro lado, as partes ruins podem ser abordadas e apontadas com carinho e respeito. A maior parte das pessoas prefere reagir aos defeitos dos outros de forma julgadora, pesada e explosiva. E mudar essa atitude demanda energia, disciplina e trabalho.

     

    Atitudes amorosas, tomadas dentro da consciência de que a compaixão é a mola mestra de todas as curas, têm poder transformador. É preciso sublimar ódios, medos e entrar numa freqüência de compreensão. Dessa forma, é possível fazer uma verdadeira alquimia e dar vida a terrenos antes áridos e tristes. Abrindo espaço, assim, para que coisas boas, novas e inesperadas aconteçam.

     

    Então, que tal convidar aquela figura para um ‘chá’?



    Escrito por Dani Guima às 17h08
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    A Velha Balela

    Dia desses, estava conversando com uma amiga e ela perguntou qual era a fórmula ideal para um relacionamento a dois dar certo. De imediato respondi: “Ninguém tem uma receita pronta. Acho que os segredos são vários, cada um encontra o seu”. Mas passados alguns segundos, pensei melhor e completei minha resposta: “Por outro lado, tem algumas coisas que acabam em confusão na certa”. Aí, a conversa rolou solta.

     

    Para ser sincera, não sou exemplo de pessoa bem-sucedida em namoros. Tive várias histórias problemáticas no passado. Vá entender porque essa amiga se interessou em saber minha opinião... Mas o fato é que o assunto despertou meu interesse e vi que ao longo da minha experiência nunca cheguei a uma conclusão final sobre o que daria certo. Mas sobre o que não funciona, isso sim, me arrisco a afirmar que descobri algumas coisinhas.

     

    No meu ver, o maior erro de todos é acreditar que os opostos se atraem. Nas leis da física pode ser, mas em assuntos amorosos... Que furada! Já acreditei num monte de outras coisas: que príncipes encantados existiam, que a vida podia ser como as comédias românticas que insisto em alugar, que tudo poderia ser sempre um mar de rosas e que as pessoas poderiam mudar seu jeito de ser por minha causa. Um monte de bobagens. Mas a maior de todas elas foi, certamente, a de que os opostos se atraem.

     

    Ao observar casais próximos e histórias contadas por amigos, vejo que outras pessoas também estão comprovando que se trata de uma afirmação descabida. Para um relacionamento perdurar, as pessoas precisam, sim, ter afinidades, gostos semelhantes, ritmos próximos, vontades e sonhos ritmados. Não é preciso ter tudo igualzinho, lógico. Isso seria completamente entediante. Se me falassem, chegaria a acreditar que casais com grandes diferenças podem ser felizes. Mas, meus amigos, também acredito que esse caminho é o mais difícil de se trilhar.

     

    Quando passa a fase da paixão, certamente aquele hábito charmoso que você via em seu companheiro, passa a ser esquisito, incômodo. A decepção de sempre ter que fazer algo diferente do que você naturalmente estaria fazendo no seu fim de semana passa a imperar. Você começa a se perguntar se sua opinião sobre as coisas está sendo levada em conta. Se está sendo respeitada. Se pode fazer o que realmente gosta. Enfim, as diferenças aparecem. E, com elas, o desgaste.

     

    Por outro lado, quando um casal tem valores parecidos, expectativas de vida semelhantes, tudo parece fluir mais fácil. Gostos em comum também são trunfos importantes no cotidiano de um casal. Compartilhar momentos, hobbies, estilo de vida e ritmo tonifica a amizade, fortalece o companheirismo, aumenta os momentos de camaradagem. Que são, justamente, os pontos a serem fortalecidos ao longo dos anos, quando a paixão assume um ritmo intermitente – às vezes vem, às vezes vai.

     

    Quando eu estava tomando fôlego para falar mais uma porção de conselhos, vi que minha amiga já começava a me lançar um ar duvidoso. Talvez ouviu algo que não queria. Consegui conter minha vontade de dizer outras coisas e me dei conta de que cada um tem mesmo a sua história e aprendizado a viver. Sem graça, fiquei quieta e sorri fechando meu discurso: “Ouve seu coração que tudo acaba dando certo”. Fico quieta de novo e, agora, apenas observo.



    Escrito por Dani Guima às 17h06
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    Ventos das Mudanças

    “Quando os ventos das mudanças chegarem, não construa abrigos. Construa cata-ventos”. (Claus Moller)

     

    Dei de cara com essa frase, dia desses. Fiquei impressionada de ver a riqueza do significado da expressão. Percebi que já havia me deparado com esse ensinamento em vários outros momentos da vida – em duras lições, em conselhos carinhosos da minha avó, em letras de músicas. Certamente, se entregar para as situações novas que nos são apresentadas é um tema que sempre despertou a curiosidade e a reflexão da nossa espécie.

     

    Quando escuto alguém dizer que todas as mudanças assustam, concordo e entendo. Mas sei que mais assustador ainda seria passarmos pela vida acomodados, amedrontados, fugindo do vento e dos seus novos ares. Ainda bem que a vida, experiente como ela só, sempre dá um jeito de nos sacudir e nos colocar em movimento. É no enfrentar desses ventos que a gente descobre novos continentes, vislumbra novas fronteiras e realidades.

     

    Lembro com muito carinho dos dias em que costumava ir visitar minha avó, em doces tardes de domingo, molhando o pão com manteiga num quentinho café com leite. No meio daquele aconchego gostoso eu podia pedir conselhos para ela. Eu precisava aprender como lidar com o frio na barriga diante de algum desafio inesperado. Vovó, do alto de sua sabedoria lapidada por muitos vendavais, apenas sorria e setenciava: “Deita n’água, minha querida. Deixa que a vida te leve rio afora”. A sensação de conforto, confiança e fé que sinto ao lembrar dessa frase mostra que não adianta nadar contra a correnteza. A sucessão dos acontecimentos tem sua sabedoria e ritmo. Quando me assusto, procuro pensar no conforto que sinto quando bóio na água, de olhos fechados... É por lá que quero ficar.

     

    Viver dentro dessa sensação exige uma boa dose de confiança, de fé na vida, no Universo ou em Deus. Pode não ser tão fácil para alguns. Mas posso garantir: todas as vezes que cheguei perto de acreditar ter controle dos fatos, a vida me deu uma rasteira, tirou meu chão, deixou meu rosto à mercê dos ventos das mudanças. E sou grata por isso. O que nós fazemos com as tais ventanias só depende de nossa escolha. Ao construir abrigos, você estará se poupando de crescer, aprender, evoluir. Ao construir cata-ventos, você estará usando essa força natural ao seu favor. E com ela poderá transformar velhos conceitos, hábitos antigos, deteriorados relacionamentos.

     

    Experimente colocar seu rosto ao vento. Sentir o frescor da brisa recheada de ares renovados te trazer diferentes perspectivas, compreensões e descobertas. Zeca Pagodinho, “muso” das cervejas e do velho samba bem dito, sabia disso e ganhou rios de dinheiro com a gostosa cantada: “Deixa a vida me levar... vida leva eu”. É engraçado observar o rosto da turma cantando essa música. Deixam vir à tona um semblante tranqüilo, feliz e entregue à maré. Bom de ver e de ouvir.



    Escrito por Dani Guima às 17h06
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    O Cinza das Coisas

    Não sei o porquê. Se foi pela minha criação ou se era coisa de personalidade. O fato é que cresci com a máxima de que as coisas devem ser pretas ou brancas. Taxava tudo que via pela frente: isso é bom, aquilo é ruim, tal coisa não me serve, a outra parece ser boa. Com a vivência, vamos percebendo que a realidade passa longe disso. Tudo é relativo. A vida, em si, é cheia de tons cinzentos. Nunca só pretos. Nunca só brancos. Nessa altura, a gente percebe o quanto isso nos traz liberdade.

     

    Comecei a perceber que as pessoas, as situações têm essa dualidade. Ninguém é sempre bom ou mau. E é isso que enriquece as relações. Eu costumava ter na minha cabeça coisas catalogadas, separadas em arquivos, e não percebia que uma pessoa poderia estar agindo de uma determinada forma em função de uma gama de variáveis. “Se fulano me destratou, é porque se trata de uma pessoa grossa, desequilibrada e arrogante”, eu repetia. Hoje, vejo que perdi belas oportunidades de pensar que tal atitude poderia ser simplesmente fruto de um dia ruim, de uma fase difícil, de um momento de aprendizado.

     

    Isso ficou mais claro nesses últimos tempos. O interessante é que isso aconteceu de um jeito inesperado, lúdico. Apesar de vivenciar isso sempre no meu dia a dia, só fui perceber a riqueza desta mensagem por causa de um desses seriados de TV. Nos últimos tempos fiquei viciada em assistir a série “Plantão Médico”, o famoso ER. Comprei, de cara, as caixas das três primeiras temporadas. Logo nos capítulos iniciais, comecei a tentar formar o perfil dos personagens da história. A cada novo episódio, percebia características de cada um deles, e ia somando às anteriores, procurando criar estereótipos. Vício de novela brasileira.

     

    Graças à destreza excepcional do autor de ER, não consegui fechar conceito sobre ninguém. Quando eu começava a prever uma certa atitude, o personagem dava uma revira-volta e tinha oportunidade de agir de forma inesperada. Depois de todos os capítulos assistidos, me dei conta de que é uma imitação quase perfeita da vida. As figuras que ali eu encontrava tinham determinadas qualidades que, diante de algumas circunstâncias, os faziam tomar contornos diferentes, os levavam à necessidade de se adaptar, de agir de outra forma. Lembrei de várias situações que me levaram a criar um mau julgamento sobre alguém. E que, meses depois, tive a clareza de compreender que “não era bem assim”.

     

    A dualidade guarda em si muita riqueza. A diferença entre as pessoas nos faz dar de cara com uma porção de julgamentos e pré-disposições. Fatos adversos tomam contornos inesperados de acordo com o ajuste do nosso olhar. Ricas idéias podem surgir desse encontro de idéias contrastantes. E é aí que a gente cresce e aprende uma importante lição: tolerância e compaixão andam de mãos dadas. Ao invés de ficarmos maldizendo o fato de ter que lidar com uma pessoa que não age de acordo com nossas crenças e expectativas, podemos olhar para essa situação e aprender com ela. E nos surpreender com tanta riqueza, tanta novidade.



    Escrito por Dani Guima às 17h05
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    Orai e vigiai

    Perdoem os leitores que já torceram o nariz ao ler o título com inspiração bíblica. Não pretendo fazer desse texto uma homilia ou pregação evangélica, mas afirmo: bem que a gente poderia prestar um pouquinho mais de atenção no sentido dessa frase. Como quase tudo na Bíblia, é interessante nos deixar levar pela interpretação metafórica para entender essa expressão.

     

    Acredito que essa frase pode significar outra coisa, além do “comece a rezar vigiando tudo à sua volta”. Isso é muito chato e tenso. Penso que se trata muito mais sobre saber viver o momento presente – e, especialmente – de fazê-lo de forma consciente. Você consegue fazer isso? Nessa correria de hoje na qual as pessoas costumam viver suas vidas no piloto automático, quem realmente consegue estar atento aos próprios pensamentos, palavras, ações e hábitos?

     

    Ao ler o “orar” dessa expressão, acredito que o conselho quer levar a humanidade a estar mais conectada consigo mesma, sintonizada com a própria consciência e valores. Já a expressão “vigiai” pode ser interpretada como a importância de estar de olho nas nossas emoções, nas defesas que criamos ao longo de nossa existência, nos recados mal intencionados enviados pelo ego, nas armadilhas dos julgamentos que fazemos, na cegueira pessimista que nos impede de ver o quanto a vida nos tem sido generosa.

     

    Nessa maluquice nossa de cada dia, pode ser uma experiência muito libertadora parar um pouco. Aí então, observar, ouvir, pensar, analisar. “Como quero viver minha vida? O que espero alcançar com esse comportamento? Estou me expressando corretamente? Sou generoso comigo mesmo? Estou falando por falar? Ajo sem pensar nas conseqüências?” Enfim, perguntas. Várias delas. Esse diálogo interno pode ser muito saudável. Serve para colocar as coisas em perspectiva e, talvez, encontrar os seus devidos lugares. Cuidado apenas para não se questionar tanto a ponto de esbarrar nas beiras da dúvida, da paranóia ou da autopunição.

     

    A vida tem muito potencial para ser recheada de momentos mais verdadeiros e intensos se, ao menos, conseguirmos vivê-lo. Ali, naquele exato momento. Não espere chegar o aniversário do amigo para lhe ser generoso com um sorriso. Nem viver no futuro sonhando com as desejadas férias e esquecer de agradecer pelo emprego, pelos bons colegas de trabalho e, por que não, pelos maus que nos ensinam a confrontar nossos bichos. A pressa do cotidiano não nos deixa ver essas situações com clareza. Acredito que nessa hora, e em qualquer outra, o “Orai e vigiai” pode – mesmo – ser muito útil. A vida é apenas, e tão somente, o agora.



    Escrito por Dani Guima às 17h04
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    Meu primeiro anti-rugas

    A vida é feita de dias ordinários e dias de passagem. No meio do cotidiano, brota uma data em que tudo acontece: enfim você passa no vestibular, o carteiro entrega a sua licença de motorista, você conhece o amor da sua vida, diz um sim diante do altar. Homens e mulheres têm seus ritos de passagens (como eu amo essa expressão!). Posso falar por elas, que têm muitos dias assim. Até porque é da natureza feminina encher os momentos de significados, de importâncias e marcas.

     

    Nesses dias, senti que finalmente virei uma mulher adulta. Passei o meu primeiro creme anti-rugas da vida. Os dermatologistas recomendam que acima dos 25 anos se inicie o tratamento de prevenção à chegada das primeiras marcas. Adiei essa recomendação por dois anos. E agora a faço, solenemente, aos 27. Acordei, fui ao banheiro com aquela cara de sono, olhei no espelho e disse: é hoje! Lavei meu rosto, limpei minha pele cuidadosamente e, enfim, apliquei o novo creme iniciando um ritual que deverá me acompanhar pelos anos que a vida me conceder.

     

    Saí de casa me sentindo diferente. E fiquei achando graça deste dia me lembrar aquele, aos 13 anos, quando virei moça. De manhãzinha cedo, senti aquela sensação esquisita, uma dorzinha de leve. Algo novo estava acontecendo. Corri para o banheiro e tive a certeza. Eram seis horas da manhã. Morava apenas com meu pai na época, que saiu todo satisfeito para comprar o meu primeiro pacote de absorventes. Liguei para minha mãe e, menos de meia hora depois, todas as minhas tias e avó estavam me ligando para dar os parabéns. Até o fim daquele dia, ganhei flores e um anel de ouro, fino, com um brilhantinho solitário. Fomos nós todos que demos significado àquele dia. E ele ficou guardado, carinhosamente, na minha memória.

     

    Agora, quero repetir, em certa medida, aquela sensação gostosa de saudar com alegria uma nova fase de vida. Despeço-me com dignidade dos dias de crise ao me deparar com a realidade que preciso me virar sozinha. A sensação de saber que as tarde chuvosas comendo biscoito de chocolate, assistindo sessão da tarde, acabaram. Apesar de trabalhar desde os 18, ainda amargava um pouco ao lembrar da ruptura desses laços. Foram nós atados que precisaram de anos para se desfazerem, suavemente, a cada dia.

     

    A minha história agora é só minha. Tenho que acordar cedo, ganhar a vida, preparar meu café, colocar a roupa na máquina de lavar, me aprontar para o trabalho e conquistar o salário que me sustenta no final do mês. A sensação taciturna, quase melancólica, de não ter mais os pais por perto fica, agora, para trás. Cresci, sou adulta. O que vem por aí será renovação. São os eternos ciclos que recomeçam na sinfonia da vida.

     

    E tudo, por causa do meu primeiro creme anti-rugas. Que venha a primeira gravidez, as perguntas sobre como educar os filhos, as muitas contas a pagar, os cabelos brancos, as cirurgias plásticas (ainda estou muito dividida sobre isso!) e, apesar do meu creme maravilhoso, as primeiras rugas. E isso é lindo. Estou feliz e quero compartilhar isso com todos vocês. Acredito que esse é um bom exercício. Se assim desejarem, que tal experimentar imprimir mais significados aos momentos que dividem as águas das suas vidas. Vale a pena!



    Escrito por Dani Guima às 15h19
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    Quem está falando?

    Pra gente ser feliz. Esse é o nome da coluna que passo a escrever a partir de hoje. Vamos desde já esclarecer alguns pontos básicos: o nome pode ser pretensioso, mas os textos serão bem mais simples do que o título pretende ser. Não são receitas prontas de como ser feliz, até porque cada um encontra um monte delas pela própria vida. E são tão pessoais, exclusivas e individuais, que não me passaria pela cabeça dizer o melhor caminho para levar a vida num mar de rosas.

     

    Esclarecido esse ponto, digo a que vim. Ao longo da minha vida procuro estar sempre atenta às coisas que acontecem ao meu redor. Sempre procuro tirar algum ensinamento ou forma diferente de ver as coisas em palavras, olhares, situações, relacionamentos. E gosto, de quando em vez, de dividir isso com outras pessoas. Pode ser que algumas descubram um novo viés tendo o ponto de vista das minhas sensações.

     

    Gosto, especialmente, de falar sobre reflexões da vida, percepções do cotidiano, observações, sonhos. E, por que não, sobre evolução espiritual? Obviamente, muitos textos terão por base a ótica do universo feminino, o que não os torna menos interessantes para homens – posto que muitos argumentam não entender as mulheres. Proponho, portanto, que comecemos com uma conversa sobre aquela voz que nos acompanha em todos os momentos da vida.

     

    Não adianta negar: é claro que você sabe do que estou falando. É aquela sensação que nos acompanha, que nos diz quando estamos no caminho certo e, também, no errado. Para os religiosos, é Deus. Para os espiritualistas, o Eu Superior. Para os agnósticos e ateus, a consciência. Credos a parte, vejo que toda vez que tampo meus ouvidos para a tal voz, acabo me arrependendo. Quando percebo, a língua já falou o que não devia, o ego deu um alô na discussão, o medo venceu o amor. Podem me chamar de criativa, imaginativa, crédula demais, até de boba. Mas sinto que devo respeito a essa “blitz” interna. Ela sempre parece mostrar a situação certa, aquela em que deixa a alma tranqüila. Porém, nem sempre é a situação mais fácil ou confortável a seguir.


    Por que teimo em sair nas noites que sinto que meu corpo pede para ficar em casa e descansar? Pior... por que falo algo para uma pessoa só porque meu coração está ferido e teimo em querer machucá-la também? Por que como aquele prato a mais se eu sei que depois vou entrar naquele estado de letargia e arrependimento da barriga cheia? Por que teimo em dizer sim, quando posso aprender a dizer um não gentilmente? Por que faço as coisas com pressa se sei que posso viver melhor se agir com mais calma?

     
    Muitas perguntas que já têm resposta. Basta um minuto de silêncio para ouvir a dica do melhor a fazer. Entendam... não estou na fila do Vaticano para virar santa. Tampouco tenho a pretensão de ser perfeita. Mas posso querer, sim, estar melhor a cada dia. E, por que não, me sentir em sintonia com a tal voz interior? Ouvir meu coração, entender meus pensamentos, respeitar minhas escolhas.


    Pare agora e se pergunte: eu sei do que ela está falando? Tenho certeza que saberá.

     



    Escrito por Dani Guima às 15h16
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