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    Pra Gente ser Feliz


    Você se permite viver o prazer?

    Culpa. Eis a ferramenta principal de controle dos indivíduos. Começou com a Igreja, enchendo os fiéis de ameaças e medos. Os tentáculos, depois, se espalharam pela sociedade, pela família, pelo convívio na comunidade. Todo mundo de olho em todo mundo, para delatar o primeiro passo em falso do próximo.

     

    A busca está em diferenciar em nós o que é pecado daquilo que é simplesmente uma escolha de vida que contraria interesses alheios. E digo mais: “É a consciência de cada um que dita o tamanho do próprio pecado”. Parece muito subversivo para você? Experimente fazer isso com equilíbrio e respeito ao próximo. Essa afirmação passa bem longe de rebeldia e de anarquia. Tem suas raízes, isso sim, semeadas na liberdade e no respeito pessoal.

     

    Observe que viver livremente, incorporando as próprias escolhas não é sinônimo de enfiar-se na esbórnia, no egoísmo. Não mesmo. Está em experimentar viver plenamente dentro dos próprios valores, respeitando – sempre – o direito do outro. Mas respeitando, sobretudo, os próprios direitos. A questão é que aprendemos muita coisa sobre deveres, e quase nada sobre direitos. Falo, especialmente, de direitos emocionais.

     

    A cobrança da sociedade nos dias de hoje é tão grande, que precisamos estar sempre dispostos a caber dentro de algum papel – de sermos bem sucedidos, bem casados, bem empregados. De pilotar carros novos e limpos. De estarmos dentro da moda. De sermos religiosos, politicamente corretos, bons filhos, bons pais, bons donos de casa. De sermos exemplo de saúde e corpos no lugar. Ah, espera aí! Você pode até ser tudo isso aí acima, desde que seja uma escolha. E não uma imposição, um rótulo.

     

    Vemos, todos os dias, pessoas abrirem mão de sonhos, desejos, projetos e, principalmente, prazeres pessoais em nome de cumprir um dever, um papel diante de alguém ou de algo. É o caso de filhos que vivem o sonho dos pais.  É o companheiro, esposa ou namorado que se sentem inseguros diante de uma ousadia, de uma busca pessoal sua. É a religião que impõe uma porção de limites a novos aprendizados e experiências, para manter seu rebanho fiel e sob controle. É a sociedade com sua ditadura de sucesso e beleza, que te faz sentir um zero a esquerda depois de folhear uma revista no estilo “Caras”.

     

    Repito e reafirmo: você pode ser tudo isso aí acima, desde que essa seja a sua escolha, consciente, pensada e desejada. Uma escolha implica decidir sobre algo com base na vontade, no desejo, no prazer de viver alguma coisa. Quanto mais você agir por imposição de outrem, mais distante fica de si mesmo. Aí pode ser que depois de um tempo você nem faça mais idéia de quem realmente é. Desconhece-se, do tanto que passou a viver o desejo dos outros. “Quem sou eu? Do que realmente gosto? Que música prefiro ouvir? Que trabalho quero realizar? O que me deixa alegre?”

     

    Tantas perguntas sem respostas, em função de anos e anos vividos em desconexão com o propósito e desejo pessoais. Viver o que os outros querem nos torna seres apagados, infelizes, raivosos e, por conseqüência, doentes. Afinal, o que nos aborrece, é o que nos adoece! Procure, sempre, a SUA verdade. Não é fácil, mas vale todo o trabalho para fazer acontecer.

     

    Chega de vivermos presos à era dos extremos, do 8 ou 80, do preto ou branco, do certo ou  errado. Enquanto estivermos nessa dualidade, saberemos muito pouco sobre a verdadeira liberdade. Permita-se! Escute-se! Experimente! Receitas de felicidade existem muitas, milhares, bilhares. Não acredite quando te dizem que é uma só. Cada um pode e precisa ter a sua.

     

    Esse texto é um convite a cada um revisar consigo o que está abrindo mão, e que não quer mais abrir. Um convite, também, a passar a limpo aquela lista antiga e empoeirada onde estão guardados os mais lindos sonhos, desejos e buscas. Seja tudo isso, novamente, e mais uma vez! Apenas seja!

     

    Daniela Guima é jornalista e está reaprendendo a viver depois de tantos anos querendo corresponder às expectativas dos outros.



    Escrito por Dani Guima às 13h52
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