Fazer acontecer

Entre as mudanças que ocorreram na minha vida com a chegada da Rafaela, uma delas é surpreendente: tornei-me absolutamente fissurada por parquinhos infantis. Na quadra em que moro, ainda não tem um.
Nos últimos meses, sempre que passeava por lugares que têm um parquinho infantil com crianças brincando e pulando na areia, soltava suspiros e sonhava em mudar de endereço – para qualquer lugar que tivesse por perto um playground bacana.
Eu olhava para o gramadão lindo em frente do meu prédio e pensava: que baita desperdício! Em função dessa falta de opção de lazer, mal vejo as crianças da vizinhança. Mas sei que existem, pelos choros que dá para ouvir hora lá, hora cá, ao longo do dia.
Isso precisava mudar.
Num rompante de ânimo, saí pesquisando e descobri que é incumbência da Administração de Brasília a instalação de parques e brinquedos infantis nas quadras. Descobri o nome do político que administra esse órgão e, para minha surpresa, já havia trabalhado comigo numa ocasião, anos antes. Consegui seu telefone celular e, sem vergonha na cara, liguei expondo minha reivindicação: um parquinho novo bem em frente de casa.
Prestativo, o administrador avisou-me que faria o estudo da nossa solicitação com prazer, desde que eu conseguisse assinaturas dos moradores da quadra. “É que o abaixo-assinado sensibiliza as autoridades a atenderem o pedido mais rápido”, justificou. Agradeci. Desliguei o telefone. Murchei. Ah... que preguiça de sair por aí pedindo assinatura de todo mundo! Ah... nem...
No dia seguinte, saindo de casa vi o rostinho da filhota, toda pilhada para brincar... fiquei com aquela imagem na cabeça e peguei o fiozinho de ânimo que restava para pesquisar na Internet um modelo de abaixo-assinado. Encontrei fácil. Empolguei e escrevi o nosso. Puxa, ficou bacana!! Agora só falta pegar dezenas de assinaturas... Preguiça de novo...
Mas fui...
Batendo de porta em porta. Parando os moradores na rua. Abordando-os embaixo do bloco. Alguns até corriam pensando que era assalto. Hahahah! Para diminuir a resistência, levei a Rafaela comigo, pendurada na mochila-canguru, anunciando-a como líder do MSP (Movimento dos Sem Parquinho). A cada casa que eu batia, descobri que boa parte delas tinham crianças – ou filhos, ou netos, ou sobrinhos. Isso me motivou, fortaleceu o meu propósito: quero arrumar um canto maneiro pra essa criançada tomar Sol, rolar na areia, e fazer novos amigos.
Mas, mais que isso: vi o brilho no olhar das pessoas, que sentiram vontade de fazer algo, de participar, de fazer acontecer. Ao invés de ficar sentada reclamando de político corrupto, a turma toda participou e assinou o tal documento.
Sinto uma energia diferente em mim, provavelmente vinda desse senso de comunidade que despertou forte nesses últimos dias.
Não sei se o pleito vai dar certo. Tenho fé que sim.
Amanhã entrego os documentos na tal Administração.
Torçam pelo parquinho! Em breve, posto mais notícias!!!
Beijos e beijos, Dani.
Escrito por Dani Guima às 18h16
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Resolução de Ano Novo

Ferris Bueller é o cara.
O bon-vivant do filme Curtindo a Vida Adoidado sabia das coisas: a vida é muito curta para sermos tristes, preocupados, culpados e/ou deprimidos.
É isso aí! Eis meu protesto: cansei de ser triste!
Tá fora de moda, é chato e irritante!
Quero fincar minhas unhas nos momentos bons. Degustá-los lentamente. Sorver cada gotinha de alegria. Remoer várias vezes, e mais uma vez, os sorrisos da pequena Rafaela. Curtir cada segundo dos carinhos do maridão. Admirar os gestos gentis dos meus familiares e amigos. Agradecer a cada dia que renasce nas manhãs.
Quero, também, fingir quando eu estiver triste. Fingir até para mim mesma. Fingir tanto, até que eu me convença de que estou feliz e satisfeita com a minha vida.
E de tanto ser feliz, quero esquecer de como é ser triste.
E, assim, começar tudo outra vez. Um novo jeito de ser, um novo jeito de viver.
Que a DPP vá para a PQP! - Eis a minha resolução de Ano Novo.
Escrito por Dani Guima às 17h12
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