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    Quero ser um cobogó

    Para quem não sabe do que se trata, uma definição simples e direta de Cobogó: “Cobogó é a denominação dada a elementos vazados, normalmente feitos em cimento, que completam paredes e muros para possibilitar maior ventilação e luminosidade ao interior** de um imóvel, seja residencial, comercial ou industrial.”

    Como boa brasiliense que sou, sim, sempre fui encantada por eles... Mas, de um tempo para cá, viraram um espécie de paixão! Não consigo mais passar desapercebida por qualquer um deles, desde os mais ordinários, às novas invenções que surgem por aí. Nenhum é feio. O que me encanta tanto? Fui percebendo e sentindo aos poucos o porquê dessa percepção interna tão obstinada. 

    A ventilação, a luminosidade que atravessam suas aberturas... sim, as suas aberturas. Aí, a chave do meu amor. O significado de o cobogó estar aberto e receptivo ao calor, à sombra, ao frio, à chuva. Ao Sol, à Lua. Às intempéries, ao imprevisto, ao que vier... Sem julgar, sem se fechar. Se deixa perpassar, e continuar aberto, sempre...

    Três situações de vida, em momentos diferentes, me remeteram de forma definitiva a esta paixão:

    1) Uma vez, na aula de Kundalini Yoga, depois de longos minutos dentro de uma mesma postura, a dor começava a fazer os músculos tremerem, os braços pesarem, e minha mestra me disse: “Olha a dor, sente a dor, deixa ela te atravessar. Respira a dor, e deixa ela ir”. Entendi que a dor, quando encarada, olhada com coragem – ternura e carinho – acaba diminuindo. E viver essa experiência fisicamente, de forma tão intensa, em treinos de sadhana (exercícios diários que duram até 49 minutos, cuja resistência se amplia, em minutos, a cada dia), fazem você refletir, vivenciar no corpo e transpor essa capacidade de ampliar seus limites, também, para o campo das emoções e reações.

    2) Num momento difícil de vida, de muitas dores e rancores vindo à tona, uma amiga inesperada – mas de uma importância e grande significado para mim – me disse: “Quando vier uma emoção, pensamento, ou sentimento ruim, respira!!! Deixa essa emoção passar por você... então, deixe-a ir. Expire-a. Em seguida, agradeça por ela”. E sinta o que essa experiência deixou de riqueza para você, e siga adiante...

    3) Num trabalho espiritual bastante intenso, que me dava até um certo pânico, o mestre orientou: “A chave é respirar”. E assim foi – a cada pensamento ruim que vinha, eu respirava, sentia, expirava e agradecia. Neste trabalho, conscientemente, já me imaginava graficamente como um cobogó. Deixava o que quer que fosse – ruim ou bom – seguir seu caminho, sem qualquer apego. Puro desprendimento. Pura liberdade. Não há espaço para se grudar à dor. Para julgá-la. Para se apegar. Simplesmente, deixe-se respirar, e a luz vem.

    Assim sendo, o cobogó para mim é uma representação da neutralidade.

    Venha Sol. Venha chuva. Venha luz. Venha brisa, vento, ventania.

    Recebo, respiro, expiro e agradeço. :)

    Sinto que a propriedade da abertura, do desapego, nos lança no caminho da tão sonhada liberdade.

    A liberdade de permitir-se entrar em contato e ser tocada. E enfeitar o altar do meu coração, por todos os lados, com cobogós puros e abertos à alegria de ser e sentir!

    **: Assim, explico a hashtag excêntrica (#queroserumcobogo) da minha fotossérie (Cobogós que amo) no Instagram @danielaguima: a cada dia possibilitar maior ventilação e luminosidade ao interior do altar do meu coração.



    Escrito por Dani Guima às 00h49
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