Um dia de cada vez

Em diferentes reflexões que fiz ao longo da minha vida, quase sempre chegava à conclusão que precisava aprender a viver o presente. Há anos medito sobre esse tema e, com o coração sincero, me empenho em colocar essa percepção em prática, cada vez um pouquinho mais. Ao longo do tempo, tive alguns bons avanços e conquistas – mas confesso: eles foram nada se comparados ao que está ocorrendo nessa exata fase da minha vida.
Quando olho para trás, percebo que cada pequeno avanço que conseguia dar nessa direção ocorria lentamente, no meu tempo e numa zona de conforto que eu cuidadosamente havia construído. Com a chegada da Rafaela, a busca de viver o agora tornou-se uma urgência diária, constante e providencial.
Quem tem um bebê em casa percebe rapidamente que planejar é um verbo que sai do seu vocabulário. Eu que sempre fui fã de fazer planos, passei a conviver com um simpático serzinho que se encarrega de me desconsertar a cada tentativa de planejar o passo seguinte. Quando começo a me acostumar com uma rotina, um jeito de ser, com horários e “hábitos” da minha pequena, tudo muda! Ela começa a querer fazer as coisas de forma diferente, em horários diferentes, por motivos diferentes.
E lá vou eu! Sou novamente retirada de uma breve zona de conforto, e arremessada com o peito aberto no terreno do novo e do imprevisível. Junto com esse terreno, chega o aprendizado de saber apreciar o transitório, a impermanência e a evolução dos fatos. Com um neném, só dá para viver um dia de cada vez. Nenhuma experiência poderia ser mais eficiente para arrebentar as amarras de controle de neuróticos, obsessivos e control-freaks...
Com Rafaela aprendo a viver e a curtir o dia de hoje. Ao seu lado, começo a entender que o momento de agora não se chama “presente” por acaso...
Que venham os dias...
Mas um de cada vez!
Escrito por Dani Guima às 15h25
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A cada escolha, uma vida mais feliz
Pense bem: todos os dias temos diversos motivos para reclamar, e tantos outros motivos mais para agradecer. Partindo dessa simples premissa, surgem outras perguntas igualmente simples: como você quer passar a sua vida? Reclamando ou agradecendo?
Com exceção de situações extremas, todas as ocorrências nos permitem percebê-las com um novo olhar.
Digamos que seu computador parou de funcionar hoje. Ao invés de se perder em xingamentos, que tal colocar as coisas em perspectiva e perceber que, apenas neste ano, ele funcionou bem em outros trezentos e tantos dias e, somente agora, foi parar. Não se identifique demais com a situação e tire proveito: durante a ausência da máquina, aproveite para organizar documentos, gavetas... Pensamentos, que sejam!
Essa situação ilustra o quanto nós tomamos por garantidos os dias em que as coisas vão bem e esquecemos de agradecer. E, por outro lado, quando algo não vai de acordo com o esperado, nos colamos e nos identificamos completamente com as situações adversas.
Fez as compras de supermercado e tem que subir as escadas com inúmeras sacolas? Veja só que coisa boa... É excelente oportunidade para fazer esforço físico, suar, respirar forte e sentir o corpo cheio de vida. No lugar de maldizer esse momento, agradeça por tudo: pela saúde que tem para carregar as sacolas, pelo dinheiro que tem para fazer compras e pela linda família que tem para consumi-las.
Sei que pode soar como exagero. É mesmo proposta para nenhuma Poliana botar defeito. Mas é real e possível: a forma como vivemos depende de como escolhemos encarar as situações diversas que surgem, uma a uma. E, como qualquer outra coisa na vida, deixar de ser um reclamão exige treino e boas doses de auto-observação.
Nos últimos tempos, me comprometi comigo mesma a viver os meus dias com o coração cheio de alegria e esperança, pelo máximo de tempo que eu conseguir. Quero ter um olhar generoso para tudo que ocorre à minha volta. E sei que isso só acontece se, internamente, eu perceber o lado favorável e engrandecedor que está implícito em cada situação. Pintou um fato não muito agradável? Vou vivê-lo, senti-lo e aprender com ele. Não vou mais me prender a ele, nem entrar num processo sem fim de remoer o que passou.
Cair, aprender e levantar. E, assim, construir – momento a momento, escolha a escolha – uma vida mais feliz.
Escrito por Dani Guima às 14h43
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