A responsabilização que livra de toda a culpa

Com base no princípio de que tudo tem luz e sombra, resolvi virar a mesa na minha vida com relação a um tema bastante sensível para muitas pessoas: a culpa.
É horrível nos sentirmos culpados por algo. Mesmo que a história seja uma fantasia da nossa cabeça. Para começar, prestei muita atenção na afirmação de que “a mente mente”. Mente, e muito! Descobri que boa parte das minhas reações emocionais, que eu não conseguia entender de onde vinha, partia de uma grande fantasia de culpa que criei em algum momento. E, por meio de muita terapia e busca pessoal, tive a felicidade de perceber que tudo não passava de uma grande ilusão.
Retirados esses véus, findadas as fantasias, saí disso tudo com uma ferramenta maravilhosa que desejo compartilhar aqui no blog: o lado-luz da culpa é a responsabilização! O benefício que tirei dessa conclusão foi imenso. Senti-me mais potente e, ao mesmo tempo, leve e livre. Encontrei a responsabilidade que não pesa, mas libera.
Em primeiro lugar, é importante avaliar se o que aconteceu é realmente responsabilidade sua, ou se existe a possibilidade de que várias outras pessoas ou, ainda, uma sucessão de fatos o fizeram crer nisso. Vale lembrar que, boa parte dessas conclusões fantasiosas são criadas por nós mesmos. Especialmente as mais elementares, que mais nos tocam – essas, em geral, formadas na infância.
Feito esse questionamento, o passo seguinte é perceber que, quando cometemos um erro, quando falhamos em algum projeto, em alguma relação, temos a preciosa chance de aprender com o que aconteceu. Culpa para quê? Não há nada mais inútil e paralisante do que esse sentimento. O importante é nos responsabilizarmos pelo ocorrido, sem grandes dramas, dores e auto-punições. Não existe essa história de “ah, não deu certo!”. Deu certo sim – especialmente se focarmos no aprendizado que tiramos da situação, que nos traz novas formas de agir. O segredo é levantar rápido das quedas e não ficar lambendo o chão das culpas.
Ao fazer isso, nos responsabilizamos pela nossa própria vida e paramos de ficar procurando bodes expiatórios para as situações em que não tivemos sucesso. Um exemplo corriqueiro disso é quando um casal não vai bem, e um deles sentencia: “é tudo culpa dele(a)!”. Quando fazemos isso, não percebemos que o ato de lançar culpas para todos os lados é totalmente contraproducente. As pessoas perdem a grande oportunidade de se responsabilizar pela sua cota de participação nas relações que, invariavelmente, é de 50% / 50%.
Quando nos responsabilizamos pela nossa própria sorte, ganhamos poder pessoal e ficamos prontos para fazer diferente dali em diante. Assumimos as rédeas de nossas próprias vidas e atos. Adquirimos novas ferramentas com tudo o que passou. Analisamos, questionamos e aceitamos a nossa contribuição em qualquer que seja o cenário. E isso é bom demais! Ao invés de procurarmos culpados, nos tornamos conscientes da nossa parte e evoluímos a partir dela. Usamos a nosso favor, algo que poderia ficar nos consumindo. Ganhamos movimento e escolhas.
Muita gente evita entrar em contato com essa sensação porque encara uma falha como culpa. O que proponho é que troquem a palavra culpa, e todo peso que ela traz consigo, por responsabilização. E que sintam dentro de si a força, o frescor e as infinitas possibilidades que essa atitude traz.
Em Ordem, Luz e Amor,
Daniela Guima.
Escrito por Dani Guima às 17h18
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Somos todos americanos

Nunca antes na história deste planeta um mestiço afrodescendente foi seu habitante mais poderoso. Não mais. Por mais que as pesquisas já indicassem a vitória de Barack Obama, ela é tão épica e multidimensional que nos enche de espanto e ânimo.
Obama é um fenômeno global, sua vitória reflete não só a escolha da maioria dos americanos, mas da grande maioria dos seres humanos. O que lhe dá ainda mais legitimidade como líder. E liderança será preciso para tirar o mundo dessa recessão que ainda não tem tamanho, mas parece feia.
Tanto melhor que sejam os Estados Unidos da América os provedores desse raio renovador na deprimida cena global. Entre as verdadeiras heranças malditas legadas por oito anos de bushismo, talvez a pior seja o agudo e estúpido antiamericanismo.
Tão irracional quanto disseminado, ele alimenta e para alguns até justifica forças obscurantistas e perigosas como o neoczarismo russo, o absolutismo chinês, o petropopulismo chavista, o messianismo nuclear iraniano, o terrorismo islamofascista.
Conceitos absurdos como o de que os EUA são um país de brutos, ignorantes e caipiras são cuspidos pela suposta intelligentsia mundial apesar de o país ter as melhores universidades do planeta, ser seu maior produtor e consumidor de cultura, ser a nação mais inovadora e criadora de tecnologias, ter o maior número de prêmios Nobel, ter inventado a internet e o YouTube, ser de longe ainda a maior economia do mundo.
E aquela conversa de que "Nova York é fantástica, mas não tem nada a ver com os Estados Unidos"? Seria como dizer que "São Paulo é fantástica, mas não tem nada a ver com o Brasil".
E aqueles que achavam impossível os EUA, tão "racistas e reacionários", elegerem um presidente negro e progressista de forma tão decidida? (Alguém arrisca dizer em que ano o Brasil, com muito mais afrodescendentes, terá um presidente negro?)
Os americanos não poderiam dar resposta melhor ao mundo(e ao bushismo) do que conduzir Michelle e Barack Obama à Casa Branca.
Não que sua fulminante vitória eleitoral, por mais impactante e transformadora, garanta um final feliz para a triste história de George W. Bush em Washington. Os desafios são tão grandes quanto seu triunfo, se não maiores.
Mas a satisfação global com a inspiradora conquista de Obama já dá algum alento a um mundo em desaceleração, quase parando.
Vamos torcer por Obama e pelo que sua impressionante vitória representa. Hoje, somos todos americanos.
Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas. E-mail: smalberg@uol.com.br
Escrito por Dani Guima às 11h17
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