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Reflexão instigante
EM DIA COM A PSICANÁLISE Regina Teixeira da Costa * 
Você precisa de alguém A letra da música já diz tudo: você precisa de alguém que lhe dê segurança, senão você dança, senão você dança... E não é assim? Não há momentos em que recorremos a amigos, achamos que solteiros estamos infelizes; sofremos, pois o marido não escuta, ninguém nos entende? Recorremos a tratamentos, ioga, ginástica, cursos. Queremos enfim qualquer alça, beirada, para nos agarrarmos como se precisássemos de uma tábua de salvação. Estamos tantas vezes com a sensação igual à de Alice no País das Maravilhas, não podemos relaxar, pois acabamos assustadoramente caindo num buraco vertiginoso, chegando numa terra estrangeira e surrealista, com bicho estranho para todo lado e gente esquisita, talvez má, talvez boa. Andamos – e não estou falando nem para loucos nem doentes mentais, falo dos “normais” – pelo mundo sem nenhuma garantia de estar indo bem ou mal, numa selva embaraçada de pensamentos, muitas vezes semidelirantes, assim é o nosso imaginário: delirante e assustador. E o pior é que, quando paramos para dar atenção a ele, o medo se transforma num paredão intransponível. É o fim da linha: resta-nos a procura de um psiquiatra, de preferência bem biológico, que vá nos ensinar uma psiquiatria cosmética. Nas palavras do psicanalista e psiquiatra Eric Laurent: eis-me aqui, estou meio caído (down), me dope. Há uma falta na natureza, minhas sinapses não funcionam, há visivelmente uma falta, preciso que você a cubra, preciso manter o nível de serotonina... faça uma administração moderna, que me tire de mim, que me ofereça uma solução externa. Porém, tudo vai se complicando, pois, se nada quero saber de mim, dificilmente obterei responsabilidades éticas. Isto é, jamais precisarei me haver com minhas verdades, com meus desejos, nunca terei de contrariar meu parceiro com minhas ideias contrárias às esperadas e, com efeito, prefiro me ater aos efeitos e usos cosméticos da medicina moderna. Esta é a oferta lançada aos médicos no mercado dos poderosos laboratórios e que tomou consistência. Que psiquiatra não vive preenchendo formulários sem fim com os resultados dos experimentos de última linha? A depressão endógena e, portanto, incurável garantirá pacientes eternamente dependentes e a solução virá da administração de um remédio espetaculoso, que nos fará estabilizados, talvez robotizados para sempre, amém! Se for isso o que você quer... é isso o que terá. Todos gozam igual no terreno da ciência: somos cobaias no mundo do gozo pasteurizado, padronizado, edulcorado, e serão malvistos, segregados, rechaçados os diferentes. Porque o mundo está preparado para produzir satisfação, comportamento, diversão em massa, nossos movimentos e ideias são teleguiados. E não se esqueça de sorrir, você pode estar sendo filmado! Seja feliz comprando objetos de consumo pelo cartão de crédito de melhores condições. Bastam as comodidades da vida moderna para você se sentir bem, desde que faça, mas não pense. Talvez dê a sorte de tornar-se celebridade instantânea! Há porém uma saída ética. Poucos a desejam, lamentavelmente. É a saída da verdade particularíssima de cada um, e que não poderá jamais ser padronizada, nem coordenada por modernos laboratórios que oferecem drogas poderosas aos que desejam se livrar do mal-estar existencial. Ora, é impossível viver sem alguma angústia existencial pelo simples fato de que a única certeza no nosso horizonte é a nossa finitude. Quanto a isso, só nos resta acatar o tempo que temos e fazer dele o melhor. Incluo nesse fazer o melhor o dizer particular de cada um, aquilo que consideramos nosso bem e que de fato nos faça contentes, sem nos submeter a ditames que vêm do dizer social ou do outro, nem sempre bem intencionado em relação ao que se deseja obter. Assim sendo, insisto, não como sabedora de uma verdade única que se impõe, pois as verdades são múltiplas assim como as direções que escolhemos. E somente fazendo boas escolhas teremos um futuro e um presente pelo menos satisfatório, com bons momentos que compensem o fato de existir, mas essa é uma questão ética de cada um e nada mais. (Crédito como recebi na Internet)
Escrito por Dani Guima às 14h50
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