Meu Perfil
BRASIL, Mulher



Histórico


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     Responsabilidade Social.com
     Blogjob
     O Admirável Mundo Novo da Lulu
     Revelações de minh'Alma!


     
    Pra Gente ser Feliz


    Da sutileza nas pequenas coisas

    (Por Bia Jardon)

    Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bastante emotiva. No sentido mais óbvio mesmo: é raro o dia em que não fico com os olhos cheios de água pelo menos uma meia dúzia de vezes pelos mais variados motivos. A letra de uma música em que presto atenção no carro. Um diálogo com alguém ou uma dada situação que imagino na cabeça. Uma frase que vejo escrita em algum lugar. Uma tristeza ou um desespero qualquer que me atropela de uma hora pra outra. Sim, também tenho que confessar que propagandas às vezes têm esse poder sobre mim, sem falar que último capítulo de novela é batata.

    Mas o que me arrebentou o coração mesmo outro dia foi ter percebido que, assim que entrou dezembro, minha mãe trocou o galheteiro dela. No lugar do de sempre, feito de vime, passou a estar na mesa um de madeirinha branca com uma árvore de Natal aplicada nele. Bem simplesinho, um galheteiro de Natal. Eu simplesmente não suportei a delicadeza e a esperança desse gesto – mínimo e talvez até distraído da parte de minha mãe. Segurei na hora, mas, voltando do almoço em sua casa, desabei. E me pus a pensar o que ela, minha surrada mãe e suas coisinhas, quiseram dizer, sem saber, com aquilo ali.

    Bom, o que foi dito, se é que algo foi dito, continuo sem saber, mas o que ouvi foi sobre a necessidade de o Natal se encarnar, mesmo assim numa coisa qualquer, até assim numa coisa qualquer. Não por motivos religiosos, porque estes nem todo mundo os tem. Não pelas reuniões familiares, que não deveriam precisar de data certa pra acontecer ou, pelo menos, bem que deveriam acontecer mais que uma vez ao ano.

    O Natal precisa se encarnar porque é um dos poucos momentos em que coletivamente há uma moratória geral pra se sair por aí abestadamente namorando os outros, amando mais bonito, sendo mais compreensível com tudo, perdoando mais, desejando com mais força, abraçando mais apertado, olhando ao redor com mais doçura, querendo mais da vida. Tendo mais esperança. Sendo mais delicado. Como minha mãe e seu galheteiro de Natal.

    Não dá pra deixar passar um tempo desses fingindo que não viu, fingindo que não é com a gente, desculpando-se com a descrença (como coisas do tipo a data ser só uma besta invenção consumista do capeta e ou uma distorção manipuladora da igreja católica) ou com o cansaço e pressa (é impressão minha ou as tradicionais luzinhas das varandas e fachadas diminuíram sensivelmente nos últimos anos?). É mais que perder uma oportunidade; é, meu caro, na minha pequena opinião, deixar um bocadinho de vida ir embora, coisa que, acho, ninguém está podendo se dar ao luxo nesse mundo de cão.

    Natal é o triunfo, ainda que momentâneo, de um algo muito maior que o Papai Noel (claro!) e até que Jesus Cristo (que me desculpem, de antemão, os muito religiosos, mas foi Ele mesmo que disse isso). É a vitória (aparentemente meio boba, meio como quem não quer nada, mas incisiva e muito poderosa) do amor – essa coluna vertebral do ser de todo mundo. Ficar à margem é, como não, assentir com a morte um pouquinho a cada ano ou, no mínimo, abrir mão de uma boa turbinada que se pode dar na vida, a vida significativa, trama de esperanças e delicadezas, como às que me remeteu o aparentemente insignificante galheteiro de Natal de minha mãe, essa mesma mãe que, com essas e outras, fez crescer em mim esses olhos marejados pra enxergar o mundo.

     



    Escrito por Dani Guima às 15h42
    [] [envie esta mensagem] []




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]